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Natal - símbolos, significados e histórico da árvore de natal, papai noel e presépio


Símbolos do Natal e Seus Significados


ÁRVORE DE NATAL: na tradição cristã, simboliza vida, paz, esperança e alegria


PRESÉPIO DE NATAL: simboliza o momento e o ambiente em que Jesus Cristo nasceu


PAPAI NOEL: representa o bom velhinho que dá presentes para as crianças no dia de Natal


ESTRELA DE NATAL: guiou os três reis magos até o local de nascimento do menino Jesus


SINOS DE NATAL: representa o anúncio para a humanidade do nascimento de Jesus Cristo, o Salvador.


GUIRLANDA: usada como enfeite nas portas de entrada das residências na época do Natal.


Árvore de Natal




Em vários países do mundo, as pessoas montam árvores de Natal para enfeitar casas e outros ambientes. Junto com as decorações natalinas, as árvores garantem um clima especial nesta importante época do ano.

De acordo com pesquisadores das tradições cristãs, a montagem de árvore de Natal teve início no ano de 1530, na Alemanha, com Martinho Lutero. Numa determinada noite, enquanto andava pela floresta, Lutero ficou impressionado com os lindos pinheiros cobertos de neve. As estrelas do céu ajudaram a formar a imagem que Lutero reproduziu com galhos de árvore em sua residência. Além das estrelas, algodão e outros ornamentos, Lutero usou velas acesas para mostrar aos seus familiares a linda cena que havia visto na floresta.

Esta tradição chegou ao continente americano através de alguns alemães, que vieram residir na América durante o período colonial.

No Brasil, país em que o cristianismo prevalece, as árvores de Natal estão presentes em diversos lugares na época natalina, pois, além de decorar, simbolizam paz, alegria e esperança. As árvores de Natal também simbolizam a vida, pois em dezembro no hemisfério norte, ocorre o inverno e as árvores perdem as folhas. Uma árvore frondosa e cheia de enfeites simboliza a vida.

Dia de montar a árvore de Natal

- De acordo com a tradição católica, a árvore de Natal deve ser montada a partir do dia 30 de novembro, que é o começo do período do advento. Sua montagem deve ser aos poucos, intensificando-se a partir de 17 de dezembro (momento em que a Bíblia começa a falar do nascimento de Jesus). Em 6 de janeiro (Dia de Reis), de acordo com esta tradição, é o dia de desmontar a árvore de Natal.



História do Papai Noel




O Papai Noel : origem e tradição

Estudiosos afirmam que a figura do bom velhinho foi inspirada num bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280 d.C. O bispo, homem de bom coração, costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas.

Foi transformado em santo (São Nicolau) após várias pessoas relatarem milagres atribuídos a ele.

A associação da imagem de São Nicolau ao Natal aconteceu na Alemanha e espalhou-se pelo mundo em pouco tempo. Nos Estados Unidos ganhou o nome de Santa Claus, no Brasil de Papai Noel e em Portugal de Pai Natal.

Até o final do século XIX, o Papai Noel era representado com uma roupa de inverno javascript:void(0)na cor marrom ou verde escura. Em 1886, o cartunista alemão Thomas Nast criou uma nova imagem para o bom velhinho. A roupa nas cores vermelha e branca, com cinto preto, criada por Nast foi apresentada na revista Harper’s Weeklys neste mesmo ano.

Em 1931, uma campanha publicitária da Coca-Cola mostrou o Papai Noel com o mesmo figurino criado por Nast, que também eram as cores do refrigerante. A campanha publicitária fez um grande sucesso, ajudando a espalhar a nova imagem do Papai Noel pelo mundo.

Papai Noel no trenó e suas renas

Atualmente, a figura do Papai Noel está presente na vida das crianças de todo mundo, principalmente durantes as festas natalinas. É o bom velhinho de barbas brancas e roupa vermelha que, na véspera do Natal, traz presentes para as crianças que foram obedientes e se comportaram bem durante o ano. Ele habita o Pólo Norte e, com seu trenó, puxado por renas, traz a alegria para as famílias durante as festas natalinas. Como dizem: Natal sem Papai Noel não é mesma coisa.


Presépio de Natal - Origem e Significado




Significado do Presépio de Natal

O presépio é uma montagem com peças, que faz referência ao momento do nascimento de Jesus Cristo. Com o menino Jesus na manjedoura ao centro, o presépio apresenta o local e os personagens bíblicos que estavam presentes neste importante momento cristão.

Origem do presépio de Natal

De acordo com fontes históricas, o primeiro presépio foi montado por São Francisco de Assis no Natal de 1223. O frade católico, montou o presépio em argila na floresta de Greccio (comuna italiana da região do Lácio). Sua ideia era montar o presépio para explicar as pessoas mais simples o significado e como foi o nascimento de Jesus Cristo.

No século XVIII, a tradição de montar o presépio, dentro das casas das famílias, se popularizou pela Europa e, logo em seguida, por outras regiões do mundo.

Tradição da montagem do presépio

É tradição em várias regiões do mundo a montagem do presépio na época de Natal. Os presépios podem varias em tamanho e materiais usados. Existem presépios minúsculos e outros em tamanho real. As peças podem ser feitas de madeira, argila, metal ou outros materiais. O mais comum, atualmente, é a montagem dentro das casas das famílias cristãs. Porém, encontramos também presépios em lojas, empresas, praças, escolas e outros locais públicos.

Peças do presépio (personagens representados)

- Menino Jesus (filho de Deus e o Salvador)

- Virgem Maria (mãe de Jesus Cristo)

- José (pai de Jesus Cristo)

- Manjedoura com palhas em um curral (local onde nasceu Jesus)

- Burro e Boi ou ovelhas (animais do curral, representam a simplicidade do local onde Jesus nasceu)

- Anjos (responsáveis por anunciar a chegada de Jesus)

- Estrela de Belém (orientou os reis Magos quando Jesus nasceu)

- Pastores (representam a simplicidade das pessoas do local em que Jesus nasceu)

- Reis Magos (Melquior, Baltazar e Gaspar)






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Desenhos e cartões de natal - para imprimir

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A ORIGEM DO NATAL

O Natal surge como o aniversário do nascimento de Jesus Cristo, Filho de Deus, sendo atualmente uma das festas católicas mais importantes. Inicialmente, a Igreja Católica não comemorava o Natal.

Foi em meados do século IV d.C. que se começou a festejar o nascimento do Menino Jesus, tendo o Papa Júlio I fixado a data no dia 25 de Dezembro, já que se desconhece a verdadeira data do seu nascimento.


Uma das explicações para a escolha do dia 25 de Dezembro como sendo o dia de Natal prende-se como fato de esta data coincidir com a Saturnália dos romanos e com as festas germânicas e célticas do Solstício de Inverno, sendo todas estas festividades pagãs, a Igreja viu aqui uma oportunidade de cristianizar a data, colocando em segundo plano a sua conotação pagã.


Algumas zonas optaram por festejar o acontecimento em 6 de Janeiro, contudo, gradualmente esta data foi sendo associada à chegada dos Reis Magos e não ao nascimento de Jesus Cristo.

O Natal é, assim, dedicado pelos cristãos a Cristo, que é o verdadeiro Sol de Justiça (Mateus 17,2; Apocalipse 1,16), e transformou-se numa das festividades centrais da Igreja, equiparada desde cedo à Páscoa. Apesar de ser uma festa cristã, o Natal, com o passar do tempo, converteu-se numa festa familiar com tradições pagãs, em parte germânicas e em parte romanas.


Feliz Natal!!

Sob influência franciscana, espalhou-se, a partir de 1233, o costume de, em toda a cristandade, se construírem presépios, já que estes reconstituíam a cena do nascimento de Jesus.

A árvore de Natal surge no século XVI, sendo enfeitada com luzes símbolo de Cristo, Luz do Mundo. Uma outra tradição de Natal é a troca de presentes, que são dados pelo Pai Natal ou pelo Menino Jesus, dependendo da tradição de cada país.


Apesar de todas estas tradições serem importantes (o Natal já nem pareceria Natal se não as cumpríssemos), a verdade é que não nos podemos esquecer que o verdadeiro significado de Natal prende-se com o nascimento de Cristo, que veio ao Mundo com um único propósito: o de justificar os nossos pecados através da sua própria morte.

Nesses tempos, sempre que alguém pecava e desejava obter o perdão divino, oferecia um cordeiro em forma de sacrifício.
Então, Deus enviou Jesus Cristo que, como um cordeiro sem pecados, veio ao mundo para limpar os pecados de toda a Humanidade através da Sua morte, para que um dia possamos alcançar a vida eterna, por intermédio Dele, Cristo, Filho de Deus.

Assim, não podemos esquecer que o Natal não se resume a bonitas decorações e a presentes, pois a sua essência é o festejo do nascimento daquele que deu a sua vida por nós, Jesus Cristo.


Veja a seguir os significados de alguns símbolos natalinos:

Canções de Natal

A Igreja católica sempre deu muita importância para o valor da música. As primeiras canções natalinas datam do século IV e são cantadas até hoje na véspera de Natal.
Bolas de Natal Simbolizam os frutos da "árvore vida" ou seja, Jesus Cristo.
Árvore de Natal
Um símbolo da vida, a árvore de natal é uma tradição muito mais antiga do que o Cristianismo e não é um costume exclusivo de nenhuma religião em particular. Muito antes da tradição de comemorar o Natal, os egípcios já levavam galhos de palmeiras para dentro de suas casas no dia mais curto do ano, em Dezembro, simbolizando A triunfo da vida sobre a morte.
Os romanos já enfeitavam suas casas com pinheiros durante a Saturnália, um festival de inverno em homenagem a Saturno, o Deus da agricultura. Nesta época, religiosos também enfeitavam árvores de carvalho com maçãs douradas para as festividades do Solstício de Inverno. A primeira referência à árvore de natal como a conhecemos hoje data do século XVI. Em Strasbourg, Alemanha (hoje território francês), tanto famílias pobres quanto ricas decoravam pinheirinhos de natal com papéis coloridos, frutas e doces. A tradição espalhou-se, então, por toda a Europa e chegou aos Estados Unidos no início de 1800. De lá pra cá, a popularidade da árvore de natal só cresceu. A lenda conta que o pinheiro foi escolhido como símbolo do natal por causa da sua forma triangular, que de acordo com a tradição cristã, representa a Santíssima Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

O Presépio

Ao lado do pinheirinho e dos presentes, o presépio é talvez uma das mais antigas formas de caracterização do Natal. A palavra presépio significa “um lugar onde se recolhe o gado; curral, estábulo”. Porém, esta também é a designação dada à representação artística do nascimento do Menino Jesus num estábulo. Os cristãos já celebravam a memória do nascimento de Jesus desde finais do séc. III, mas a tradição do presépio, na sua forma atual, tem as suas origens no século XVI. Antes dessa época, o nascimento e a adoração ao Menino Jesus eram representadas de outras maneiras. As primeiras imagens do que hoje conhecemos como presépio de natal foram criadas em mosaicos no interior de igrejas e templos no século VI e, no século seguinte, a primeira réplica da gruta no Ocidente foi construída em Roma.

Fonte: http://mundinhodacrianca.blogspot.com/2009/10/origem-do-natal.html



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CONSTRUÇÃO DA ESCRITA E FORMAÇÃO CRÍTICA DAS HABILIDADES ORTOGRÁFIAS

RESUMO
Esta pesquisa teve como objetivo, analisar as dificuldades encontradas pelos alunos na grafia correta das palavras, bem como entender o papel do Psicopedagogo institucional. Um dos pontos significativos dessa pesquisa, é que o professor ou o psicopedagogo precisam usar a correção como instrumento de aprendizagem, ajudando o aluno a reconstruir seus textos, desenvolvendo assim sua autonomia. O trabalho de correção dos erros ortográficos é uma aprendizagem significativa quando explorada nas séries iniciais, pois o aluno desenvolve a capacidade de pensar, participar e construir seu universo crítico. Usando o ensino ortográfico contextualizado o professor transforma-o em um recurso para diagnosticar a aprendizagem dos alunos, sem a necessidade de memorização de regras. Para que se chegasse a essa conclusão foi necessário estudar vários teóricos e pesquisadores da aprendizagem e conhecimento humano nas evoluções psíquicas, emocionais e cognitivas.

Palavras- chave: aprendizagem; dificuldade de escrita; ortografia e leitura.


METODOLOGIA
São muitos os fatores que dificultam a compreensão do sistema ortográfico. Inúmeras grafias justificam-se apenas por razões etimológicas, ou seja, devido a sua origem. Além disso, a língua apresenta muito mais fonemas do que as letras do alfabeto e usa diversas letras para representar um som. E de acordo com Morais, estas dificuldades serão assimiladas com o decorrer do tempo.
Por se tratar de um tema relacionado à área educacional, para este trabalho privilegiou-se a pesquisa qualitativa como uma abordagem etnográfica com o objetivo de conhecer mais de perto a realidade e o cotidiano da prática pedagógica da 4ª série da Escola Estadual Major Agenor Lopes Cançado, da cidade de Nova Serrana (MG).
Neste caso, a etnografia parece ser a abordagem mais adequada, visto que dispõe de recursos que permitem uma maior aproximação entre pesquisador e seu objeto de estudo, propiciando com isso uma melhor compreensão da rotina escolar e das percepções que envolvem o problema em questão. Como os professores da 4ª série lidam com os erros ortográficos no dia-a-dia da sala de aula?
A escolha dos professores aconteceu devida o fato de os mesmos atuarem na escola onde esta sendo desenvolvida a pesquisa. Outro aspecto que considero importante para o desenvolvimento é o fato de que são professores com experiências diferentes.
Por se tratar de uma pesquisa voltada para a prática docente, ocorrerá a observação direta do aluno na sala de aula, por parecer a mais adequada.
Após o período de observação será realizada uma entrevista semi-estruturada com o objetivo de aprofundar e esclarecer questões observadas, buscando aprender como esses professores e compreender a sua ação.
O ensino da ortografia acontece assim que o estudante começa a entender o sistema da escrita alfabética, isto é, quando tiver aprendido o valor sonoro das letras e já puder ler e escrever pequenos textos.
Para que o aluno aprenda a ler e a escrever, é necessário que ele entenda o ‘para quê’ e o ‘porque’, de se fazer isso. O início do aprendizado da escrita, como também da leitura, define-se na compreensão dos usos e valores da escrita e da leitura em sociedade. O verdadeiro leitor e escritor que exerce a leitura e a escrita, sabe por que o faz, escolhe o que quer ler e escrever e estabelece destinatários para as suas produções.


1. Teorias da Aprendizagem
1.1. Na visão de Vygotsky
Vygotsky constrói uma teoria por volta do início do século XX a partir das questões que a nova ciência, a Psicologia ainda não conseguia explicar, como por exemplo, a consciência, e o que diferencia o homem do animal. Sua obra se localiza entre os sócio-interacionistas partindo do princípio de que a interação com o meio social, com a cultura vai proporcionar o desenvolvimento e a aprendizagem do sujeito.
Vygotsky, para explicar a aprendizagem, utiliza o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal – realizada com a ajuda do outro, e Zona de Desenvolvimento Real – aquilo que era potencial, torna-se real.
E nessa relação com o meio, a mediação é o elemento que proporciona esse aprendizado, isto é, para Vygotsky (2000), é através dos instrumentos que acontece esta relação/interação do sujeito com o meio e conseqüentemente a apropriação da cultura. E sendo a linguagem, o mais elaborado sistema de signos presente na cultura humana, é através dela que é possível organizar o pensamento e entender as informações.
Vygotsky (1989) explica a relação entre o pensamento e a fala, tendo em vista que, para ele, o desenvolvimento acontece num movimento do social para o individual, isto é, das experiências externas para as interiores.
Outro aspecto a ser analisado é que, no desenvolvimento infantil, os sistemas fundamentais das funções psíquicas da criança dependem do nível alcançado por ela no desenvolvimento do significado das palavras, Vygotsky (1998). As funções psicológicas elementares – percepção, atenção, memória – por meios dos signos transformam-se em funções superiores.
Assim, a teoria de Vigotsky, nos apresenta o caminho que nos processos de aprendizagem a criança precisa do contato com o conhecimento para que se ocorra uma aprendizagem efetiva.
<!--[if !supportLists]-->1.1 <!--[endif]-->– Na visão de Jean Piaget
Piaget elaborou os princípios e fundamentos de sua teoria do conhecimento, abordando temas gerais, tais como: relação entre pensamento e linguagem, desenvolvimento na criança - do julgamento e do raciocínio, da representação do mundo, da causalidade física e julgamento moral.
Segundo Piaget as relações entre organismo e meio são relações de troca, pelas quais o organismo adapta-se ao meio e, ao mesmo tempo, o assimila, de acordo com suas estruturas, num processo de equilibrações sucessivas. E que conhecer é organizar, estruturar e explicar a realidade a partir daquilo que se vivencia nas experiências com os objetos do conhecimento.
De acordo com as idéias de Piaget o conhecimento se dá através de:
Esquemas mentais – os esquemas de ação que se ampliam, coordenam-se entre si, diferenciam-se e acabam por se interiorizar. (estes dão origem ao pensamento)
Equilibração – propriedade intrínseca e construtiva da vida mental. Capacidade de auto-regulação.
Re-equilibração - por meio da acomodação ou da coordenação de esquemas, implica uma ultrapassagem da situação anterior, uma abertura para novas possibilidades de ação.
Desenvolvimento – processo de equilibrações sucessivas que conduzem as maneiras de agir e de pensar cada vez mais complexas e elaboradas.
Piaget mostra que o sujeito humano estabelece desde o nascimento uma relação de interação com o meio. É relação da criança com o mundo físico e social que promove o seu desenvolvimento cognitivo.
Para Piaget, a forma de relacionar e de aprender da criança passa por estágios. Que são os seguintes: Sensório-Motor, Operatório-Concreto, Operatório-Formal e Pré-Operatório.
Uma máxima da teoria piagetiana é que o conhecimento é construído na experiência, pois qualquer conduta está ligada ao contexto histórico. Para o autor, a ligação fundamental construtiva de todo conhecimento, não é uma simples associação, mas uma assimilação, ou seja, a ação do sujeito sobre o mundo em que vive. A ação vai estar presente e atuar em todo o desenvolvimento mental. (Piaget, 1983, p. 340).
Em seus estudos sobre crianças, Jean Piaget descobriu que elas não raciocinam como adultos. Esta descoberta levou Piaget a recomendar aos adultos que adotassem uma abordagem educacional diferente ao lidar com crianças
Ele modificou a teoria pedagógica tradicional que, até então, afirmava que a mente de uma criança era vazia, esperando ser preenchida por conhecimento. Na visão de Piaget, as crianças são as próprias construtoras ativas do conhecimento, constantemente criando e testando suas teorias próprias sobre o mundo. Ele forneceu uma percepção sobre as crianças que serve como base de muitas linhas educacionais atuais. De fato, suas contribuições para as áreas da Psicologia e da Pedagogia são imensuráveis.
<!--[if !supportLists]-->1.2 <!--[endif]-->– Na visão de Emília Ferreiro
Com base nos pressupostos teóricos de Piaget, Emília Ferreiro aponta a evolução do pensamento das crianças e destaca três grandes períodos: a distinção entre o modo icônico e o não-icônico, a construção de formas de diferenciação e a fonetização da escrita.
Ao entrar em contato com a escrita convencional, surgem as contradições da hipótese silábica, além disso, contradição entre a interpretação silábica e as escritas produzidas pelos adultos. (Ferreiro, 1994, p. 25)
Diante de tantos conflitos as crianças vão desestabilizando suas hipóteses e mergulham em novos processos de construção, assimilando e acomodando.
Nessa concepção, o professor deve dar à criança oportunidade de interagir com a linguagem escrita, tendo sempre em mente “que a aprendizagem da língua escrita é muito mais que a aprendizagem de um código de transcrição: é a construção de um sistema de representação”. (Ferreiro, 1994, p. 102)
Outro ponto importante tem a ver com o fato de que não existe uma única teoria da aprendizagem, nem uma única teoria da aprendizagem da língua escrita.
Os estudos de Emília Ferreiro e Ana Teberovsky e colaboradores sobre a aquisição da língua escrita (ou psicogênese da escrita), constituíram uma das principais fontes para fundamentar essas discussões de natureza metodológica.
As idéias que sustenta esses estudos – as quais se originam das investigações de Jean Piaget podem ser resumidas da seguinte forma:
  • A criança não começa a aprender a escrita apenas quando entra para a escola: desde que, em seu meio ela entra em contato com a língua escrita, começa seu processo de aprendizado.
  • Esse aprendizado não consiste numa simples imitação mecânica da escrita utilizada por adultos, mas numa busca de compreender o que é a escrita e como funciona; é por essa razão que a escrita é uma aprendizagem de natureza conceitual.
  • Na busca da compreensão da escrita, a criança faz perguntas e dá respostas a essas perguntas por meio de hipóteses baseadas na análise da língua escrita na experimentação de modos de ler e de escrever, no contato ou na intervenção direta de adultos.
  • As hipóteses feita pela criança se manifestam freqüentemente em suas tentativas de escrita e, por isso, não são erros, no sentido usual do termo, mas a expressão das respostas ou hipóteses que a criança elabora.
  • O desenvolvimento das hipóteses envolve construções progressivas, por meio das quais a criança amplia seu conhecimento sobre a escrita com base na reelaboração de hipóteses anteriores.
Com base nessas idéias mais gerais sobre como os seres humanos aprendem, as pesquisas sobre a psicogênese da língua escrita descobriram que as crianças desenvolvem: as primeiras hipóteses sobre a escrita e as hipóteses fonográficas.
Todos os conflitos sobre a escrita, para a criança, são conflitos cognitivos que geram em torno das hipóteses por ela elaboradas.
A pesquisa psicogenética – ao descrever os processos por meio do qual a criança se apropria da escrita – fornece uma contribuição fundamental para a Alfabetização, para a organização de procedimentos de ensino-aprendizagem, de diagnóstico e de avaliação.
Essa perspectiva, entretanto, tem sido objeto, nos últimos anos, em diferentes países, de um conjunto de controvérsias, algumas que nos parecem inadequadas. Outras que nos parecem pertinentes – diz respeito ao modo pelo qual a criança alcançaria as hipóteses fonográficas inferindo que as “letras” ou grafemas representam o significante, ou unidades sonoras da linguagem.
É de acordo com as pesquisas cognitivas, a criança apresentaria dificuldades para voltar “naturalmente” sua atenção para o aspecto sonoro da linguagem. Como a língua escrita estaria baseada, em geral, na representação desse aspecto sonoro – os grafemas tendem a representar os sons da língua – seria necessária uma instrução direta para que as crianças desenvolvessem, conscientemente, a capacidade de segmentar e analisar as palavras em fonemas. Em outros termos, o desenvolvimento da consciência fonológica seria – um pré-requisito, para uns, ou um requisito, para outros, – importante para a apreensão de que a língua escrita representa, em linhas gerais, essas unidades sonoras mínimas.
Um outro ponto importante a destacar diz respeito ao domínio do processo de leitura e compreensão do que se lê. A perspectiva cognitivista considera que o desenvolvimento da fluência em leitura – quer dizer, de um processamento automático de palavras – é uma importante dimensão do processo de alfabetização. Se o leitor tem sua atenção voltada para a decodificação de cada unidade de palavras de um texto, ele sobrecarrega sua memória a ponto de dificultar sua compreensão. O desenvolvimento de automatismos na leitura de palavras evitaria essa sobrecarga, deixando o leitor livre para voltar sua atenção para os processos mais complexos relacionados à compreensão do sentido de palavras, trechos e textos.
Um sujeito intelectualmente ativo não é um sujeito que faz muitas coisas, nem um sujeito que tem uma atividade observável. Um sujeito ativo é um sujeito que compara, exclui, ordena, categoriza, reformula, comprova, formula hipóteses, reorganiza, em ação interiorizada (pensamento) ou em ação efetiva (segundo seu nível de desenvolvimento). Um sujeito que está realizando algo materialmente, porém, segundo as instruções ou o modelo para ser copiado, dado por outro, não é, habitualmente, um sujeito inteligente. (Ferreiro e Teberosky, 1985, p.29).
A interação é compreendida como o mecanismo que possibilita a construção do conhecimento a partir das trocas efetivadas entre sujeito e meio. As estruturas mentais, passo a passo construídas, precisam das provocações do meio, ao mesmo tempo, que dependem das possibilidades de resposta, de relação do sujeito frente a esses desafios.
<!--[if !supportLists]-->1.3 <!--[endif]-->– Na visão de Howard Gardner
A teoria de Gardner valoriza o ser humano por inteiro e propõe a existência de um aspecto de inteligências que comandam a mente humana.
De acordo sua teoria, estas seriam nossas sete inteligências: Lógico-matemática, Lingüística, Espacial, Físico-cinestésica, Interpessoal e Musical. Atualmente, Gardner admite a existência de uma oitava inteligência, a naturalista, que seria a capacidade de reconhecer objetos da natureza.
Acredita-se que Gardner não aprofundou seus estudos. Houve apenas um espraiamento horizontal. Apesar disso, ele reconhece que a discussão em torno da teoria trouxe alertas importantes para quem trabalha com a educação.
A escola deve considerar as pessoas inteiras e valorizar outras formas de demonstração de competências além dos tradicionais eixos lingüístico e lógico-matemático. E para que as diversas inteligências sejam desenvolvidas, a criança tem de ser mais que umamera executora de tarefas. É preciso que ela seja levada a resolver problemas.


2. O sistema alfabético e ortográfico
Esse item refere-se aos sistemas formais do nosso sistema de escrita. Ele é alfabético por ter um sistema de representação dos sons da fala através das letras do alfabeto. O conhecimento desse sistema implica relacionar a escrita com a pauta sonora. Saber com que signos, escrevemos, em que ordem eles aparecem, como são grafados. Por outro lado nosso sistema é ortográfico por não conter apenas elementos da representação alfabética, mas também regras e irregularidades que têm de ser aprendidas, para que se possam representar as palavras corretamente. A sistematização das regras ortográficas ocorre durante toda a escolarização.
Poderíamos, no entanto, perguntar: o trabalho com essa dimensão garante que os alunos que os alunos sejam capazes de escrever textos e sejam bons leitores? Os conteúdos nela implicados são básicos e nucleares para realizar a aprendizagem do sistema de escrita, mas não podem garantir habilidades relativas ao domínio de outros aspectos da linguagem escrita como um todo. Afinal, aprendemos os nomes das letras e suas combinações para escrever, ler textos, e essa aprendizagem pode ser desenvolvida juntamente com as práticas de ler e escrever textos. Isto é possível, porque o professor alfabetizador é de início, aquele que lê textos e registra-os e que ajuda os alunos a elaborar. Daí, a necessidade de outras dimensões como a oralidade, a leitura e a produção de textos.


3. Perspectivas de aprendizagem
Muitas vezes utilizamos a palavra “aprender” como sinônimo de ensinar, equacionando os dois termos – aprender e ensinar mais ou menos do seguinte modo: aprendemos algo como nos foi ensinado. No entanto, se pensamos, dessa maneira, a resposta a nossa questão será fácil: “Como aprendemos a língua escrita”? Depende, podemos aprendê-la por meio de um método de ensino.
Não é evidentemente, desse modo que entendemos o verbo “aprender”. Por meio dele, estamos aqui, querendo designar como o ser humano, dadas determinadas condições se apropria do mundo, de seus objetos, de si mesmos. Vale dizer, queremos designar os mecanismos ou processos psicológicos – os procedimentos, comportamentos, capacidades e conhecimentos – que nos permitem aprender algo.
É muito comum que durante algum tempo, as crianças pensem que a grafia de uma palavra reproduz exatamente, os sons da fala, e, tendem a escrever dessa forma.
Assim, a intervenção do professor, que não considerou, no caso, o que a criança pensa sobre a escrita, será pouco produtiva e, em vez de corrigir o erro, conduzir à elaboração de noções inadequadas sobre o funcionamento da língua escrita. É por isso, então, que é muito importante, para orientar sua atuação, o docente conhecer o que e como seu aluno conhece, isto é, dominar uma teoria da aprendizagem e, nesse caso, uma teoria da aprendizagem da língua escrita.


4. A relação entre leitura e escrita
Tem sido apontada, freqüentemente, no meio clínico e educacional, uma relação entre freqüência de leitura e aprendizagem da ortografia, acreditando-se que, para escrever bem do ponto de vista das convenções ortográficas, a criança deva ler muito (Leal e Roazzi, 2000). Tendo em vista a importância que é dada às convenções que regem os sistemas alfabéticos de escrita (Abaurre, 1997), nas práticas de ensino espera-se que, com o aumento da freqüência de leitura a criança possa superar suas dificuldades em termos de ortografia. Existe até mesmo a crença de que, independentemente de exercícios de ortografia, as crianças podem aprender a escrever certo, de forma espontânea, através da leitura de livros e outros escritos (Morais, 2001). Procedimentos desta natureza parecem tomar como base a idéia de que o contato sistemático com as palavras escritas pode facilitar a apreensão da forma convencional de grafá-las, ou seja,, que pode ser um facilitador de processos de memorização das palavras ou, mais especificamente, do domínio da ortografia.
De fato para aprender a escrever ortograficamente, implica de alguma maneira, a memorização de formas gráficas de palavras (Cagliari, 1987; Lemle, 2002) principalmente daquelas cuja ortografia pode gerar dúvidas por suas características de não regularidade (Zorzi, 1998). Enquanto alguns aspectos da ortografia podem ser dominados por meio de um processo de compreensão, tendo em vista certas regularidades. Outros deverão ser memorizados, dado seu caráter de irregularidade (Morais, 2001), esta é a razão pela qual durante o processo de alfabetização procura-se muitas vezes, privilegiar as atividades de cópia e leitura de textos, até mesmo artificiais, com o objetivo de se trabalhar a fixação, ou retenção, de correspondências entre letras e sons (Rego, 1987). Também tem sido apontado que a correção ortográfica, na produção espontânea de textos depende de uma larga experiência que quem escreve, já deve ter tido como leitor (Ferreiro, 1992). Neste sentido, parece ter a interferência recíproca, ou seja, quanto mais se lê, melhor se escreve e quanto mais se escreve, melhor se lê (Kato, 1985). Entretanto, embora tal correlação possa ser comumente observada, muitas crianças em terapia de linguagem têm se mostrado que esta relação entre freqüência de escrita e domínio da ortografia não parece tão automática ou simples. É possível encontrar crianças que lêem ativamente, que gostam de ler e que mesmo assim, apresentam dificuldades em relação a escrever palavras, revelando que embora elas possam estar vendo, freqüentemente, as palavras impressas de uma determinada forma, escrevem a mesma palavra de outra maneira, fazendo substituições de letras, por exemplo. Por outro lado crianças que não têm o hábito de ler freqüentemente, memorizam a ortografia correta das palavras.


4.1. Na hora da leitura
A metodologia para as atividades de leitura requer do professor, estar atento para escolher textos completos, bem escritos e autênticos, seguidos da fonte de consulta. Não devendo ser utilizados textos fragmentados, para evitar prejuízo da compreensão e comprometimento do ensino sobre os textos, suas funções e estruturas. É necessário saber lidar com a estrutura textual (forma) e função social (uso), explicando aos alunos. Recomenda-se fazer uma leitura antecipada do texto e estabelecer reciprocidade (troca de experiências) com os alunos a partir da exploração de conhecimentos prévios (autor, fonte de publicação, como chegou às mãos dos alunos, ilustrações, assuntos e conhecimentos lingüísticos). A partir daí, revelam-se as marcas do caso em estudo: prosa, versos, blocos distintos, vocabulário, pontuação, parágrafos, estrofes, ortografia. Faz-se uma primeira leitura para que as crianças sintam o tema do texto. A segunda leitura permite limpar o texto, ou seja, é a leitura com focalização nas palavras não conhecidas pelas crianças para verificar se sabem o que significa tal palavra dentro do texto. Neste contexto, muitas vezes as crianças sabem o significado das palavras desconhecidas e ao propor essa atividade estamos contribuindo para criar o hábito de reler um trecho para garantir compreensão. No reconto do professor, ele deve utilizar-se de língua formal, evitando repetições. No reconto dos alunos, o professor ajuda as crianças a recontarem o texto buscando aproximá-los dos acontecimentos de maneira seqüencial. Finalmente, a leitura silenciosa, individual ou coletiva.
As interpretações orais e escritas extrapolam o espaço temporal, seqüencial e histórico do texto, provocando o que chamamos de inferência, ou seja, a relação que podemos estabelecer entre o tema e as situações cotidianas. A memorização do texto é garantida por meio de diferentes atividades.
O conteúdo assim organizado, significativamente, vinculado à preocupação com a sua interiorização de forma gradual, contemplando os tipos de textos, suas funções, estruturas e marcas lingüísticas, colabora para dotar o aluno de idéias e formas para se expressar mais tarde em suas produções independentes.


4.2. Na hora da escrita
A reescrita é condição principal para iniciar a formação de crianças capazes de produzir textos coerentes com a função social e estrutura textual. Presenteia o entrosamento entre pensamento enquanto lembrança (memorização); funções cognitivas (processo) e retenção (aprendizagem).
Muitas outras estratégias são necessárias para que se ocorra a aprendizagem ortográfica como: ler os textos de alguns alunos e pedir que façam comentários – situar os lugares onde as idéias estão confusas, onde faltam informações para o leitor compreender o texto, observar palavras repetidas excessivamente e que podem ser substituídas por outras. O seminário de revisão também é uma boa estratégia para favorecer a compreensão a respeito do que é revisar um texto.
A chave de revisão consiste em entregar uma lista com palavras pelo aluno que irá corrigi-las. As demais correções, como parágrafo, letra maiúscula, pontuação, concordância, serão feitas individualmente (aluno e professor).
Após a revisão, vem o momento do “passar a limpo”, dando assim um ar importante de redação final ao trabalho que vai ser exposto no mural ou ser enviado a alguém.
A avaliação é constante para prosseguirmos na tarefa de promover o aprendizado. O acompanhamento sistemático do processo de ensino/aprendizagem é detectado após cada reescrita, ao observarmos detalhadamente os progressos e dificuldades dos alunos, as observações e anotações servirão para o replanejamento de estratégias e repetição de conteúdos necessários.


5. Considerações finais
A Psicopedagogia é um campo de conhecimento e atuação em Saúde e Educação que lida com o processo de aprendizagem humana, seus padrões normais e patológicos, considerando a influência do meio, família, escola e sociedade – no seu desenvolvimento, utilizando procedimentos próprios.
Caminhar para a fundamentação teórica da prática psicopedagógica é contribuir para o fortalecimento da Psicopedagogia como área do conhecimento e de atuação.
Através desta pesquisa, decorremos sobre um assunto pertinente na educação, que é a escrita em sua sistemática, importância na construção da aprendizagem da criança e suas fases de construção. Como também apresentam as dificuldades nessa área do conhecimento e estudos de fazer intervenções para sanar tais dificuldades.
Este trabalho, por tratar de um tema abrangente, não conclui, mas cumpre sua função deixando algumas perguntas/afirmativas ou afirmações/perguntas, convidando aos Educadores e Psicopedagogos a refletirem sobre dificuldades que ocorrem no nosso cotidiano escolar.


Referências
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DIFICULDADES ORTOGRÁFICAS NO ENSINO FUNDAMENTAL

INTRODUÇÃO

As dificuldades na ortografia correta das palavras, como também analise e retenção de conhecimentos essenciais para enfrentar o processo de alfabetização, deverão ser analisados como problemas emocionais, processos de ensino inadequado, falta de maturidade da criança.
As habilidades básicas necessárias à escrita, tendo em vista a grande dificuldade encontrada pela maioria dos professores e que envolvem as crianças, deve ser vista dentro de um ambiente estimulador que ative os seus esquemas de pensamento.
Para reconhecer em uma criança a dificuldade de aprendizagem, se faz necessário primeiramente entender o que é aprendizagem e quais os fatores que nela interferem. A aprendizagem é um processo complexo que se realiza no interior do indivíduo e se manifesta em uma mudança de comportamento. Para se estabelecer se houve ou não aprendizagem é preciso que as mudanças ocorridas sejam relativamente permanentes.
Existem pelo menos sete fatores fundamentais para que tal aprendizagem se efetive. São eles: saúde física e mental, motivação, prévio domínio, maturação, inteligência, concentração ou atenção e memória. A falta de um desses pode ser a causa de insucessos e das dificuldades de aprendizagem que irão surgindo.
A partir disso pode-se entender as dificuldades encontradas pela criança no processo de alfabetização, inclusive na escrita. Cabe ao educador trabalhar também com a motivação, maturação dos alunos, bem como a metodologia, recursos e procedimentos para criar uma atmosfera agradável.
Cotidianamente, nota-se a dificuldade dos educandos na escrita correta das palavras, quando são desafiados a escrevê-las. É preciso repensar o problema de erros ortográficos.
Nesse sentido, cabe a oportunidade de refletir sobre aspectos políticos de alfabetização que incluem os usos da escrita e da leitura e, conseqüentemente, das relações entre linguagem e poder. Ao trabalhar com a ortografia, a escola cumpre um de seus valorosos papéis, que é o acesso às regras da norma culta.
Por isso, o educando precisa ser interado do caráter convencional do nosso sistema ortográfico da norma culta e, conseqüentemente, ter a possibilidade de refletir sobre as similitudes e diferenças entre a fala e a escrita.
São muitos os fatores que dificultam a compreensão do sistema ortográfico. Inúmeras grafias justificam-se apenas por razões etimológicas, ou seja, devido a sua origem. Além disso, a língua portuguesa apresenta muito mais fonemas do que as letras do alfabeto e, usa diversas letras, para representar um único som.
Diante de todos esses conceitos em relação à ortografia correta, ainda há muitas dúvidas quanto aos caminhos a serem trilhados pela escola no sentido de sanar as dificuldades que muitos alunos apresentam.


ANÁLISE TEÓRICA

É preciso pensar e analisar o problema de erros ortográficos, no contexto brasileiro. A dimensão da cultura escrita refere-se ao conhecimento oriundo da vivência dos cidadãos em uma cultura letrada. Implica conhecimentos, atitudes e valores que estão construídos na convivência com a cultura escrita como um todo, na fruição dos benefícios que ela pode trazer. Esses conhecimentos, atitudes e valores têm de ser desenvolvidos a longo prazo uma vez que os suportes da escrita se modificam e que, no decorrer da escolarização, o uso das capacidades a ela relacionadas se torna cada vez mais complexo. Assim a alfabetização implica não somente ler e escrever, mas também compreender e dominar todos os meios em que os textos são inseridos na sociedade.
Esse estudo tem como objetivo discutir e tentar elucidar esse problema que permeia o meio educacional. Nesse sentido, devemos refletir sobre aspectos políticos de alfabetização que incluem os usos da escrita e da leitura e, conseqüentemente, as relações entre linguagem e poder. Particularmente, os alunos de ambiente socioeconômico-culturais desfavorecidos – cuja fala se afasta mais da variedade culta, que a convenção ortográfica tenta representar – devem ser mais bem compreendidos pelos professores no seu desempenho lingüístico e entendimento da necessidade de se saber usar corretamente a linguagem escrita na sociedade em que fazemos parte.
Ao trabalhar com a ortografia a escola cumpre um dos seus papéis, que é dar ao aluno acesso às regras da norma culta visto que os mesmos utilizam-se da linguagem popular. O aluno deve ser efetivamente não só informado do caráter convencional do nosso sistema ortográfico, da norma culta, mas também levá-lo a refletir sobre as semelhanças, e diferenças entre a fala e a escrita. Particularmente, deverá compreender que a escrita não é uma simples transcrição da língua oral, constituindo-se – o código oral e o escrito – em formas variantes ou alternativas da mesma.
São muitos os fatores que dificultam a compreensão do sistema ortográfico. Inúmeras grafias justificam-se apenas por razões etimológicas, ou seja, devido a sua origem. Além disso, a língua apresenta muito mais fonemas do que as letras do alfabeto e usa diversas letras para representar um som.
O ensino da ortografia acontece assim que o estudante começa a entender o sistema da escrita alfabética, isto é, quando tiver aprendido o valor sonoro das letras e já puder ler e escrever pequenos textos.
Para que o aluno aprenda a ler e a escrever, é necessário que ele entenda o para quê e o porquê de fazer isso. O início do aprendizado da escrita, como também da leitura, define-se na compreensão dos usos e valores da escrita e da leitura em sociedade. O verdadeiro leitor e escritor que exerce a leitura e a escrita, sabe por que o faz, escolhe o que quer ler e escrever e estabelece destinatários para as suas produções.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Um educador não pode subestimar a criança, deve proporcionar um meio cultural de experiências enriquecidas, no qual possa desenvolver plenamente suas capacidades. O que é preciso entender é que dificuldades de aprendizagem todas as pessoas têm, e por muitas razões e causas, e as mesmas aparecem em função do que se tem para fazer.
PIAGET (1986) afirma que: “A linguagem, transmite ao indivíduo, um sistema que contém noções, classificações, relações e conceitos produzidos pelas gerações anteriores. Mas a criança utiliza este sistema, seguindo sua própria estrutura intelectual. Se não tiver ainda construída a operação de classificação, uma palavra relativa a um conceito geral, será apropriada na forma de um preconceito, semi-individual e semi-socializado”.
Uma vez construída a operação de classificação e de seu sistema de inclusão, novas possibilidades se abrem para o sujeito que é capaz de fazer deduções e inferências, de forma cada vez mais autônoma, ou seja, sem que precise ser “ensinado” a cada nova etapa do processo ensino-aprendizagem.
Problemas de aprendizagem sempre existirão, e isso é maravilhoso porque, por trás do erro de um aluno, está a oportunidade de descobrir como ele organiza o seu pensamento. O erro proporciona vida dentro de uma sala de aula, pois alguns alunos, aqueles que erram, pensam diferente dos demais, e isto é ótimo, pois proporciona uma riqueza cognitiva à disposição do professor.
Aquele aluno que decora não aprende com o real significado, mas aquele que erra mostra-nos que está pensando, elaborando o seu conhecimento, construindo o seu saber. O professor precisa, ao defrontar com os erros de seus alunos, questionarem o porquê daquela resposta, e então começará a entender como eles pensam. Cabe a ele, criar situações de ensino, complementares, para ajudar ao aluno com mais dificuldades a vencer o que já foi superado pela maioria dos colegas, sentindo-se assistido pelo professor e em momento algum excluído ou criticado.
Se o professor e seus alunos conseguirem estabelecer, em sua sala, uma atmosfera de respeito mútuo, pode-se dizer que, de fato, a interação social do grupo é não só formativa, como também constitutiva, de um novo saber e de uma nova forma de relacionamento interpessoal.
Todas as crianças, independentes de quaisquer atributos usados para defini-las, possuem condições para, por si mesmas, progredirem do ponto de vista do conhecimento. Cabe ao educador, proporcionar um ambiente rico e desafiador, compreendendo que o processo de aprendizagem baseia-se na ação do sujeito, inicialmente, as ações concretas sobre objetos concretos respondem pela constituição dos esquemas, e no último estágio, as ações abstratas (da escrita) sobre objetos abstratos respondem pela constituição dos conceitos.
Em outras palavras, a criança terá mais tempo para organizar suas idéias para refletir criticamente sobre seus erros e acertos. Diante disso, é necessário criar oportunidades para que a criança possa refletir sobre as dificuldades ortográficas de nossa língua.
VYGOTSKY (1996) afirma que não é somente através da aquisição da linguagem falada, que o indivíduo adquire formas mais complexas de se relacionar com o mundo que o cerca. O aprendizado da linguagem escrita representa novo e considerável salto no desenvolvimento da pessoa.
Partindo desse pressuposto, ele faz importantes críticas à visão, presente na Psicologia quanto na Pedagogia, que considera o aprendizado da escrita como apenas habilidade motora.

“Ensina-se as crianças a desenhar letras e construir palavras com elas, mas não se ensina a linguagem escrita. Enfatiza-se de tal forma a mecânica de ler que está escrito, que se acaba obscurecendo a linguagem escrita como tal. (VYGOTSKY, 1988, p. 119)”

Segundo a fala de Vygotsky entendemos que esse o letramento de que tanto se fala atualmente em congressos e artigos relacionados à alfabetização.
O problema da qualidade de ensino tem se apresentado com enorme freqüência nos debates a respeito da educação brasileira. Dele falam diariamente os jornais, os debates televisivos, os políticos, os programas de intervenção dos governos das esferas federal, estadual e municipal. Igualmente a questão da qualidade vem se apresentando como tema principal em grande número de encontros, seminários e congressos promovidos por entidades educacionais, sindicais e empresariais.
Setores significativos da sociedade brasileira parecem estar atentos ao fato de que a Educação é uma exigência social, política e econômica do mundo atual. Quase todos os setores organizados opinam sobre a importância da Educação e, como conseqüência, elaboram teorias explicativas a respeito do fracasso da Educação Fundamental, expresso nos números catastróficos de baixa qualidade do produto final: o aluno ao término do seu percurso escolar.
Diversifica-se, em função da fonte que acusa a identidade dos responsáveis pelos problemas educacionais do país: os governantes, a formação dos professores, as famílias, os próprios alunos, a miséria social. As soluções apontadas multiplicam as responsabilidades, já que coloca, no mesmo plano, a necessidade de mais verbas, melhores salários, infra-estrutura adequada nas salas de aula, capacitação dos professores, descentralização, autonomia das escolas, democratização dos processos educacionais, reforma curricular, ampliação do tempo de permanência dos alunos nas escolas, revisão das formas de avaliação, e outros menos citados.
Diante do quadro tão sucintamente exposto acima devemos fazer um esforço, no interior de nossas escolas, para discutir a importância da educação escolar para nossos alunos em sua vida cotidiana, em sua visão de realidade, em sua apreensão dos valores culturais, em sua formação como cidadãos. Enfatizando ainda que, a norma culta ainda é um fator importante de ascensão social.
O desafio parece simples. Mas vamos lembrar: a possibilidade de resolvermos uma questão complexa depende com freqüência, de nossa capacidade de encontrar um ponto simples por onde começar. Vale a pena tentar.
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Histórico de Fröebel, Pestalozzi, Rousseau

Fröebel

                                                                                                                           
Viveu na Rússia de 1782 a 1852, sendo destacado como o fundador de Jardins de Infância, enfatizando o amor à natureza e à criança no processo educacional.
Trabalhou com Pestalozzi por alguns anos, depois, em 1837, abriu o primeiro Jardim de Infância e continuou durante toda a sua vida a criar estes educandários, à elaboração de métodos e equipamentos para eles e à formação de professores.
Formalizou os seus próprios princípios educacionais, sendo totalmente independente e crítico, embora tenha recebido influência de Pestalozzi. Para ele a educação é um processo pelo qual o homem, autoconsciente, desenvolve-se com todos os poderes, funcionando harmoniosa e completamente, tanto em relação à sociedade como à natureza.
A doutrina de Fröebel foi a da “Parte-Todo” ou da unidade, a qual considera o homem como uma unidade, que para atuar exige a integração dos órgãos sensoriais, dos músculos, dos nervos com a vontade, raciocínio, percepção e memória, mas a mesma unidade, cada objeto do Universo, é parte de algo mais geral.
O desenvolvimento, para Fröebel, ocorre em fases que são a infância, a meninice, a puberdade, a mocidade e a maturidade. Para ele todas possuem a mesma importância.
        - No Jardim de Infância, por ele criado, o professor era considerado um jardineiro e as crianças plantinhas de um jardim. As atividades de linguagem, de percepção sensorial e de brinquedo seriam as formas da criança expressar-se, enquanto a linguagem oral estaria associada à vida e à natureza. Para ele, os ritmos e o movimento eram muito importantes, por isto, deu importância ao desenho e à atividade lúdica - o brinquedo.
A preparação para ter uma vontade firme e a instrução eram enfatizadas no período da meninice, que se estende dos seis aos dez anos.
Valorizou, também, a família, como fez Pestalozzi, cuja função abordaria os planos biológico, religioso, educacional e social. Captou, sendo neste aspecto o primeiro, o significado da família nas relações humanas. Constatou, inclusive, o valor dos símbolos para as crianças e, por isto, ressaltou o simbolismo. Para integrar o crescimento dos aspectos moral, mental e físico, o principal meio é a atividade construtiva. Afirmou, ainda, que a base para os currículos das escolas deve ser os interesses e as atividades em cada fase da vida da criança.
 Pestalozzi
Pestalozzi nasceu em Zurique (Suíça). Acreditava que a educação poderia aperfeiçoar o indivíduo e a sociedade.
Decidiu ser mestre-escola para colocar em prática suas idéias. Entendia que o lar era a melhor instituição para a educação e a instituição escolar deveria se aproximar dela para a formação humana, abrangendo a moral, a política e a religião. No seu método, mestres e alunos permaneciam juntos o dia inteiro, das 8 às 17 horas, desenvolvendo as mais variadas atividades, de maneira flexível, como aulas, refeições, banhos e brinquedos. Em duas tardes por semana os alunos faziam excursões ou ficavam livres. Dividia as crianças em faixas etárias, sendo uma até oito anos, outra de oito a doze anos, e uma terceira de onze a dezoito anos. Não admitia e até condenava as punições, as recompensas e as correções.
Privilegiou os aspectos psicológicos da educação, revolucionando a disciplina, baseando-a na cooperação entre os professores e alunos, e, também, impulsionou a formação de professores.
 Rousseau
Nasceu em Genebra (Suíça), iniciando uma nova forma de entender as crianças, que até sua época eram vistas como adultos em miniatura. Para ele a criança precisava receber um tratamento diferente, específico, possuindo ela, também, características próprias, interesses, idéias e até vestimentas diferentes dos adultos. O verdadeiro objetivo da educação, para Rosseau, era o de ensinar a criança a aprender e a viver em liberdade, a valorização do indivíduo.

Redimensionou a educação infantil, afirmando que não se deveria moldar o espírito das crianças de acordo com um modelo estabelecido, vendo na educação a expressão livre da criança no seu contato com a natureza, mostrando que ela é capaz de agir por si mesma. Condenou o uso excessivo da memória e da severidade da instrução, criticando estas duas práticas na escola da sua época.

Propôs à criança o brinquedo e os esportes. Através da agricultura a criança aprenderia a utilizar os instrumentos como a pá, bem como a contar, a pensar, a comparar e a medir. Sugeriu atividades relacionadas com a vida para aprender e desenvolver a geometria, a aritmética, o canto e a linguagem.

Dessa forma, estes princípios educacionais ainda hoje permanecem sendo enfatizados na educação.