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Filosofia: aprofunde mais seus conhecimentos

FONTE DE PESQUISA :   http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/filosofia.htm


O que é a filosofia?


reprodução
Olhos sempre despertos, a coruja é o símbolo da filosofia
A filosofia surge na Grécia Antiga como uma atividade especial do homem sábio, o amigo do saber (filo + sophia = amor à sabedoria). Desde então inúmeras foram as tentativas de definir exatamente o que procura e o que faz um filósofo. Todos reconhecem a sua importância e a imensa utilidade, são porém imprecisos e divergem em relação a determinar qual a sua verdadeira ciência. Aristóteles, discípulo de Platão e fundador do Liceu, uma escola voltada para o saber e a ciência que ele instalou em Atenas no século IV a.C., fez uma das mais claras exposições sobre as qualidades da filosofia.  


tela de Rembrandt
Aristóteles contemplando o busto de Homero
A principal característica que Aristóteles vê num filósofo é que ele não é um especialista. O sophós, o sábio, é um conhecedor de todas as coisas sem possuir uma ciência específica. O seu olhar derrama-se pelo mundo, sua curiosidade insaciável o faz investigar tanto os mistérios do cosmo e da physis, a natureza, como as que dizem respeito ao homem e à sociedade. No fundo, o filósofo é um desvelador, alguém que afasta o véu daquilo que está a encobrir os nossos olhos e procura mostrar os objetos na sua forma e posição original, agindo como alguém que encontra uma estátua jogada no fundo do mar coberta de musgo e algas, e gradativamente, afastando-as uma a uma, vem a revelar-nos a sua bela forma e esplendor (a verdade entre os gregos está associada ao belo).  


pintura de Rafael
Heráclito, dito o obscuro
O que distingue o sábio é que ele tem o conhecimento das coisas mais difíceis. Entender que o fogo queima ou que a chuva molha é algo comum a qualquer um pois sentir, ter sensações, é algo universal entre os homens, mas possuir as noções mais exatas das causas últimas e ser capaz de dar conta delas, transmitindo-as pelo ensino, esse sim é um apanágio, uma virtude do homem sábio. Ele também se distingue do teólogo na medida em que o seu objetivo e atingir a verdade e não forjar um dogma (algo que não se pode discutir ou questionar).  
Em seguida, em decorrência lógica do que foi dito, a filosofia para Aristóteles é, por assim dizer, a mãe de todas as ciências, porque ninguém impõe critérios a ela. Ao contrário, se existem regras, se existem parâmetros para chegar a algo específico, é a filosofia quem os estabelece, pois é do dedutivo, do geral, que partem as linhas orientadoras que guiam a mente do homem em direção a um determinado conhecimento.






As coisas mais difíceis de se saber
Afinal quais são essas coisas mais difíceis de se conhecer? São as que têm valor universal, as que estão mais afastadas dos sentidos e que dependem mais da mente e não das sensações: são as ciências dos princípios. Estas, por sua vez, são mais exatas quanto menores forem os princípios em que se apoiam, e, ao contrário, são menos exatas se resultam de múltiplos princípios. Por isso a aritmética é mais rigorosa do que a geometria.
 
A ciência que estuda as causas dos fatos particulares é a mais apta ao ensino. Exatamente por isso, por dominar os princípios e as causas de todas as coisas possíveis de serem entendidas, é que a filosofia é uma ciência especulativa, que trabalha com categorias abstratas, mas que obedecem a um lógica extremamente rigorosa a qual somente o homem sábio domina.
 


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É a admiração pelo cosmo que faz o filósofo
O que leva afinal um homem à filosofia? Para Aristóteles é a admiração. Desde que dotado para tanto, o homem impressionado pelo mundo que o circunda, pela variedade e diversidade das coisas que lhe são próximas, e mesmo as que se encontram bem distantes, tenta explicá-las com o recurso da razão. É esta inclinação dele para o maravilhoso que explica o fascínio que os mitos exercem sobre ele, porque nada existe de mais fantástico. Neste seu afã ele não busca nenhuma utilidade, a filosofia é uma arte desinteressada. Ao contrário da geometria (medir a terra), ela não se move por nenhuma utilidade, porque a filosofia é um fim em si mesmo, é a busca de uma auto-satisfação que apenas diz respeito ao sábio, que acima de tudo é um desinteressado das coisas práticas, dos dinheiros e dos confortos.


Bibliografia

Aristóteles - Obras (Aguilar, Madri, 1973)
Platão - Obras completas (Aguilar, Madri, 1974)

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