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Tabuada cantada


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Alfabetização


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Como trabalhar com a Psicomotricidade na escola

ORIENTAÇÕES AOS PROFESSORES: COMO SUPERAR AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM


    O aluno que apresenta comprometimento nas áreas de desenvolvimento, apresenta dificuldades de aprendizagem, necessitando de um atendimento educacional adequado, visando garantir o seu desenvolvimento integral.
    Indicamos, a seguir, áreas do desenvolvimento humano, a serem trabalhadas em crianças com dificuldades de aprendizagem.

ÁREAS PSICOMOTORAS
1) PSICOMOTRICIDADE
    Entende-se por psicomotricidade a integração das funções motoras e mentais, comandadas pelo Sistema Nervoso Central.
    A psicomotricidade destaca a conexão íntima dos aspectos afetivos com a motricidade, com o simbólico e com o cognitivo.
    Segundo Piaget, a realização do movimento leva à assimilição, pois favorece a formação das imagens mentais (Pensamento Simbólico), que serão utilizadas quando do ingresso no processo de alfabetização.
    O desenvolvimento psicomotor abrange os itens didaticamente distintos:
A) Imagem e esquema corporal: O esquema corporal desempenha um papel fundamental no aprendizado da leitura e escrita. O aluno poderá apresentar problemas na sua percepção espaço-temporal que caracteriza dificuldades tais como: confundir letras ( b-d, p-q, n-u) e até mesmo sílabas nas palavras ( cabelo-calobe), ou ainda apresentar-se desajeitado, descoordenado, lento e com letra feia. Podendo apresentar também problemas de comportamento tais como mau humor, agressividade, apatia, que são na realidade, reações negativas de suas inseguranças.

Sugestões de conteúdos:
* Consciência e educação da respiração: Podem ser explorados todos os tipos de exercícios respiratórios onde envolvam inspiração, expiração, ritmos, esforço, movimento.
 * Conhecimento e consciência das diferentes partes do corpo:  Podem ser explorados exercícios que envolvam o corpo nas mais diferentes posições ( sentado, deitado, em pé, de joelho, encostado na parede.....).
   Trabalhar também exercícios que envolvam segmentos corporais, tais como, exercícios orofaciais (olho, boca e rosto), cabeça, tronco, eixo corporal e membros, e exercícios que envolvam a relação da criança com os objetos, com o mundo e com o outro.      
  • Realizar atividades de:
  •  Sonorização: explorar sons diversos: música, cantiga, sons ambientais, corporais....
  • Sensibilidade: explorar o toque, sempre usando objetos intermediários ( bola, tecido de diferentes texturas, algodão, lenço perfumado, talco, perfumes,......)
  • Espelhamento:  exercício frente ao outro, onde a criança imita o movimento.
  • Liberação da agressividade:  explorar objetos de bater, chutar, estourar.....



B)    Lateralidade:  É o estabelecimento da dominância  lateral de mão, pé e olho.
Uma lateralidade bem definida assegura à criança maior facilidade de aprender as posições à direita e a esquerda em relação a seu corpo  e da comparação dos objetos entre si.
A aquisição deste conceito, para a aprendizagem  da leitura e escrita é de fundamental importância. A falta dele implica em confusão na orientação espacial, podendo apresentar dificuldades tais como: 
    - trocas de letras (p-q, d-b) e em palavras ( pueijo-queijo, bola-dola);
    - escrita em espelho ( 5-2, 36-63, casa-saca, 7-f, E-3.....)

Sugestões de atividades.
Desenvolver  conceitos básico de direita e esquerda.
Explorar todos os tipos de exercícios que:
    - envolvam deslocamento para direita e esquerda, ( rolar, andar, correr....)
    - movimento de cabeça, braço, perna, tronco, para a direita e esquerda;
    - relaxamento dos lados direito e esquerdo do corpo;
    - explorar texturas em um lado do corpo, depois do outro;
    - pegar, chutar, jogar bola de um lado e depois do outro, com um lado do corpo, depois com o outro;

C)    Estruturação e organização temporal:  É a tomada de consciência da sucessão e periodicidade dos acontecimentos, bem como de caráter irreversível do tempo.
    Na orientação temporal dedicamos atenção especial ao “ritmo”, que auxilia a apreensão de sucessão temporal em termos de duração e intervalo. A atividade rítmica desempenha papel fundamental na edificação intelectual e na maturidade das atividades motoras sincronizadas.
    Quando o aluno apresenta dificuldade na orientação temporal geralmente está associada às dificuldades  nas estruturas espaciais, refletindo a nível pedagógico, nas dificuldades de ordenação das letras, silabas e reconstituição de frases, podendo acarretar sérios fracassos na matemática, pois a para a realização do cálculo o aluno necessita de pontos de referência, tais como: a noção de “fileiras”, de “colunas”, do “ antes” e do “ depois”. 

Sugestões de atividades

Desenvolver a “ apreensão perceptiva motora do tempo. Realizar atividades que explorem:
  • ritmos internos ( respiração, pulsação, batimentos cardíacos...)
  • ritmos externos (  simples, fortes, suaves)
  • ritmos cadenciados( cadencias codificadas com diferentes tempos).
  • Acompanhamentos de ritmos ( tambor, chocalhos, clavas...)
  • Andar, correr, engatinhar, rolar em diferentes ritmos ( ritmo lento e rápido).
  • Ordenação temporal ( antes, depois, agora)
  • Desenvolver o sentido de velocidade do tempo.
  • Ordenar o sentido de duração do tempo , explorar sons contínuos e interrompidos, associados ou não ao deslocamento (andar, correr...)

    As atividades para a estruturação e organização do tempo, através do ritmo, favorecem a atenção e memória, exigindo a apreensão atenta da sucessão temporal, em termos de duração e intervalo.
D)    Estruturação e organização espacial:  É a tomada de consciência da situação
do próprio corpo, na relação com o meio ambiente. A organização do mundo exterior parte do “eu” como referência, depois com  relação ao outro, aos objetos e dos objetos entre si. 
    As dificuldades de estruturação espacial dificultam na criança a percepção à direita e à esquerda, podendo confundir letras e números na leitura e na escrita,
ex: d/b,p/q, 21/12, n/u, ou/on, bola/loba, toc/cota. Dificultando portanto o processo  de aprendizagem da leitura, da escrita e da matemática.

Sugestões de atividades:
- Orientação do corpo no espaço:  explorar as mais diferentes formas de deslocamentos: caminhar, engatinhar, rolar, arrastar, pular ( rápido, lento, perto, longe, em cima, próximo, em baixo......)
- Orientação no espaço imediato:  explorar  deslocamentos que envolvam  posições do corpo ( dentro-fora, acima, em baixo, entre....), ex: andar entre as carteiras, passar por baixo da mesa, entrar na caixa ou pular dentro do arco....
-Sentido de distância: explorar  deslocamentos que envolvam distâncias com relação ao corpo e dos objetos entre si ( andar perto da parede, longe dos colegas, ocupar com o corpo o máximo de espaço possível, o mínimo possível...)
- Desenvolver noções de direita e esquerda: explorar com movimentos corporais o lado direito e esquerdo ( de seu corpo, do colega, andar, correr, saltar, pular, rolar....)

E)    Equilíbrio, postura e tônus:  O equilíbrio, o tônus e a postura formam a base
 essencial da Coordenação  Motora Dinâmica Global. Os exercícios de equilíbrio tem a  finalidade de melhorar o comando nervoso, a precisão motora e o controle global dos deslocamentos do corpo no espaço.

Sugestões de atividades:
 - Exercícios de equilíbrio estático ( parado) e dinâmico( em movimento), ex: ficar parado num pé só ( ambos os pés, com olhos aberto, fechados...), pular com um pé só ( ambos os pés, para frente, para trás, em cima de linhas retas, linhas curvas....)
- Movimentos pendulares do corpo, ex: balançar o corpo  de um lado, do outro, num pé só ir para frente, para trás....
- Passar o peso do corpo de um lado para outro.
- Exercícios de relaxamento.
- Subir e descer escadas.
- Pular amarelinha.
- Marchas.
- Pular corda.


F) Coordenação dinâmica manual :   É o domínio harmonioso e delicado dos gestos.      Os exercícios de coordenação óculo-manual tem como objetivo o domínio do campo visual, associado à motricidade fina.
    O domínio da coordenação visual e da motricidade fina são elementos básicos para a escrita.
    Desenvolver a habilidade manual significa facilitar a escrita (grafismo).
    A coordenação dinâmica manual geralmente está associada a problemas visomotores, que refletem no desempenho motor ( recorte, escrita, desenho...)

Sugestões de atividades:

- Coordenação dinâmica manual/visual, explorar as atividades:
    - movimentos coordenados de mão e olho ( lançar bola, jogar bolinha de gude, rasgar, abrir, fechar....);
   - movimento dos olhos ( direito, esquerdo, para cima, para baixo....)
   - movimento das mãos e dedos ( amassar argila, massa de modelar, manipular, enfiar contas, cortar, separar grãos, pintura a dedo, movimentos de abrir e fechar as mãos, os dedos....)

-Coordenação Visomotora, desenvolver atividades de:
   - recorte – explorando materiais de diferentes texturas ( cartolina, tecido, lixa, cortiça, espuma....);
   - dobradura – explorando diferentes tipos de papel ( seda, sulfite, jornal....);
   - colagem sobre linhas ( barbantes, lã, palitos de sorvete, palitos de fósforo...);
   - modelagem ( massinha, argila, arame....)
   - cópias de desenhos, pinturas, contornos de desenho...
   - alinhavos;
   - encaixes;
   - colagem;
   - seriação;
   - classificação;
    Em todas as atividades acima descritas poderão ser explorados os dois lados do corpo.
    Conclusão: O trabalho de psicomotricidade é um meio prático de ajudar o aluno a dispor de uma imagem corporal operatória, a partir da qual facilitará a sua aprendizagem.
    É pela expressão motora, que é a ação, onde se tem a oportunidade de reparar as questões corporais danificadas, tendo o próprio corpo como referência, um corpo sentido e vivido, que descobre formas de crescer, amadurecer, ser adulto e ser produtivo.


2) COGNIÇÃO

    Cognição é o ato ou ação de conhecer ou de adquirir conhecimentos. Crianças com dificuldades nesta área, costumam ser distraídas e vagarosas, com a abstração prejudicada e o pensamento lento e concreto. São lentas para aprender e armazenar conhecimentos formais.
    O desenvolvimento desta área requer a estimulação da:
A) PERCEPÇÃO: é o ato de conhecer, interpretar e diferenciar os estímulos recebidos. É o meio pelo qual a pessoa organiza e chega a entender os fenômenos que constantemente influem sobre ele.
    Para estimular crianças com falhas nesta área pressupõem-se exercícios de:
   PERCEPÇÃO VISUAL: (ver, sentir, mostrar).
  a) - mobilidade ocular: pedir para a criança acompanhar com os olhos movimentos de diferentes objetos (bola, pião, borboletas....).
  (b)- discriminação de cores, formas, tamanhos, quantidades, direções, semelhanças e diferenças. Iniciando com jogos ou exercícios com objetivos concretos (blocos lógicos, diferentes sucatas, botões, tampas coloridas, pedras....), partindo para exercícios semi-concretos, como por exemplo:
    - ordenar figuras de acordo com tamanho e comprimento;
    - ordenar figuras de acordo com uma seqüência lógica;
    - cópias de símbolos abstratos;
c) - Relação Figura x Fundo: quando a criança tem dificuldade de dirigir sua atenção e selecionar um determinado objeto de uma cena. Realizar exercícios tais como:
   - identificar símbolos escondidos em várias posições;
   - pedir ao aluno que pinte a parte marcada com um X, para descobrir o que está escondido em um desenho.
   - focalizar diferentes elementos que compõe um quadro.
d) – Organização através de gravuras e historias seqüenciadas;
e) - Identificação em diferentes posições: para cima, para baixo, para direita....
f) – Trabalho com materiais diversos, simulando situações da vida diária.
g) – Trabalho com calendário.
h) – Montagem de quebra-cabeças.
i) – Jogos de 7 erros.
J)- Completar desenhos.
l) – Listagem de diferenças e semelhanças entre dois ou mais  objetos, de acordo com a cor, forma, tamanho, textura.....

PERCEPÇÃO AUDITIVA:
- Com objetos sonoros (chocalhos, latas com pedrinhas, sons onomatopaicos, ruído do ambiente, músicas), treinar e localizar, identificação, reprodução e execução dos diferentes sons.
- Jogos de rimas.
- Treinamento de ritmo (através de marcha, palmas e dança...).
- Jogos de palavras que iniciam com o mesmo som.

PERCEPÇÃO GUSTATIVA:
- Reconhecer sabores: doces, salgados, amargos, azedos, picantes...

PERCEPÇÃO OLFATIVA:
    Pode ser estimulada com atividades que facilitem:
    - Reconhecimento à discriminação de odores.
    - Comparação de cheiros.

PERCEPÇÃO TÁTIL:
    Desenvolver a sensibilidade das mãos e dedos.
    - Trabalhar com manipulação de objetos explorando suas formas, tamanho diferentes, texturas (madeira, espuma, lixa, papel, tecido...) e temperaturas (quente, frio..).









PERCEPÇÃO TEMPORAL:

    A percepção temporal relaciona-se à audição (discriminação auditiva), pois a criança precisa captar e discriminar a duração (curta – longa –média) e sucessão dos sons (fatos) que ocorrem no tempo.
    A orientação no tempo durante a realização de tarefas tem como pré-requisito a discriminação da duração e sucessão de sons, e o aluno precisa dominar determinados conceitos temporais, tais como: ontem, hoje, amanhã, dias da semana, meses, horas, estações do ano...
    A ausência do pré-requisito orientação temporal pode causar dificuldades na pronúncia e na escrita de palavras, trocando a ordem das letras ou invertendo-as. Dificuldades na retenção de uma série de palavras dentro da sentença e de idéias dentro da história.

Atividades para o desenvolvimento da percepção temporal:

  • contar história à vista de figuras, obedecendo à seqüência lógica (iniciar com duas figuras e aumentar a dificuldade gradativamente);
  • explorar o fenômeno natural-dia (claro, tem sol...,) noite (escuro, lua, estrelas...), meio dia;
  • planejamento, das atividades da aula, juntamente com o aluno;
  • organizar a linha do tempo (com fatos principais de sua vida);
  • trabalhar ritmos;

B) MEMÓRIA
    Memória é a capacidade de registrar, fixar e recordar estímulos visuais, auditivos e táteis.

MEMORIA VISUAL
    Consiste na capacidade de reter e recordar com precisão uma série de estímulos apresentados visualmente.
    Na aprendizagem, a memória visual desempenha um papel muito importante, pois permite que a criança forme uma imagem visual das palavras, o que facilita o reconhecimento rápido e instantâneo dos símbolos impressos durante a leitura. Na escrita, permite a utilização correta da grafia, ao escrever palavras formadas por letras, cujos sons podem ser representados por duas ou mais letras diferentes, ex: o som “sa” pode ser representado tanto pela grafia / ssa/  como pela grafia / sa/. A escolha correta de uma ou outra grafia depende do fato da palavra a ser escrita, estar ou não retida na memória visual.

   Atividades que favorece a aquisição da memória visual:
  • a compreensão de estímulos visuais ( apresentar figuras simples e pedir que a criança descreva, aumentando gradativamente às dificuldades).
  • Reprodução de situações ocorridas em filmes, desenhos animados, passeios,...
  • Reproduzir desenhos.
  • Trabalhar com rótulos e logotipos.
  • Apresentar diferentes objetos, retirar um, indicar qual foi retirado.
  • Trabalhar com jogos de memória e de completar figuras.

MEMÓRIA AUDITIVA
   
    É a capacidade de reter e recordar informações captadas auditivamente.
    É essa capacidade que vai permitir ao aluno fixar e reproduzir Oralmente ou por escrito, as informações recebidas auditivamente, bem como fazê-lo lembrar quais os sons correspondentes aos símbolos gráficos visualizados.
    Dificuldades na memória auditiva são responsáveis por falhas na associação de símbolos gráficos (letras, números) discriminados visualmente, aos correspondentes sonoros.
    Dentro as atividades que podem auxiliar o aluno no desenvolvimento da memória auditiva estão:
  • identificar sons onomatopaicos ( de animais, de objetos..).
  • decorar músicas, poesias, versos...
  • trabalhar com séries  de sons ( ex: 2 batidas de palmas, 1 batida de pé...).
  • repetição das idéias principais de uma história, trecho lido, frases, etc...
  
 MEMÓRIA VISOMOTORA
    È a capacidade de reproduzir, com movimentos de partes corporais, experiências visuais anteriores. A memória visomotora é responsável pela eficiência da escrita e da caligrafia, pois  para o traçado das letras é necessária a memorização de movimentos motores. A criança com dificuldades visomotoras dificilmente se lembrará do traçado a ser executado para escrever as letras, quer no ditado ou na escrita espontânea. Na cópia, estas dificuldades caracterizam-se pelo fato da criança copiar cada elemento isoladamente e, consequentemente, com lentidão para realizar a tarefa.
    Algumas sugestões de atividades:
  • apresentar modelos de desenhos ou dobraduras, retirar o modelo, e pedir para que reproduza.
  • Reprodução de movimentos com o corpo:
Levantar: 1º o braço direito
                 2º o braço esquerdo
                 3º levantar a cabeça.
  • seqüência de palmas, com diferentes intervalos;
  • saltitar para diferentes lados;
  • reconstrução da memória, em situações da vida diária ( como: ir às compras, à escola, à festas, à igreja....)

C) ATENÇÃO

    O desenvolvimento da atenção pressupõe atividades que se manifestam por força da motivação ( motivo de ação)  e que desperta o interesse dos alunos. Importante é o grau de complexidade das situações estimuladoras. Tanto as atividades muito simples como as complexas, podem ocasionar redução na capacidade de atenção que, por desinteresse ou ansiedade, tornam a atenção baixa e dispersa. Os jogos, em geral, costumam estimular a atenção alta e concentrada, em qualquer criança.
    Recomenda-se, porém não se exceder nos jogos que estimulem o clima competitivo, gerador de ansiedade, particularmente quando se trata de alunos com dificuldades de aprendizagem.


São recomendados:
  • jogos de peças, quebra-cabeça, completarem figuras, seqüência de cores, formas e tamanhos, de 7 erros....
  • brincadeiras: lenço atrás, dança das cadeiras, passa anel, bola-bobo, dominó, xadrez, vídeo-game...
  • relaxamento
  • equilíbrio . 

D) RACIOCÍNIO

    Compreende-se, que raciocínio  e pensamento estão intimamente relacionados. O raciocínio ( formas de pensar), embora seja processo subjetivo, não visível, manifesta-se oralmente, por escrito ou através da mímica, evidenciando o modo como o pensamento se organiza.
Algumas atividades que despertam a motivação do aluno para pensar, analisar situações, criar...
  • solucionando quebra-cabeças, tangram;
  • classificando objetos segundo determinados critérios;
  • identificando relações de igualdade, semelhanças e diferenças, entre objetos e situações;
  • estabelecendo nexos históricos causais (usando-se, por exemplo, quadrinhos para historia em suas sequencias lógicas);
  • inventando historias e jogos;
  • criticando;
  • tirando conclusões lógicas de enunciados inconclusos;
  • analisando e sintetizando configurações gráficas ou contextuais, dentre outras.

(E) CONCEITUAÇÃO

    Conceituar significa, classificar objetos segundo critérios como: sua natureza ( animais, flores...), o material de que são feito ( madeira, vidro...), sua utilidade ( mobiliário, vestuário...) ou outras propriedades, isoladas ou combinadas.
    A formação do conceito é particularmente difícil para crianças com dificuldades de aprendizagem. Muitas vezes aprendem de memória ( decorando), não sendo capazes  de fazer transferência  dos conceitos aprendidos. Tem dificuldades em organizar grupamentos de dupla ou tripla entrada, como, por exemplo, de um conjunto de objetos formarem dois subconjuntos, sendo um, de mobília de madeira escura e o outro, de brinquedo de plástico...
    Para desenvolver as habilidades conceituais sugerem-se:
  • organização de conjuntos de objetos ( blocos lógicos, por ex.), segundo critérios de classificação( cor, forma, natureza, tamanho, posição, quantidade, isolados ou combinados);
  • emparelhamento de objetos por semelhanças, por equivalência de uso;
  • conversas em grupos sobre gravuras, brinquedos e objetos, destacando-se suas características, utilidades e importância;
  • leituras de histórias seguidas de debates sobre seu tema, e outras.



F)     LINGUAGEM

    A linguagem, como aspecto do processo evolutivo da pessoa, está diretamente ligada ao desenvolvimento: neurológico, da inteligência, da afetividade, da motricidade e da socialização das crianças.
    È correto dizer que a linguagem permite a afirmação do EU em relação aos outros. Possibilita a formação da consciência social, assegurando adaptação à realidade exterior, particularmente pelo uso da língua.
   Duas são, as formas de expressão da língua: a oral e a gráfica, pelas quais as palavras faladas ou escritas, organizadas nas sintaxes da língua, ganham intenção significativa.
    O trabalho com língua, do ponto de vista educativo, consiste em desenvolver, no aluno, a habilidade para falar, ler e escrever com correção e propriedade o seu idioma, bem como empregá-lo com facilidade e desenvoltura.
    O professor deve intervir como mediador para facilitar o desenvolvimento do vocabulário, da fluência verbal, da articulação, compreensão da leitura e escrita, e de todas as outras formas de comunicação de seus alunos.
   O professor, atuando como auxiliar nesse processo pode desenvolver as seguintes atividades:
Para desenvolver o vocabulário:
  • imitações, usando todos os tipos de linguagens;
  • reprodução de historias, narração de viagens, passeios e outras situações da vida;
  • descrição de gravuras, quadros, cenas....;
  • introdução de palavras novas referentes à saúde, segurança, sinais de transito, animais.... em situações lúdicas;
  • introdução de dicionários ( ensinar como utiliza-lo);

    Para o desenvolvimento da fluência e codificação ( facilidade de expressão  e comunicação que uma pessoa tem) , são sugeridas as seguintes atividades:
  • lúdicas ( dramatizações, fantoches, pantomimas);
  • passeios, levar um animalzinho para a escola, atividades com plantas...;
  • canções infantis;
  • dizer e escutar poesias;
  • narrações;
  • inventar historia, e ...

    Articulação, que consiste na capacidade de pronunciar palavras corretamente, de modo inteligível.
    As dificuldades de articulação devem ir desaparecendo, á medida que a criança vai amadurecendo e adquirindo novas experiências. Caso as dificuldades persistam, é importante que se pesquise as causas dos distúrbios articulatórios.
    O educador poderá desenvolver algumas atividades (sempre que possível utilizando historias, gravuras, brinquedos, animais, jogos, etc.) baseadas em:
- imitação de movimentos (gestos, mímicas..);
- identificação de sons (esconde o objeto, faz-se o som e a criança descobre);
- repetição de rimas e poesias infantis;
- reprodução e prática de sons diante de um espelho para o aluno observar sua verbalização e, aos, poucos, imitarem o professor, aprendendo o som correto;
- classificação de objetos e figuras, para perceber e discriminar semelhanças e diferenças;
- uso do gravador, tendo o aluno à oportunidade de ouvir e controlar sua própria voz e articulação;

Compreensão de leitura: A compreensão da leitura tem como pré-requisito o conhecimento do vocabulário empregado, bem como a capacidade de organizar as palavras significativamente, como sentença e historia.
    O educador deve, na sala de aula, procurar desenvolver com os alunos as habilidades de leitura, de modo que sejam capazes de:
- perceber ou reconhecer palavras por seus elementos fonéticos;
 - interpretar e assinalar o que lêem, bem como formar hábitos e atitudes de leitura.
(jornais, revistas, comentando acerca do viu e leu);
 - contar historias; valorizar a leitura;
 - ler o que escreve;

Escrita: A representação simbólica, gráfica, da expressão verbal..
    Para o desenvolvimento da escrita, aconselha-se trabalhar, inicialmente, a psicomotricidade fina ou pré-escrita.
    Inúmeras são as atividades a serem desenvolvidas, para escrita correta:
  • desenhar, pintar, colorir e escrever, livremente;
  • criar legendas para representar diferentes situações da vida diária;
  • elaborar etiquetas para identificar o conteúdo de caixas, gavetas, pacotes;
  • representar graficamente, seja a seqüência de uma história, seus personagens, sejam ambientes, pessoas com quem se convive, e
  • escrever o que sente e pensa, etc.

    A sala de aula deve oferecer estímulos suficientes para despertar no aluno  o interesse e o gosto pela leitura. Para tanto, deve-se oferecer material atraente, colorido, e que atenda os interesses infantis. Um professor alegre, motivado, simpático, que crie um clima afetivo, agradável e pedagogicamente adequado, é o que mais contribui para despertar no aluno o hábito e o gosto pela leitura e, o leva a vencer o ciclo vicioso de suas dificuldades de aprendizagem.
    A utilização do reforço positivo poderá transformar o aluno com dificuldades de aprendizagem em membro útil da sociedade, centralizando sua aprendizagem na mudança de comportamento pelo enriquecimento de suas potencialidades ( pontos fortes) e não pelo confronto desencorajador de sua dificuldade ( pontos fracos).
    O processo da maturação emocional se constrói por meio do aumento da autoconsciência, da aquisição da competência de lidar com os conflitos a fim de manter o otimismo e a perseverança, apesar das frustrações.
    Quando conquistamos nossa autonomia emocional podemos caminhar celebrando a vida com entusiasmo, segurança e competência.








ATIVIDADES DO EDUCADOR:

  • Desenvolver empatia (compreender as emoções do aluno).
  • Levar os mesmos a falarem de si mesmos.
  • Reconhecer e respeitar as diferenças individuais.
  • Procurar o desenvolvimento das emoções positivas (alegria, respeito,...).
  • Ajudar o aluno na leitura de seus sentimentos negativos (raiva, ciúme...).
  • Criar um ambiente agradável de aprendizagem (a criança precisa aprender a ser feliz na escola).
  • Valorizar as atividades do aluno.
  • Usar reforço positivo, valorizando a auto-estima.
  • Desenvolver uma avaliação que respeite o erro como processo para aquisição do conhecimento.  
   
    Goleman afirma”:  “ A cabeça e o coração precisam um do outro”.



Fonte de pesquisa: Apostila – Áreas do desenvolvimento, Secretaria de Estado de Educação Paraná, Departamento de Educação Especial.