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DIFICULDADES ORTOGRÁFICAS NO ENSINO FUNDAMENTAL

INTRODUÇÃO

As dificuldades na ortografia correta das palavras, como também analise e retenção de conhecimentos essenciais para enfrentar o processo de alfabetização, deverão ser analisados como problemas emocionais, processos de ensino inadequado, falta de maturidade da criança.
As habilidades básicas necessárias à escrita, tendo em vista a grande dificuldade encontrada pela maioria dos professores e que envolvem as crianças, deve ser vista dentro de um ambiente estimulador que ative os seus esquemas de pensamento.
Para reconhecer em uma criança a dificuldade de aprendizagem, se faz necessário primeiramente entender o que é aprendizagem e quais os fatores que nela interferem. A aprendizagem é um processo complexo que se realiza no interior do indivíduo e se manifesta em uma mudança de comportamento. Para se estabelecer se houve ou não aprendizagem é preciso que as mudanças ocorridas sejam relativamente permanentes.
Existem pelo menos sete fatores fundamentais para que tal aprendizagem se efetive. São eles: saúde física e mental, motivação, prévio domínio, maturação, inteligência, concentração ou atenção e memória. A falta de um desses pode ser a causa de insucessos e das dificuldades de aprendizagem que irão surgindo.
A partir disso pode-se entender as dificuldades encontradas pela criança no processo de alfabetização, inclusive na escrita. Cabe ao educador trabalhar também com a motivação, maturação dos alunos, bem como a metodologia, recursos e procedimentos para criar uma atmosfera agradável.
Cotidianamente, nota-se a dificuldade dos educandos na escrita correta das palavras, quando são desafiados a escrevê-las. É preciso repensar o problema de erros ortográficos.
Nesse sentido, cabe a oportunidade de refletir sobre aspectos políticos de alfabetização que incluem os usos da escrita e da leitura e, conseqüentemente, das relações entre linguagem e poder. Ao trabalhar com a ortografia, a escola cumpre um de seus valorosos papéis, que é o acesso às regras da norma culta.
Por isso, o educando precisa ser interado do caráter convencional do nosso sistema ortográfico da norma culta e, conseqüentemente, ter a possibilidade de refletir sobre as similitudes e diferenças entre a fala e a escrita.
São muitos os fatores que dificultam a compreensão do sistema ortográfico. Inúmeras grafias justificam-se apenas por razões etimológicas, ou seja, devido a sua origem. Além disso, a língua portuguesa apresenta muito mais fonemas do que as letras do alfabeto e, usa diversas letras, para representar um único som.
Diante de todos esses conceitos em relação à ortografia correta, ainda há muitas dúvidas quanto aos caminhos a serem trilhados pela escola no sentido de sanar as dificuldades que muitos alunos apresentam.


ANÁLISE TEÓRICA

É preciso pensar e analisar o problema de erros ortográficos, no contexto brasileiro. A dimensão da cultura escrita refere-se ao conhecimento oriundo da vivência dos cidadãos em uma cultura letrada. Implica conhecimentos, atitudes e valores que estão construídos na convivência com a cultura escrita como um todo, na fruição dos benefícios que ela pode trazer. Esses conhecimentos, atitudes e valores têm de ser desenvolvidos a longo prazo uma vez que os suportes da escrita se modificam e que, no decorrer da escolarização, o uso das capacidades a ela relacionadas se torna cada vez mais complexo. Assim a alfabetização implica não somente ler e escrever, mas também compreender e dominar todos os meios em que os textos são inseridos na sociedade.
Esse estudo tem como objetivo discutir e tentar elucidar esse problema que permeia o meio educacional. Nesse sentido, devemos refletir sobre aspectos políticos de alfabetização que incluem os usos da escrita e da leitura e, conseqüentemente, as relações entre linguagem e poder. Particularmente, os alunos de ambiente socioeconômico-culturais desfavorecidos – cuja fala se afasta mais da variedade culta, que a convenção ortográfica tenta representar – devem ser mais bem compreendidos pelos professores no seu desempenho lingüístico e entendimento da necessidade de se saber usar corretamente a linguagem escrita na sociedade em que fazemos parte.
Ao trabalhar com a ortografia a escola cumpre um dos seus papéis, que é dar ao aluno acesso às regras da norma culta visto que os mesmos utilizam-se da linguagem popular. O aluno deve ser efetivamente não só informado do caráter convencional do nosso sistema ortográfico, da norma culta, mas também levá-lo a refletir sobre as semelhanças, e diferenças entre a fala e a escrita. Particularmente, deverá compreender que a escrita não é uma simples transcrição da língua oral, constituindo-se – o código oral e o escrito – em formas variantes ou alternativas da mesma.
São muitos os fatores que dificultam a compreensão do sistema ortográfico. Inúmeras grafias justificam-se apenas por razões etimológicas, ou seja, devido a sua origem. Além disso, a língua apresenta muito mais fonemas do que as letras do alfabeto e usa diversas letras para representar um som.
O ensino da ortografia acontece assim que o estudante começa a entender o sistema da escrita alfabética, isto é, quando tiver aprendido o valor sonoro das letras e já puder ler e escrever pequenos textos.
Para que o aluno aprenda a ler e a escrever, é necessário que ele entenda o para quê e o porquê de fazer isso. O início do aprendizado da escrita, como também da leitura, define-se na compreensão dos usos e valores da escrita e da leitura em sociedade. O verdadeiro leitor e escritor que exerce a leitura e a escrita, sabe por que o faz, escolhe o que quer ler e escrever e estabelece destinatários para as suas produções.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Um educador não pode subestimar a criança, deve proporcionar um meio cultural de experiências enriquecidas, no qual possa desenvolver plenamente suas capacidades. O que é preciso entender é que dificuldades de aprendizagem todas as pessoas têm, e por muitas razões e causas, e as mesmas aparecem em função do que se tem para fazer.
PIAGET (1986) afirma que: “A linguagem, transmite ao indivíduo, um sistema que contém noções, classificações, relações e conceitos produzidos pelas gerações anteriores. Mas a criança utiliza este sistema, seguindo sua própria estrutura intelectual. Se não tiver ainda construída a operação de classificação, uma palavra relativa a um conceito geral, será apropriada na forma de um preconceito, semi-individual e semi-socializado”.
Uma vez construída a operação de classificação e de seu sistema de inclusão, novas possibilidades se abrem para o sujeito que é capaz de fazer deduções e inferências, de forma cada vez mais autônoma, ou seja, sem que precise ser “ensinado” a cada nova etapa do processo ensino-aprendizagem.
Problemas de aprendizagem sempre existirão, e isso é maravilhoso porque, por trás do erro de um aluno, está a oportunidade de descobrir como ele organiza o seu pensamento. O erro proporciona vida dentro de uma sala de aula, pois alguns alunos, aqueles que erram, pensam diferente dos demais, e isto é ótimo, pois proporciona uma riqueza cognitiva à disposição do professor.
Aquele aluno que decora não aprende com o real significado, mas aquele que erra mostra-nos que está pensando, elaborando o seu conhecimento, construindo o seu saber. O professor precisa, ao defrontar com os erros de seus alunos, questionarem o porquê daquela resposta, e então começará a entender como eles pensam. Cabe a ele, criar situações de ensino, complementares, para ajudar ao aluno com mais dificuldades a vencer o que já foi superado pela maioria dos colegas, sentindo-se assistido pelo professor e em momento algum excluído ou criticado.
Se o professor e seus alunos conseguirem estabelecer, em sua sala, uma atmosfera de respeito mútuo, pode-se dizer que, de fato, a interação social do grupo é não só formativa, como também constitutiva, de um novo saber e de uma nova forma de relacionamento interpessoal.
Todas as crianças, independentes de quaisquer atributos usados para defini-las, possuem condições para, por si mesmas, progredirem do ponto de vista do conhecimento. Cabe ao educador, proporcionar um ambiente rico e desafiador, compreendendo que o processo de aprendizagem baseia-se na ação do sujeito, inicialmente, as ações concretas sobre objetos concretos respondem pela constituição dos esquemas, e no último estágio, as ações abstratas (da escrita) sobre objetos abstratos respondem pela constituição dos conceitos.
Em outras palavras, a criança terá mais tempo para organizar suas idéias para refletir criticamente sobre seus erros e acertos. Diante disso, é necessário criar oportunidades para que a criança possa refletir sobre as dificuldades ortográficas de nossa língua.
VYGOTSKY (1996) afirma que não é somente através da aquisição da linguagem falada, que o indivíduo adquire formas mais complexas de se relacionar com o mundo que o cerca. O aprendizado da linguagem escrita representa novo e considerável salto no desenvolvimento da pessoa.
Partindo desse pressuposto, ele faz importantes críticas à visão, presente na Psicologia quanto na Pedagogia, que considera o aprendizado da escrita como apenas habilidade motora.

“Ensina-se as crianças a desenhar letras e construir palavras com elas, mas não se ensina a linguagem escrita. Enfatiza-se de tal forma a mecânica de ler que está escrito, que se acaba obscurecendo a linguagem escrita como tal. (VYGOTSKY, 1988, p. 119)”

Segundo a fala de Vygotsky entendemos que esse o letramento de que tanto se fala atualmente em congressos e artigos relacionados à alfabetização.
O problema da qualidade de ensino tem se apresentado com enorme freqüência nos debates a respeito da educação brasileira. Dele falam diariamente os jornais, os debates televisivos, os políticos, os programas de intervenção dos governos das esferas federal, estadual e municipal. Igualmente a questão da qualidade vem se apresentando como tema principal em grande número de encontros, seminários e congressos promovidos por entidades educacionais, sindicais e empresariais.
Setores significativos da sociedade brasileira parecem estar atentos ao fato de que a Educação é uma exigência social, política e econômica do mundo atual. Quase todos os setores organizados opinam sobre a importância da Educação e, como conseqüência, elaboram teorias explicativas a respeito do fracasso da Educação Fundamental, expresso nos números catastróficos de baixa qualidade do produto final: o aluno ao término do seu percurso escolar.
Diversifica-se, em função da fonte que acusa a identidade dos responsáveis pelos problemas educacionais do país: os governantes, a formação dos professores, as famílias, os próprios alunos, a miséria social. As soluções apontadas multiplicam as responsabilidades, já que coloca, no mesmo plano, a necessidade de mais verbas, melhores salários, infra-estrutura adequada nas salas de aula, capacitação dos professores, descentralização, autonomia das escolas, democratização dos processos educacionais, reforma curricular, ampliação do tempo de permanência dos alunos nas escolas, revisão das formas de avaliação, e outros menos citados.
Diante do quadro tão sucintamente exposto acima devemos fazer um esforço, no interior de nossas escolas, para discutir a importância da educação escolar para nossos alunos em sua vida cotidiana, em sua visão de realidade, em sua apreensão dos valores culturais, em sua formação como cidadãos. Enfatizando ainda que, a norma culta ainda é um fator importante de ascensão social.
O desafio parece simples. Mas vamos lembrar: a possibilidade de resolvermos uma questão complexa depende com freqüência, de nossa capacidade de encontrar um ponto simples por onde começar. Vale a pena tentar.

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