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Leitura artificial em todo lugar... Leitura real em sala de aula!

Prática da Leitura na Escola

Kizy Roberta Ribeiro

Ler é sonhar acordado. É acordar do falso sonho dos imediatistas. E despertar para a real função da linguagem: “exprimir as relações das coisas” (Simone Weil)
Nas escolas, o processo de ensino estabelece na sala de aula o uso artificial da linguagem, dificultando a aprendizagem de uma língua ou da variedade de uma língua. A aprendizagem é limitada, pois não se escrevem textos, mas produzem-se redações; não se lêem textos, mas fazem-se exercícios de interpretação; não se faz análise lingüística, mas aplicam-se a dados preexistentes. E isso é simular ao uso da língua escrita, leituras e a prática científica da análise lingüística. Por isso propõe-se a prática da leitura para se chegar ao domínio da língua padrão.
Um texto precisa de alguém que o escreva e outro alguém que o leia. O leitor, a partir do texto, deve ser capaz de alcançar seu significado, reconhecer o que o autor pretendia alcançar com o texto. Como unir esse ponto de vista de leitura com atividades de sala de aula, sem cair no processo de simulação de leitura? Cada leitor terá seu ponto de vista sobre o texto, o aluno terá um e o professor o seu. Para isso os leitores, antes de ler o texto, terão que estabelecer o uso da leitura como: busca de informação, estudo do texto, como pretexto ou para desfrutar do texto.
A leitura como busca de informação é utilizada para extrair do texto uma informação. Essa é a base do ensino, onde o aluno busca no texto informações X ou Y, ainda que a resposta tenha sido autoritária e artificialmente imposta pelo processo escolar (avaliação, por exemplo). Essa leitura pode ser dividida em métodos, a busca da informação previamente estabelecida e a busca sem roteiro elaborado.
O aluno através desse método de leitura deve desenvolver habilidades para ser capaz de obter a significação do texto. Desse modo, terá a ajuda para assumir o controle da
própria leitura.
A leitura como estudo do texto também é uma forma de buscar informação específica como a tese defendida no texto, os argumentos apresentados em favor da tese defendida, os contra-argumentos levantados em teses contrárias, a coerência entre tese e argumentos. Esse tipo de estudo pode pôr em dúvida a tese defendida, mas não os argumentos expostos, assim atribuindo significado àquilo que lê.
A leitura do texto para utilizá-lo como pretexto é estudar o fundamento do texto que poderá ser utilizado para a produção de uma outra obra. Como cada leitor terá seu ponto de vista, terá o pretexto do aluno e o pretexto do professor. Como nas escolas o prazer da leitura não existe, lê-se um romance para preencher uma ficha de leitura, para fazer uma prova e outros trabalhos, e não pelo prazer da própria leitura, ou seja, não faz leitura como fruição do texto.
É preciso trazer para dentro da escola o que dela se excluiu, o prazer e o incentivo a leitura. E para isso é necessário buscar estratégias que visam à aprendizagem significativa e é necessário recuperar três princípios:
1. O caminho do leitor que deve ser considerado é essencial o respeito pelos passos e pela caminhada do aluno enquanto leitor.
2. O circulo do livro é a melhor saída para estimular os alunos, deixando-os ler livremente, por indicação de colegas, pela curiosidade, pela capa, pelo título etc.
3. Não há leitura qualitativa no leitor de um livro. O professor deve estimular a leitura de livros, pois a quantidade pode gerar qualidade, pois ao ler um texto o aluno pode obter uma qualidade tendo uma boa bagagem de leitura que possa facilitar a interpretação do texto escolhido.
Todos os professores devem que estimular a leitura, e o melhor lugar para iniciar esse hábito é na escola. Os alunos devem ler não somente grandes obras de ilustres autores, mas também o poema que alguém escreve, mas está guardado na gaveta.
A motivação para leitura envolve curiosidade e abertura a novos conhecimentos e informações, o professor deve proporcionar aos alunos oportunidades de crescimento e enriquecimento cultural, social, intelectual e momentos de lazer através de livros e de leitura recreativa, deve indicar livros, utilizar a biblioteca escolar, precisa estar equipado de material de boa qualidade para desempenhar sua função de agente educacional.
A leitura é uma atividade essencial a qualquer área do conhecimento. Está intimamente ligada ao sucesso do ser que aprende. Permite ao leitor situar-se com os outros. Possibilita a aquisição de diferentes pontos de vista e alargamento de experiências. É também um recurso para combater a massificação executada principalmente pela televisão. O livro é ainda um importante veículo para a criação, transmissão e transformação da cultura.
E o aluno tem que buscar suas preferências, pois virará prazer, e por conseqüência um hábito. A leitura é um processo vivo que não se desfaz na última página do livro, o leitor incorpora como vivência, não sendo o mesmo depois da leitura. Ela é tão rica que fica impregnada na imaginação e na vida do leitor, tendo uma nova visão, gostando ou não do livro.

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