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O uso do computador na educação escolar

Vilma Toloto Ferreira - Pedagoga e Psicopedagoga pela PUC de São Paulo. Pós-graduada em Recursos Humanos pela PUC- Santiago- Chile. Autora da monografia: O uso do computador na educação escolar - reflexo de uma nova era. O artigo aborda o tema da introdução do computador na escola, as dúvidas mais comuns e as possibilidades de uso desse recurso tecnológico com eficácia. Há alguns anos as escolas vêm sendo informatizadas. Além do já conhecido laboratório de ciências, surgiram os chamados laboratórios de informática. Para alguns professores foi um susto quando se iniciou a discussão sobre a introdução do uso do computador na educação escolar. Logo imaginaram que teriam que se preocupar com mais uma tarefa em seu dia-a-dia já tão atribulado. Para outros, a inserção do uso dessa tecnologia foi mais serena. Mas, de qualquer forma, para a maioria pairou a dúvida: de que maneira é possível usar o computador na educação? Introdução do computador na escola As tentativas de uso do computador na educação escolar vão desde a simples digitação de uma redação manuscrita, ao uso de softwares prontos, como também e felizmente, através de projetos educacionais com um enfoque interdisciplinar. Este último é resultado de um trabalho integrado, processado pelos alunos e mediado pelo educador.O que é um projeto educacional utilizando o computador como recurso? Primeiro, é necessário que se tenha clareza dos objetivos a serem alcançados. Segundo, devem ser definidas as etapas a serem concretizadas. O projeto deve ter uma parte introdutória, um desenvolvimento e uma conclusão. Inicialmente o educador apresenta o projeto aos alunos, discute o objetivo e o cronograma. A partir daí, inicia-se o desenvolvimento apoiado pelo educador que fará as intervenções necessárias direcionadas aos objetivos preestabelecidos.O projeto é concluído com a formatação do produto final, que pode ser: livros, revistas, jornais ou trabalhos nas mais diversas áreas de estudos.O processo de desenvolvimento do projeto requer um acompanhamento minucioso por parte do educador que deve estar sempre atento à visão crítica dos alunos diante das informações e das construções.Concluídas essas etapas, o projeto deve ser avaliado tendo como referência os resultados técnicos e pedagógicos esperados. No decorrer do desenvolvimento do projeto, incidem vários momentos importantes na aprendizagem dos alunos que não estavam previstos no planejamento inicial. Esse enriquecimento depende do encaminhamento que é dado e do aproveitamento dos momentos educáveis que surgem no decorrer das etapas.Não é uma tarefa fácil criar e desenvolver projetos que envolvam o uso da tecnologia. Não porque seja complexo usar os computadores, mas porque a criação do conhecimento depende muito mais do que sentar-se diante de uma carteira, de uma mesa de biblioteca ou de um computador. Entre o aluno e o recurso tecnológico ocorre a interatividade. Já entre os sujeitos aluno e educador, ocorre uma relação pedagógica onde o educador é uma ponte facilitadora entre qualquer recurso e o aluno.Outro aspecto importante na área de informática educacional é que deve existir uma dinâmica de complementação entre o laboratório de informática e a sala de aula. Atividades desenvolvidas em sala de aula podem ser complementadas no laboratório e vice-versa. Utilização da informática Desenhos Para alunos de menor idade, a utilização de desenho, como atividade organizada sistematicamente pelo educador é um instrumento muito rico no seu desenvolvimento cognitivo, porque eles escolhem o que desejam desenhar para representar uma idéia; organizam as imagens empregando noções de espaço; exploram cores e formas; bem como empregam noções de estética. Nessa atividade as crianças buscam referências vividas para concluir a intenção do que desejam comunicar através da representação gráfica. Mesmo não sendo solicitados a escrever, é muito comum verificar que os alunos lançam mão do recurso da escrita para complementar a idéia que desejam transmitir através do desenho. Essa opção é reveladora da compreensão da escrita como representação da linguagem, que serve para comunicar idéias e sentimentos através dos símbolos. Portanto, o uso de softwares que permitem simultaneamente desenhar e escrever auxiliam as crianças a distinguir entre desenho e texto, ajudando a compreender que o que se lê tem letras.Na educação infantil, o computador pode ser considerado um recurso que enriquece o contexto lúdico e simbólico, importante no desenvolvimento do conhecimento dos mais diversos campos do saber. Ao mesmo tempo em que ele contempla brincadeiras e jogos, é também uma ferramenta auxiliar na aprendizagem e na autoria de produções. As crianças são autoras de histórias em quadrinhos, livros de contos, livros de poesias, jornais, revistas, entre outros. Existem várias maneiras de tornar o ambiente escolar atrativo, significativo, que favoreça a construção do conhecimento. Uma delas é a utilização do computador, justamente pelo fascínio que ele exerce nas crianças. Texto O processador de texto tem um papel fundamental no exercício da escrita, desde a alfabetização. Crianças na faixa dos seis aos sete anos, quando escrevem manualmente, sentem um certo cansaço causado pela dificuldade motora. Seu pensamento é mais rápido que o movimento das mãos exigido pela escrita manual. Já no computador elas dispendem um menor esforço físico e há uma maior sintonia entre o seu pensamento e o toque nas letras do teclado. Ficam também mais satisfeitas em relação à estética dos trabalhos produzidos. Normalmente quando se escreve, é comum se percorrer algumas etapas, como rascunhar, revisar, modificar, até se atingir um nível satisfatório de compreensão, comunicação e ortografia. Com a facilidade oferecida pelo processador de texto quanto a correções e adequações, o aluno desenvolve o olhar crítico sobre sua própria criação. Ele não tem a preocupação da caligrafia ou de possíveis rasuras. As modificações podem ser infinitas que ainda assim o texto estará sempre com uma ótima apresentação. Multitarefa As crianças gostam de realizar várias coisas ao mesmo tempo. Com o recurso de multitarefa do windows isso é possível. Ao trabalhar em rede, ao mesmo tempo em que imprimem, utilizam o word, o paint e a internet, capturando imagens, textos e exportando de um programa para outro. As tarefas são integradas e muito dinâmicas. O erro é facilmente corrigido e de forma autônoma. As tentativas de correções ou a própria curiosidade das crianças levam às descobertas inesperadas quanto ao uso dos programas. Fica ressaltada também a troca de experiências. A descoberta é sempre compartilhada. Os alunos dividem com prazer e se ensinam mutuamente. O aprendizado mais técnico do uso do computador é gradativo, surge a partir da curiosidade e necessidade de usarem recursos mais avançados. Internet Navegar sem rumo na internet é aventurar-se em um turbilhão de informações onde se constrói pouco ou nada de conhecimento. Contudo, não convém ficar insensível aos leques que se abrem na trajetória da pesquisa, justamente para usufruir seu diferencial em relação às outras fontes: a interdisciplinaridade.A internet disponibiliza infinita quantidade dos mais diversos tipos de informação. O problema que surge é como administrar tamanha quantidade de informação, como ensinar os alunos separarem a informação relevante da irrelevante. Estar morrendo de fome e encontrar um boi, não vale muito. Para que a fome seja saciada é necessário que se apresente as condições necessárias para transformar o boi em alimento comestível. O uso da internet como fonte de pesquisa no ambiente escolar só é eficaz se os educadores e alunos interagirem numa relação de criatividade e sempre atentos ao senso crítico, transformando estas informações em conhecimento. Softwares educacionais Existe uma grande dificuldade em se produzir softwares educacionais de qualidade. Geralmente eles têm boa qualidade técnica, mas escassa qualidade pedagógica. Para que esse casamento ocorra é necessário a parceria de educadores e programadores na criação destes materiais, para que possam gerar softwares realmente significativos a serem usados na educação escolar. Salvo raríssimas exceções, o programador não conhece educação e o educador não conhece programação. O educador conhece os contéudos que deseja explorar e sua adequação à faixa etária. O programador, por sua vez, domina as técnicas de programação para a preparação e execução do software. E ambos podem encontrar uma maneira de tornar o conteúdo atrativo para todas as idades e instrutivo e lúdico, para as crianças menores. Profissional Outra dúvida nessa área é qual profissional deve coordenar um laboratório de informática nas escolas. As que deixam o laboratório nas mãos somente de técnicos, raramente têm sucesso em seus projetos de informática educacional. O profissional mais capacitado para assumir essa função é o pedagogo com conhecimentos em softwares e conhecimentos técnicos básicos, que lhe garantam a solução de imprevistos causados por falhas que os computadores possam apresentar durante as aulas.O funcionamento satisfatório de um laboratório de informática demora algum tempo para acontecer, porque depende de alguns fatores essenciais. À parte de sua instalação física, é crucial a sensibilização dos professores quanto à importância do uso pedagógico do computador, o treinamento para que conheçam o seu potencial e, por fim, o desenvolvimento de projetos com prévios objetivos estabelecidos e com a avaliação posterior. O profissional do laboratório deve trabalhar em parceria e sintonia com os professores para fazer desse ambiente mais um espaço educável, dentro do contexto geral da escola. Os resultados não são imediatos porque não se pode depender apenas de softwares, mas da criação de atividades e/ou projetos que garantam a aprendizagem no campo pedagógico e técnico. O computador e o professor Discordo dos que dizem que os computadores substituirão os professores, que as máquinas poderão vir a ensinar melhor que eles e tampouco acredito que no futuro substituirão a escola. Como profissional da área de informática educacional, defendo a utilização do computador na educação escolar. Acredito que a principal preocupação deva ser sempre encontrar a melhor forma de contribuir para que esse recurso possa agregar valor ao processo de ensino e aprendizagem, sem que ocorra o seu endeusamento. Ao contrário, devemos desmistificá-lo, mostrando aos alunos as suas capacidades e também as suas limitações. O processo de informatização da sociedade em geral, avança a todo vapor. É um caminho sem volta. Além do contato sistematizado do aluno com o computador no ambiente escolar, que contribui de forma bastante favorável para o seu desenvolvimento cognitivo, temos a responsabilidade de nos preocupar com a preparação dos alunos para conviver e atuar nessa sociedade informatizada. Considerações finais O computador facilita uma aprendizagem mais autônoma, no momento em que o professor ensina a processar a informação de maneira crítica e reflexiva, a trabalhar em grupos e a efetivar trocas. O computador serve para despertar a atenção dos alunos. Os alunos processam melhor o conhecimento quando aprendem ativamente como em trabalhos de campo, experimentos ou interagindo com o computador.O valor do investimento aplicado pelas escolas não está no computador, mas na preparação dos profissionais da educação para melhor lidarem com essa tecnologia. É necessário que os educadores estejam capacitados e conscientes do seu papel, para que esse novo instrumento não se transforme apenas em um acúmulo quantitativo de informação, tornando-se um objeto a mais de instrução.A eficácia do uso do computador na escola depende de uma idéia integradora que promova a aprendizagem significativa e a motivação, privilegiando a totalidade do estudo do objeto na tentativa de reduzir a fragmentação do saber.Crianças que têm acesso a recursos que facilitam a aprendizagem, que são estimuladas a encontrarem soluções e a produzirem ou incrementarem seus conhecimentos acumulados, não têm fronteiras nem limitações em relação ao conhecimento. O computador pode ser um poderoso recurso na área de informática educacional, mas para isso tem que ser usado com inteligência e eficácia, para tanto é preciso que o educador desenvolva projetos que sejam coerentes com a proposta pedagógica da escola, que promovam a integração dos alunos, ajudem a desenvolver a cooperação entre eles, enriqueçam seus universos e que complementem os trabalhos desenvolvidos em sala de aula, através de uma linguagem diversificada. Postado por ANA SANTOS

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