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A importância dos jogos na Educação ( Postado por Renato K. Chayamiti)

Para entender melhor esta questão observaremos o que nos alerta Huizinga (1996), que o jogo é mais antigo que a cultura, pois esta pressupõe ação humana. Porém, no caso do jogo, podemos ver sua presença até entre animais, eles se interagem, se convidam para brincar, respeitando as regras necessárias, ou seja, os limites para que aquela ação fique no campo do faz-de-conta, e através da brincadeira, surge o sentimento de imenso prazer e divertimento.

No entanto, o jogo não busca suprir somente as necessidades fisiológicas ou/e psicológica imediata, pois como nos aponta este autor, que jogo “é uma função significante, isto é, encerra um determinado sentido. No jogo existe alguma coisa “em jogo” que transcende as necessidades imediatas da vida e confere um sentido à ação” (HUIZINGA, 1996, p. 3).

A partir desta idéia podemos afirmar, que todo jogo tem seu significado, e independente de qual seja, é importante ressaltar que implica a presença de um elemento não material em sua própria essência.

Uma característica essencial do jogo é a liberdade, ou seja, para que uma brincadeira aconteça é necessário que parta dos seus participantes o desejo e interesse por desenvolver certas atividades, sem ser obrigatório, tornando-se ao mecânico e sem significado. Outra característica muito importante do jogo é o faz-de-conta, a evasão da vida real para uma esfera temporária de atividade como orientação própria.

Com Brougère (1998) podemos perceber que o brincar, assim como a arte, não deve ser vista como simples relação com o real. E deve ser sempre considerada como atividade carregada de significação social, e não somente como um ato individual. E precisa, como outras atividades humanas, ser ensinada.

O jogo só existe dentro de uma cultura que a partir de suas características o interpreta como tal. Há um sistema de significação que faz com que certas atividades humanas sejam consideradas como jogo. Ou seja, “para que uma atividade seja um jogo é necessário então que seja tomada e interpretada como tal pelos atores sociais em função da imagem que têm dessa atividade”. (BROUGÈRE, 1998, p. 22)

As representações são um aspecto importante, pois contribuem para a construção do papel social. O ato de representar pressupõe algumas regras e situações imaginárias de faz-de-conta, porém geralmente não regras combinadas, implícitas, que definem os comportamentos das pessoas imitadas dentro do seu papel social.

Vygotsky chega a afirmar que é pelo jogo que o sujeito se faz humano, se desenvolve. No jogo a criança parece ser maior do que ela é, pois na vida maior não pode ser, e por meio do brinquedo se faz possível. Neste sentido o brinquedo cria uma zona de desenvolvimento proximal.

Recomendação de leituras



Estão disponíveis alguns artigos de autores que trabalham a questão dos jogos na Educação para leitura complementar.


Tizuko Morchida Kishimoto

Gilles Brougère

2ª Aula:Sugestões de jogos pedagógicos

Os jogos pedagógicos são instrumentos que podem ser utilizados pelos professores para auxiliarem a aprendizagem dos alunos.

Dessa forma, ressalta-se que a pesquisa por jogos didáticos foi muito proveitosa, e, a cada descoberta, surgiam mais idéias e adaptações que poderiam ser feitas até mesmo com jogos já existentes, como o caso do jogo da memória. Para esse jogo, buscamos incluir figuras e nomes, diferentemente do jogo tradicional, que nas duas partes encontram-se figuras.


Figura 1: bingo de letras

A figura 2 mostra o jogo da memória feito com uma figura colada em uma cartela e seu respectivo nome colado em outra. Dessa forma, a criança terá o trabalho de ler o nome e associar a figura presente na outra cartela. Já a figura 3, exibe o mesmo jogo, só que com alterações na cartela com o nome escrito. Em nível mais avançado, o aluno pegará a cartela com o nome, e tentará associar à figura, mas o detalhe desse jogo é que a palavra não está escrita inteiramente, faltam letras, e nesse caso, antes de descobrir o par, o jogador terá que descobrir qual é a palavra.


Figura 2: jogo da memória - figuras e palavras inteiras


Figura 3: jogo da memória - figuras e palavras para completar

As cores e os trabalhos bem feitos também atraem as crianças. Se for o caso de trabalhar com sucatas, não se faz tantas exigências, mas se for o caso de aquisição de materiais para serem confeccionados, deve-se optar por cores fortes e vibrantes. O aproveitamento de materiais também é levado em conta, no jogo “Lince”, adaptação de um jogo já existente, pode-se observar as cores utilizadas: para o tabuleiro foi utilizada uma folha de papel cartão azul-escuro, e para as cartelas com os nomes foram utilizados retalhos de papéis coloridos. Esse jogo segue a foto abaixo, foi pensado da seguinte maneira: é para ser jogado no mínimo com três jogadores, sendo que um ficará somente sorteando as palavras. Esse jogador pegará uma palavra de dentro de um saco e mostrará aos demais jogadores, aquele que ler e primeiro encontrar a figura correspondente no tabuleiro ganha a cartela. Vencerá o jogador que obtiver mais cartelas.


Figura 4: lince

Outro jogo bem chamativo, e que também foram feitas adaptações a partir de um jogo já existente, foi o jogo do “Mico”. Nesse caso, montamos o jogo do “Mico Geométrico”, que funciona seguindo as regras do jogo tradicional. Dando-se, entretanto, ênfase ao estudo das figuras geométricas. Esse jogo foi criado por uma aluna do curso de matemática, durante seu estágio.


Figura 5: jogo do Mico Geométrico

Para reaproveitar papéis mais grossos, como de caixas ou papelão, montamos jogos de cartelas. Com o ensino já em estágio mais avançado, pode-se trabalhar com montagem de palavras e posteriormente de frases. Para o jogo de palavras foi colocado letras separadas nas cartelas. Aliás, esse jogo pode ser jogado individualmente ou em grupo e tem por objetivo formar o maior número de palavras possíveis nas cartelas. O jogo de frases funciona assim como o de palavras, só que formando, desta vez, frases.


Figura 6: jogo de palavras


Figura 7: jogo de Frases

Um outro jogo confeccionado foi o de sílabas. Para o mesmo utilizamos cartelas de papel colorido e figuras recortadas de revistas. A palavra foi dividida em sílabas e coladas em pedacinhos de papel, quando o vocábulo era mais complexo, colamos uma sílaba na cartela, de modo a facilitar. A criança deverá encontrar as sílabas correspondentes a cada palavra e montar na cartela.


Figura 8: jogo de sílabas

O tradicional dominó também foi modificado, ao invés de colocar duas figuras iguais, buscou-se colocar uma figura e seu nome. As pedras foram montadas em restos de fórmica que foram doados. Esse pode ser um material difícil de ser encontrado, mas pode ser substituído por papelão, é a intenção de reaproveitar tudo o que for possível.


Figura 9: dominó

Para estudar adição, subtração, multiplicação e divisão, montamos várias cartelas com aproximadamente 20 continhas, e os seus resultados em pedacinhos de papel separados. Esse jogo foi pensado para ser trabalhado em grupo, assim como a maioria dos jogos criados. O grupo deve resolver as contas, achar o resultado e encaixar na cartela. A equipe vencedora será aquela que terminar primeiro.


Figura 10: jogo de continhas

Essas são sugestões de como os jogos podem ser trabalhados em sala de aula para auxiliar no processo de ensino aprendizagem.
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Artigo muito especial para as professoras apaixonadas pela alfabetização

http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/alfabetizacao-inicial/alfabetizar-todo-dia-431196.shtml