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Qual é realmente o papel do psicólogo?

O Papel do Psicólogo


Arromba, G., Miranda, I., Pereira, M., Figueiredo, N., Campos. N. (2007)

Talvez pelo destaque e pelo foco que a comunicação social tem dado à psicologia na discussão de diversos temas públicos, e pela sua aplicação a um número crescente de áreas (saúde, desporto, justiça, educação, etc.), têm surgido dúvidas e dificuldades sobre a especificidade, os domínios e os limites da psicologia. Mas afinal o que faz um psicólogo, para que serve, e em que áreas pode ajudar?

Áreas de Intervenção

A Psicologia tem várias áreas de intervenção. De modo global, entre as principais contam-se a Psicologia Educacional, a Psicologia Social, e a Psicologia Clínica. As funções dos psicólogos variam consoante o campo de intervenção:

Essencialmente, os psicólogos clínicos interpretam, explicam e intervêm sobre as queixas das pessoas, com base em conhecimentos teóricos e científicos. No geral, analisam os comportamentos, as atitudes, a dinâmica afectiva e relacional. das pessoas, e a evolução das suas representações internas e externas. Estas análises têm como objectivo proceder a intervenções que favoreçam o desenvolvimento dos indivíduos no sentido da sua satisfação e equilíbrio pessoais. Os psicólogos clínicos, podem efectuar diagnósticos de problemas emocionais ou perturbações de personalidade e, a partir da avaliação do estado psicológico do indivíduo, indicar e/ou realizar terapias individuais ou de grupo.

Os psicólogos que trabalham na área educacional actuam em vários domínios do sistema educativo e seus intervenientes: escola, família, autarquias, comunidade, etc. Ainda neste âmbito, actuam com o objectivo de tornar o processo de aprendizagem mais efectivo e significativo para o educando, principalmente no que diz respeito à motivação às dificuldades de aprendizagem.
Ao nível da psicologia social, quando trabalham no departamento de recursos humanos de uma empresa, são responsáveis pelo recrutamento, selecção e avaliação do pessoal, bem como pela elaboração de programas de formação que visem o desenvolvimento das competências dos indivíduos, e da organização.

Mitos e Realidades sobre o Psicólogo Clínico

“Ir ao psicólogo? Acho que aquilo é só conversar…”

Algumas pessoas têm a ideia de que ir ao psicólogo irá ser apenas uma conversa infrutífera, banal, que só serve para desabafar, e sem resultados práticos. Mas isto está longe de ser a realidade. A relação entre o psicólogo e a pessoa que o procura é mais do que uma “conversa de café”. O psicólogo preocupa-se e interessa-se pelo problema ou a queixa que a pessoa tem, no sentido de o compreender e avaliar. É com base na ciência psicológica que “olha” para o interior da pessoa, que consegue desempenhar esse trabalho, e não por qualquer tipo de preconceitos ou juízos de valor.

“Mas o que é que ele faz?… O psicólogo é só para malucos!”

Falso! Será até difícil definir o que é um “maluco”. O psicólogo recebe pessoas e não doenças. O que acontece é que essas pessoas podem trazer o mais variado tipo de sintomas e problemas (luto, tristeza, angústia, ansiedade, etc.). Acima de tudo, o psicólogo serve de meio auxiliar ao restabelecimento do equilíbrio emocional da pessoa. O objectivo é, em conjunto com a pessoa, ajudar a encontrar a melhor solução e a forma de lidar, ou resolver, o seu problema. Para isso, aborda o interior psicológico da pessoa. Noutros casos, nomeadamente quando não se identifica um verdadeiro problema, o psicólogo promove o crescimento emocional e a adaptação a situações de vida. Acima de tudo, fornece uma visão externa sobre a realidade psicológica que a pessoa vive, e é nesse contexto que pode ajudar.

“Os psicólogos não receitam medicamentos, por isso vou ao médico, ou talvez ao psiquiatra”
A Psiquiatria é o ramo da medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais, tais como depressão, doença bipolar, esquizofrenia. Dada a sua abordagem predominantemente biológica, muitas vezes o psiquiatra receita medicação de modo a remover os sintomas manifestados. Contudo, nem sempre o problema fica resolvido, podendo apenas ficar mascarado ou latente e, mais tarde, voltarem a aparecer os mesmos ou outros sintomas. É nesse contexto que a Psicologia actua e complementa a Psiquiatria, uma vez que aborda a raiz dos problemas e resolve-os profundamente na abordagem psicológica e na relação com a pessoa. No entanto, existem ainda outras problemáticas em que a intervenção psicológica desempenha um papel fundamental.

“Os psicólogos põem as crianças a ler e escrever melhor? Acabam com as dificuldades de aprendizagem?”

Directamente, não. Devemos perceber que as dificuldades de aprendizagem derivam, no geral, de dois factores: dificuldades intelectuais ou perturbação emocional. No primeiro caso, o psicólogo não desempenha o mesmo papel do professor. Pode avaliar a situação e, caso tenha formação especifica dentro da área educacional, adoptar estratégias adequadas ao nível e às dificuldades da criança, de maneira a maximizar o aproveitamento escolar. Nos casos em que uma perturbação emocional está a influenciar directamente o desempenho e a disponibilidade da criança para a aprendizagem, em conjunto com a criança, o psicólogo tem a missão de perceber o problema dela e de como podem resolver as dificuldades psicológicas. Neste caso, o psicólogo possibilita a optimização das aprendizagens escolares indirectamente, ao ajudar a resolver os problemas emocionais.

Não se esqueça:

Apesar de os psicólogos poderem desempenhar diferentes funções, existem procedimentos de trabalho comuns: de um modo geral, os psicólogos partem de um diagnóstico da situação ou problema que o paciente/cliente/organização/jogador apresenta, para passar posteriormente à elaboração de um plano de intervenção. Após efectuarem a intervenção, procedem à avaliação dos resultados.
Nos últimos anos, a prática e o exercício da psicologia têm vindo a conhecer uma enorme expansão na nossa sociedade, abrangendo várias áreas de intervenção. Os serviços e a utilidade dos psicólogos são cada vez mais reconhecidos quer por outras ciências, quer pela própria população em geral. De facto, o alvo da Psicologia são as pessoas.

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