0

Dislexia: Diagnóstico e Tratamento.

 Dislexia: Definição, Sinais e Avaliação.

Definida como um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração, a dislexia é o distúrbio de maior incidência nas salas de aula. Pesquisas realizadas em vários países mostram que entre 05% e 17% da população mundial é disléxica.
Ao contrário do que muitos pensam, a dislexia não é o resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição sócio-econômica ou baixa inteligência. Ela é uma condição hereditária com alterações genéticas, apresentando ainda alterações no padrão neurológico.
Por esses múltiplos fatores é que a dislexia deve ser diagnosticada por uma equipe multidisciplinar. Esse tipo de avaliação dá condições de um acompanhamento mais efetivo das dificuldades após o diagnóstico, direcionando-o às particularidades de cada indivíduo, levando a resultados mais concretos.

 

Sinais de Alerta.

Como a dislexia é genética e hereditária, se a criança possuir pais ou outros parentes disléxicos, quanto mais cedo for realizado o diagnóstico melhor para os pais, à escola e à própria criança. A criança poderá passar pelo processo de avaliação realizada por uma equipe multidisciplinar especializada (vide adiante), mas se não houver passado pelo processo de alfabetização o diagnóstico será apenas de uma "criança de risco".
Haverá sempre:
  • dificuldades com a linguagem e escrita;
  • dificuldades em escrever;
  • dificuldades com a ortografia;
  • lentidão na aprendizagem da leitura;
Haverá muitas vezes :
  • disgrafia (letra feia);
  • discalculia, dificuldade com a matemática, sobretudo na assimilação de símbolos e de decorar tabuada;
  • dificuldades com a memória de curto prazo e com a organização;
  • dificuldades em seguir indicações de caminhos e em executar sequências de tarefas complexas;
  • dificuldades para compreender textos escritos;
  • dificuldades em aprender uma segunda língua.
Haverá às vezes:
  • dificuldades com a linguagem falada;
  • dificuldade com a percepção espacial;
  • confusão entre direita e esquerda.

 

Pré-Escola.

Fique alerta se a criança apresentar alguns desses sintomas:
  • Dispersão;
  • Fraco desenvolvimento da atenção;
  • Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem;
  • Dificuldade em aprender rimas e canções;
  • Fraco desenvolvimento da coordenação motora;
  • Dificuldade com quebra cabeça;
  • Falta de interesse por livros impressos;
O fato de apresentar alguns desses sintomas não indica necessariamente que ela seja disléxica; há outros fatores a serem observados. Porém, com certeza, estaremos diante de um quadro que pede uma maior atenção e/ou estimulação.

 

Idade Escolar.

Nesta fase, se a criança continua apresentando alguns ou vários dos sintomas a seguir, é necessário um diagnóstico e acompanhamento adequado, para que possa prosseguir seus estudos junto com os demais colegas e tenha menos prejuízo emocional:
  • Dificuldade na aquisição e automação da leitura e escrita;
  • Pobre conhecimento de rima (sons iguais no final das palavras) e aliteração (sons iguais no início das palavras);
  • Desatenção e dispersão;
  • Dificuldade em copiar de livros e da lousa;
  • Dificuldade na coordenação motora fina (desenhos, pintura) e/ou grossa (ginástica,dança,etc.);
  • Desorganização geral: podemos citar os constantes atrasos na entrega de trabalhos escolares e perda de materiais escolares;
  • Confusão entre esquerda e direita;
  • Dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas, etc...
  • Vocabulário pobre, com sentenças curtas e imaturas ou sentenças longas e vagas;
  • Dificuldade na memória de curto prazo, como instruções, recados, etc...
  • Dificuldades em decorar sequências, como meses do ano, alfabeto, tabuada, etc..
  • Dificuldade na matemática e desenho geométrico;
  • Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomias) Troca de letras na escrita;
  • Dificuldade na aprendizagem de uma segunda língua;
  • Problemas de conduta como: depressão, timidez excessiva ou o "palhaço da turma";
  • Bom desempenho em provas orais.
Se nessa fase a criança não for acompanhada adequadamente, os sintomas persistirão e irão permear a fase adulta, com possíveis prejuízos emocionais e consequentemente sociais e profissionais.

 

Adultos.

Se não teve um acompanhamento adequado na fase escolar ou pré-escolar, o adulto disléxico ainda apresentará dificuldades:
  • Continuada dificuldade na leitura e escrita;
  • Memória imediata prejudicada;
  • Dificuldade na aprendizagem de uma segunda língua;
  • Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomia);
  • Dificuldade com direita e esquerda;
  • Dificuldade em organização;
  • Aspectos afetivos emocionais prejudicados, trazendo como consequência: depressão, ansiedade, baixa auto estima e algumas vezes o ingresso para as drogas e o álcool.

 

DIAGNÓSTICO.

Os sintomas que podem indicar a dislexia, antes de um diagnóstico multidisciplinar, só indicam um distúrbio de aprendizagem, não confirmam a dislexia. E não pára por aí, os mesmos sintomas podem indicar outras situações, como lesões, síndromes e etc.
Então, como diagnosticar a dislexia?
Identificado o problema de rendimento escolar ou sintomas isolados, que podem ser percebidos na escola ou mesmo em casa, deve se procurar ajuda especializada.
Uma equipe multidisciplinar, formada por Psicóloga, Fonoaudióloga e Psicopedagoga Clínica deve iniciar uma minuciosa investigação. Essa mesma equipe deve ainda garantir uma maior abrangência do processo de avaliação, verificando a necessidade do parecer de outros profissionais, como Neurologista, Oftalmologista e outros, conforme o caso.
A equipe de profissionais deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia. É o que chamamos de AVALIAÇÃO MULTIDISCIPLINAR e de EXCLUSÃO.
Outros fatores deverão ser descartados, como déficit intelectual, disfunções ou deficiências auditivas e visuais, lesões cerebrais (congênitas e adquiridas), desordens afetivas anteriores ao processo de fracasso escolar (com constantes fracassos escolares o disléxico irá apresentar prejuízos emocionais, mas estes são conseqüências, não causa da dislexia).
Neste processo ainda é muito importante tomar o parecer da escola, dos pais e levantar o histórico familiar e de evolução do paciente.
Essa avaliação não só identifica as causas das dificuldades apresentadas, assim como permite um encaminhamento adequado a cada caso, por meio de um relatório por escrito.

 

Depois de Diagnosticada a Dislexia.

Sendo diagnosticada a dislexia, o encaminhamento orienta o acompanhamento consoante às particularidades de cada caso, o que permite que este seja mais eficaz e mais proveitoso, pois o profissional que assumir o caso não precisará de um tempo para identificação do problema, bem como terá ainda acesso a pareceres importantes.
Conhecendo as causas das dificuldades, o potencial e as individualidades do indivíduo, o profissional pode utilizar a linha que achar mais conveniente. Os resultados irão aparecer de forma consistente e progressiva.
Ao contrário do que muitos pensam, o disléxico sempre contorna suas dificuldades, encontrando seu caminho. Ele responde bem a situações que possam ser associadas a vivências concretas e aos múltiplos sentidos. O disléxico também tem sua própria lógica, sendo muito importante o bom entrosamento entre profissional e paciente.
Outro passo importante a ser dado é definir um programa em etapas e somente passar para a seguinte após confirmar que a anterior foi devidamente absorvida, sempre retomando as etapas anteriores. É o que chamamos de sistema MULTISSENSORIAL e CUMULATIVO.
Também é de extrema importância haver uma boa troca de informações, experiências e até sintonia dos procedimentos executados, entre profissional, escola e família.


                                                   Associação Brasileira de Dislexia.
0

Sugestões/Motivos para Acompanhar a criança Disléxica

                                                       
1 – Explique à criança quais são seus problemas. A criança normalmente já tem conhecimento prévio de seus problemas, porém não sabe quais são nem o porquê. Uma explicação ajudará a compreensão de si mesma.
2 – Tente restaurar a confiança Para ajudar a criança disléxica na escola. Como já tinha sido rotulado como "mau aluno", agora vem a oportunidade para a criança vencer. Ela tem de compreender isto.
3 – Sente-se ao lado da criança. Para diminuir a possibilidade de troca de posições (má orientação corporal), nunca sente na frente do aluno. Sentando-se ao seu lado você cria uma atmosfera menos formal.
4 – Nunca force o aluno a aceitar a lição do dia. Algumas vezes ele não está disposto a fazer suas lições. Existem outras maneiras de ensinar sem usar lápis e papel. Os jogos, por exemplo, podem ajudar. Seja versátil em relação às necessidades da criança.
5 – Evite submeter o aluno à pressão de tempo ou competição com outras crianças. Essas pressões fazem com que o aluno concentre-se em ser o primeiro e não em estar correto. Ser o primeiro é secundário quando o que importa é estar certo. A competição pode levar à amarga experiência de fracassos seguidos.
6 – Seja flexível em relação ao conteúdo da lição. Algumas vezes a criança disléxica não está preparada para determinada lição, mesmo que se pense o contrário. Deixe tal lição de lado ou tente uma outra abordagem.
7 – Fique ciente da possibilidade de a criança disfarçar seus erros. Crianças disléxicas tentam, às vezes, disfarçar seus erros através de artimanhas e artifícios (por exemplo, caligrafia ilegível), para evitar que seus erros sejam vistos.
8 – Use a crítica de uma maneira construtiva. É preferível sempre mostrar as razões do erro e as maneiras de evitá-lo e superá-lo, a uma atitude negativista.
9 – Permita vários tipos de ajuda para auxiliar o aluno. Certos artifícios podem auxiliar o aluno a se concentrar mais no objetivo de uma tarefa do que nos mecanismos de sua feitura. Por exemplo: um marcador qualquer ajudará a concentração na linha de leitura; uma máquina de datilografar erradicará uma caligrafia fraca e criará nova motivação; um gravador de som ajudará na lembrança de suas tarefas ou na explicação de como fazê-las
10 – Estimule a criança a escrever em linhas alternadas. Isso ajudará o professor a ler uma caligrafia imprecisa e freqüentemente amontoada, e também a fazer a correção próxima aos erros e não no fim da lição.
11 – Certifique-se que as instruções para determinadas tarefas de casa sejam entendidas pela criança. A deficiência de coordenação visual e motora da criança disléxica resulta na cópia incorreta do quadro-negro. É preferível escrever as instruções de suas tarefas de casa e ler para ela certificando-se de que entendeu.
12 – Peça aos pais para que releiam as instruções das tarefas de casa. A criança pode esquecer o que foi pedido na escola ou não conseguir ler instruções mais complexas. Tempo e frustrações serão eliminados se os pais relerem as instruções da professora.
13 – Quando corrigir lições, seja realista mas não exagere. Se a professora anotar todo erro, isso pode ser desagradável para a criança. O conteúdo da lição é o que importa e um comentário sobre a sua importância é psicologicamente mais útil do que inúmeros sinais de correção.
14 - Não corrija lições com lápis ou canetas vermelhas. Correções com cor vermelha são desmoralizantes para as crianças com problemas de aprendizagem. Use maneiras mais sutis e corrija sem alardes pictóricos.
15 – Procure identificar áreas de interesse da criança. Uma má vontade para aprender pode ser contornada usando-se material diferente. Por exemplo, não tire o estímulo da leitura das histórias em quadrinhos se a criança aprende através delas.
16 – Encontre livros de leitura que interessem a criança mesmo que eles sejam complexos para sua habilidade. Na falta de material de leitura mais apropriado, que prenda a atenção da criança, tente suplementar com livros, mesmo que estejam acima de seu nível de leitura, conquanto que captem e mantenham sua atenção.
ENCAMINHAMENTOS· Apoio Intra-Escola - Ensino Especial· Apoio Extra-Escola- Psicólogo - Especialista com formação na área- Terapeuta da fala- Psicopedagogo- Centro de desenvolvimento infantil- Serviço de apoio neurológico


Observações Gerais

Ações pedagógicas perante suspeita de dislexia
Necessidade de Formação Exercícios Adaptações ao Aluno
Procura de informação
Pedido de ajuda Exercícios de lateralidade
Exercícios de leitura global
Exercícios de incidência nas sílabas
Exercícios de compreensão da mensagem
Exercícios fonológicos
Treino da motivação
Apoio individualizadoAdaptações curriculares
Adaptações materiaisTeste de escolha múltipla
Maria Conceição Gomes de Melo
Prof. Regente
0

A DISLEXIA NA FASE ADULTA

                                             
Se não teve um acompanhamento adequado na fase escolar ou pré-escolar, o adulto disléxico ainda apresentará dificuldades:
· Continuada dificuldade na leitura e escrita;
· Memória imediata prejudicada;
· Dificuldade na aprendizagem de uma segunda língua;
· Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomia);
· Dificuldade com direita e esquerda;
· Dificuldade em organização;
· Aspectos afetivos emocionais prejudicados, trazendo como conseqüência: depressão, ansiedade, baixa auto-estima e algumas vezes o Ingresso no uso de drogas e álcool.
Feeling do professor
Como é uma síndrome geralmente detectada na Infância, o papel do professor é muito importante, principalmente na fase da alfabetização. Ter o feeling de perceber algo errado com determinado aluno é essencial para evitar traumas futuros. Porém o que muitas vezes acontece é a falta de conhecimento sobre a dislexia que pode trazer avaliações distorcidas. Esse quadro de dificuldade de leitura não tem cura, e acompanha uma pessoa por toda a vida, do Ensino Fundamental até o Superior.
Nenhum professor precisa ser oftalmologista para notar que o estudante não está enxergando bem. O dia-a-dia da sala de aula mostra isso. O mesmo vale para a audição e outras deficiências, como a própria dislexia. O professor percebe que tal pessoa é inteligente, perspicaz, criativa, tem facilidade para fazer uma porção de coisas, no entanto, quando tem que ler, escrever ou entender o que leu, pronto, nem parece a mesma. Esses indícios são os mais significativos.
"Os professores e coordenadores pedagógicos têm que ter algum tipo de treinamento, alguma sensibilidade para detectar que é mesmo dislexia, para não falar que o aluno é folgado, vagabundo e não quer aprender”. O professor de Leitura e Lingüistica da UVA (Universidade Estadual Vale do Acaraú), Vicente Martins "Ninguém enxerga aquilo que não conhece,"

Vestibular
Se o vestibular já é um bicho-de-sete-cabeças para pessoas sem dislexia, imagine, então, para alguém disléxico. Redação, perguntas com enunciados enormes, cálculos, interpretação de textos e tudo isso sob pressão. O tempo também é um fator importante, já que pessoas com essa síndrome têm dificuldade de leitura e, conseqüentemente, levam mais tempo para ler, interpretar e resolver os enunciados.
É por isso que fundações como a Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular) já estão se abrindo para o problema do disléxico. Quem possui a síndrome e comprova através de um relatório idôneo, faz a prova em um local diferente com um monitor que lê as questões para que a pessoa ouça e entenda melhor. Além disso, tem duas horas a mais para realizar o vestibular, pode usar calculadora, construir mentalmente a redação e ditar para que o monitor a escreva. Isso já acontece há dois anos seguidos.
A pessoa disléxica é um mau leitor: é capaz de ler, mas não é capaz de entender o que lê de maneira eficiente. "É uma síndrome que acomete o ser humano. Isso vale para o esquimó, para a aborígine da Austrália, para o japonês, cairçara, pigmeu da floresta africana. E independe de qualquer outra variável. E a pessoa vai ser disléxica sempre, como o canhoto, mesmo que ele desenvolva habilidades na outra mão e supere as dificuldades, sempre será canhota. O disléxico também", observa Braggio. (2005)

Ensino Superior
E será que uma pessoa disléxica pode chegar a uma universidade e completá-la satisfatoriamente? Os professores são unânimes: isso é perfeitamente possível, desde que o aluno avise do problema para a coordenação do curso que irá alertar os docentes para que tenham sensibilidade em lidar com esse estudante. O gênio inventor da teoria da relatividade, Einstein, era disléxico e, no entanto, toda a humanidade reconhece seus feitos. Dislexia não tem nada a ver com inteligência.
As mesmas bases da instrução infantil devem guiar a instrução adulta, utilizando abordagem multissensorial dirigida e estimulando ambos hemisférios cerebrais. A utilização do computador com recursos de auto-correção é altamente recomendável, sempre que seja de interesse e relevância.
“O ser humano vai criar compensações. Ele pode ser péssimo em língua portuguesa e ainda assim um grande líder. Por exemplo, uma das compensações importantes em que o disléxico precisaria ter uma atenção especial é o tempo nas provas e concursos. Não é super proteção, mas considerá-lo realmente como uma pessoa que necessita de atendimento especial", argumenta Martins. Chegar à universidade é uma grande conquista para o disléxico, por isso, hoje em dia, algumas instituições já estão criando laboratórios para dar atendimento a jovens com dificuldades de leitura.
Quando se fala em dislexia, existem dois componentes que devem ser levados em conta: ler e compreender o texto. Quem tem dificuldade de leitura, tem problemas em ler um texto em voz alta e, conseqüentemente, em compreendê-lo. Para quem chega à graduação e passa por uma enxurrada de textos que são necessários para a compreensão e resposta de uma série de questionamentos das diversas disciplinas da grade curricular, é importante que os professores dêem uma orientação e atenção especial.
Os professores devem ficar atentos a alguns sintomas da dislexia em adultos que, caso não tenham tido um acompanhamento adequado na fase escolar, ou, se possível, pré-escolar, ainda apresentará dificuldades na leitura e escrita: memória imediata prejudicada; dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomia); dificuldade com direita e esquerda; dificuldade em organização; aspectos afetivos emocionais prejudicados, trazendo como conseqüência depressão, ansiedade, baixa auto-estima e, algumas vezes, o ingresso para as drogas e o álcool.
O disléxico tem um ritmo diferente dos não-disléxicos. Portanto, evite submetê-lo a pressões de tempo ou competição com os colegas. É importante estimulá-lo e fazer com que acredite na sua capacidade de tornar-se um profissional competente.

Sugestões de boas práticas
As seguintes sugestões de boas práticas serão particularmente úteis para os estudantes com dislexia, mas podem ser úteis aos estudantes em geral. Para além destas sugestões achamos muito importante que o Professor obtenha mais informação sabre dislexia e contacte com os estudantes, no sentido de saber o que para eles e mais útil.

O estudante disléxico na Universidade:
É importante estar alerta para a eventualidade de ter um estudante disléxico entre os que freqüentam as suas aulas. Assim deverá:
· estar consciente de que ele aprende de forma diferente da convencional;
· tentar obter informações acerca dos problemas com que o estudante disléxico se confrontou no secundário, especialmente no que diz respeito:
- capacidade de auto-gestão;
- ao seu sentido de organização;
- à capacidade de tomar notas;
- à gestão do tempo;
- à gestão dos projetos e trabalhos a realizar;
- ao ensino unidimensional;
· reconhecer a frustração que estudante disléxico deve sentir;
· reconhecer que as classificações podem ficar muito aquém do potencial do estudante;
· reconhecer problemas de auto-estima e de depressão;
· demonstrar simpatia, atenção e preocupação;
· oferecer-se para ser o professor-tutor ou nomear-lhe um;
· saber ouvir e aconselhar quando necessário e nas alturas previstas para tal;
· ajudar a organizar os trabalhos;
· planificar os trabalhos com datas bem determinadas (por exemplo, o primeiro trabalho sobre o primeiro capítulo na data x, o segundo na data y ... e assim sucessivamente);
· indicar as leituras obrigatórias nas bibliografias de referência;
· assegurar que os direitos previstos na lei em benefício dos estudantes disléxicos são respeitados, nomeadamente em matérias de exames: intervalos, tempo suplementar, leituras, utilização de computadores portáteis, etc.;
· ajudar os estudantes a preencher formulários e a redigir pedidos relacionados com os seus direitos;
· insistir no reforço dos talentos naturais do estudante.


Nas aulas
Os estudantes com dislexia lêem e escrevem mais lentamente do que os outros estudantes, assim é para eles, muito difícil acompanhar as aulas tirando notas. Estes estudantes podem também encontrar dificuldades em ler acetatos / apresentações nas aulas, pois têm dificuldade em compreender o que lêem e em copiar.
· Fornecer um resumo quando se introduz um novo tópico, de forma a iniciar a familiarização do estudante com o assunto - salientar as idéias principais e palavras-chave;
· fornecer textos de apoio às aulas, de forma a diminuir a quantidade de notas que o estudante tem que tirar numa aula;
· usar múltiplas formas de apresentar a informação: vídeos, slides, demonstrações práticas, bem como ir falando ao longo da apresentação de textos;
· prever tempo para os estudantes lerem os textos de apoio às aulas, sobretudo se esses textos vão ser mencionados no decurso de uma aula;
· introduzir tópicos e conceitos novos de uma forma óbvia – explicar termos e conceitos novos;
· dar exemplos para ilustrar um ponto de vista, uma perspectiva, um assunto;
· fazer pausas regulares para permitir que os estudantes possam acompanhar;
· perguntar ao estudante disléxico se está conseguindo acompanhar o trabalho nas aulas;
· fornecer material escrito, formatando-o num estilo simples, claro e conciso;
· usar preferencialmente material impresso em detrimento de notas escritas à mão;
· evitar fundos com imagens ou figuras;
· uma fonte clara como o Arial ou o Comic Sans é mais fácil de ler do que fontes como o Times New Roman;
· não devem ser usadas demasiadas fontes diferentes num mesmo texto;
· não usar blocos densos de texto. É aconselhável o uso de parágrafos, diferentes tipos de cabeçalhos, símbolos gráficos a destacar partes de textos e numerar textos;
· destacar partes de textos ou palavras usando preferencialmente o negrito em detrimento do sublinhado ou itálico;
· imprimir em papel de cor pode ser mais fácil de ler para alguns estudantes com dislexia. Alguns estudantes com dislexia usam acetatos de cor que colocam por cima do texto para facilitar a leitura.
· são de evitar as tintas vermelha e verde, pois estas cores são particularmente difíceis de ler.
· usar formas alternativas de apresentar conteúdos como gráficos, diagramas, etc.

Avaliações
Em situação de avaliação as capacidades de escrita e ortografia do estudante universitário disléxico podem piorar devido à pressão do tempo. Estes estudantes podem igualmente usar um tipo de linguagem mais básica, evitando palavras longas que lhes torna mais lento o processo de expressão escrita.
· As perguntas devem ser expressas em Iinguagem clara e concisa;
· combinar com os estudantes disléxicos a data de entrega de trabalhos;
· permitir a este estudantes o uso de corretores ortográficos e/ ou outras formas de trabalho que os ajudem a detectar e corrigir os próprios erros;

Trabalhos práticos
Podem surgir dificuldades quando estes trabalhos exigem apresentações escritas com prazos muito curtos – trabalhos escritos à mão podem ter uma péssima apresentação, bem como conter muitos erros ortográficos.
· Deve ser permitida a entrega destes trabalhos impressos, portanto escritos usando o computador;
· os estudantes disléxicos podem ter dificuldades em seguir instruções, de forma que estas devem ser claras e simples;
Estratégias de apoio à avaliação e classificação e classificação
Deve sempre dar feedback ao estudante sobre a avaliação que fez do trabalho apresentado por ele. Sempre que necessário deve conversar com ele sobre esse assunto.
Quando pontua um trabalho use marcadores diferentes para diferenciar o conteúdo da apresentação (ortografia e gramática, bem como organização das idéias).
Comemorar?
Sim, o disléxico tem como predominante característica a dificuldade no manejo da palavra conquanto símbolo gráfico.
Em contrapartida tem,
* Ótima noção de situação, com seu senso de contexto e oportunidade,
* Aguçada percepção da tônica do momento, com apurada intuição e sensibilidade,
* Excelente memória fotográfica e orientação espacial,
* Grandes habilidades como estrategista e visão de conjunto,
* Importantes habilidades sociais e empatia,
* Desenvolvida competitividade e perfeccionismo,
* Natural criatividade e inventividade,
* Enorme alegria e espontaneidade,
Que o tornam ... um vencedor!
0

DISLEXIA: PERGUNTAS E RESPOSTAS

                                                          
1. Qual a origem da dislexia?

É uma palavra de origem grega. Dis, quer dizer, dificuldade. Lexia, palavra, leitura. O primeiro relato de dislexia data de 1896, a partir de uma queixa de um jovem de 14 anos que vai a um médico ofalmologista relatar sua dificuldade específica de ler e escrever, tendo surpreendentemente intactas as habilidades em matemáticas e outras disciplinas escolares.

2. Quais os sinais mais comuns de uma criança disléxica?
Na educação infantil, o atraso da fala é um indício importante. No ensino fundamental, a dificuldade de alfabetizar-se em leitura, soletrar, por exemplo, um texto, em voz alta perante uma sala de aula ou para si mesmo. No ensino fundamental, se a soletração não tiver sido resolvida, o aluno terá implicações no entendimento do texto em todas as disciplinas escolares. A falta de consciência fonológica durante a alfabetização leva à dislexia escolar.

3. Dislexia tem cura?

Se for de origem genética, não. E por isso, será considerada uma síndrome, uma dislexia desenviolvimento, evolutiva ou genética. Se a dislexia é de natureza escolar, a mudança do método de leitura, por exemplo, mudar o método global para o fônico,pode trazer resultados bastante animadores para os disléxicos, docentes e aos pais.

4. Qual o papel da família no processo de tratamento?
Os pais devem ficar atentos sobre o desempenho leitor de seus filhos. As baixas notas em língua portuguesa e a falta de interesse em ler textos podem ser sinais de alerta importante para um pedido de ajuda profissional. Os alunos que são disléxicos tendem a se afastar de atividades que envolvem a leitura ou texto escrito, temendo as dificuldades inerentes ao sistema escrito da língua e caminham para atividades outras como atividades de lazer, esporte, liderança escolar, entre tantas em que possa revelar seu potencial de criação e inteligência.

5. Quais atribuições cabem à escola, enquanto instituição que identifica os primeiros sinais desse distúrbio?

Cabe à escola oferecer aos pais de alunos e aos próprios alunos, metodologias interessantes e eficientes, do ponto de vista pedagógico, para atender os alunos especiais, os que apresentam dificuldades em leitura, escrita e ortografia. É incumbência da escola e, em especial dos professores, oferecer recuperação de estudos para aqueles que têm baixo rendimento escolar.

Vicente Martins - Professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará.
0

O Professor e o Trabalho com o ALUNO DISLÉXICO

                                                       
Depois de detectada a Dislexia, cabe à escola, juntamente com o professor, trabalhar este aluno de maneira “distinta”, para fazer com que este consiga amenizar seu distúrbio de aprendizagem. Mesmo com um trabalho diferenciado, a criança nunca deixará de ser disléxica, mas poderá ter uma vida escolar quase “normal”, podendo aprender a ler e escrever como os demais, apesar das dificuldades que possui.
Para trabalhar com a criança disléxica, o professor necessita ser capacitado e ter conhecimento à cerca da Dislexia. Ele precisa saber o que é a dislexia, sua causa, bem como saber diagnosticar a mesma. Com essas informações o professor pode trabalhar com o aluno em sala de aula, não deixando que este se sinta excluído e com auto-estima baixa.
Na maioria das vezes, os professores têm um conceito errado em relação ao problema apresentado pelo aluno, considerando-o relapso, desatento, preguiçoso e sem vontade de aprender. Isso faz com que o aluno se sinta incapaz, sem motivação, têm reações rebeldes e até desperta um quadro de depressão. O quadro se agrava ainda mais quando ocorre a repetência e evasão escolar, pois muitas vezes não temos o real diagnóstico. Segundo OLIVEIRA (1997), muitos professores, preocupados com o ensino das primeiras letras, e não sabendo como resolver as dificuldades apresentadas por seus alunos, várias vezes os encaminham para as diversas clínicas especializadas que os rotulam como “doentes”, incapazes ou preguiçosos. Na realidade, muitas dessas dificuldades poderiam ser resolvidas dentro da própria escola.
Em primeiro lugar, o professor precisa ter paciência para trabalhar com este aluno buscando, através da motivação diária, atender as necessidades que o mesmo apresenta. Este não deve ser alfabetizado pelo método tradicional, pois a criança com dislexia não consegue internalizar o todo, necessitando ter um trabalho individualizado, com bastante repetição, utilizando, também, o método fonético, pois sua dificuldade está, principalmente, em fixar os fonemas. Este trabalho deve iniciar-se pela leitura de livros com uma simples compreensão, aumentando gradativamente o conteúdo dos mesmos e só chegar ao todo quando achar que o aluno já está preparado ou capacitado para ter esta compreensão.
Este trabalho deve ser realizado em parceria com os pais do disléxico. Primeiro passo é o diagnóstico real do problema emitindo por um especialista, após, professores, juntos com os pais, necessitam conversar e expor o problema para a criança portadora de Dislexia. Deverá buscar restabelecer sua auto-estima, confiança através da orientação e instrução adequadas para que o mesmo, pouco a pouco, vá superando o trauma da sua incapacidade de aprender a ler e escrever corretamente.
Desta forma, os pais e professores precisam trabalhar em conjunto, onde um não pode contradizer o outro, buscando aumentar a sua motivação para restaurar a sua autoconfiança em si mesmo, valorizando o que ele faz mesmo que não esteja correto tendo o cuidado para não enfatizar os erros cometidos por ele.
É necessário valorizar todo o esforço e interesse demonstrado pelo mesmo, respeitando seu ritmo, pois o disléxico necessita de mais tempo para pensar e entender o que é para ser feito, que um aluno normal. Para isso o professor necessita ter paciência e força de vontade ajudando este aluno, pois não existe um método específico de alfabetizar os mesmos.
O educador precisa conhecer o assunto (um dos principais objetivos deste curso) e buscar informações com pessoas conhecedoras do assunto para daí elaborar atividades para esta criança, sendo que, nenhum disléxico é igual, todos têm alguma peculiaridade a ser desvendado pelo professor.
Uma outra maneira de ajudar este aluno é explicando para ele que sua dificuldade na aprendizagem da leitura e escrita tem um nome: Dislexia, sendo que, o professor quer ajudá-lo a superar este problema e depende dele superá-lo, não desistindo no primeiro obstáculo, mas seguindo firme buscando com coragem e persistência o conhecimento como os demais.
Novamente, intensifica-se a idéia de que o professor precisa ter calma com este aluno, pois ele será mais lento que os demais, necessitam dar mais tempo para ele fazer a prova, copiar a matéria da lousa, resolvê-la. Além disso, é necessário usar de diferentes estratégias para com este aluno, para que ele entenda conteúdo como: o uso de materiais estimulantes e interessantes, os quais ele possa ver sentir, ouvir, manusear, etc.: jogos, cartazes, histórias em CD, material dourado, etc., buscando ensiná-lo da maneira como ele entender melhor o conteúdo proposto mesmo que seja através de uma brincadeira onde tudo seja realizado na oralidade.
0

Violência na escola

Professores e alunos do curso de Pedagogia, da Universidade Estadual de Maringá (UEM) de Maringá e de Cianorte (Paraná) escolheram, em 2006, debater sobre a violência “na” e “da” escola.
Os especialistas convidados foram os professores Roberto da Silva e Flavia Schilling (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), e Ana Maria Mercês (PUC –SP), fizeram conferências esclarecedoras sobre o  assunto, provocando reflexões e debates para além do momento de suas exposições.
Como um dos organizadores, depois do sucesso dos dois eventos, o autor desse artigo continuou realizando leituras sobre o assunto, e até elaborou um projeto de extensão que trata da crise das relações no interior da escola sob o olhar do cinema.  Acrescentou-me especialmente ler o cap. 7, do livro “Relação com o Saber: formação dos professores e globalização” (Ed. Artes Médicas, 2005), do sociólogo Bernard Charlot, que indica mais alguns pontos para completar a análise dos professores convidados:
1)  Além da violência “na” e “da” escola, existe a violência “à” escola. Recapitulando. A violência na escola é aquela que se produz dentro do espaço escolar, sem estar ligada à natureza e às atividades da instituição escolar: por ex.: quando um bando entra na escola para acertar contas de disputas do narcotráfico. A violência da escola é a violência institucional, simbólica, reproduzida através de seus agentes (professores, serventes), dos modos de atribuição de notas, de distribuição das classes, dos castigos, dos atos de exclusão, etc.
Segundo Charlot (op.cit.), existe ainda a violência à escola, que está ligada aos atos contra a escola; são casos em que alunos provocam incêndios, ameaçam, insultam ou agridem os professores ou funcionários da escola. Parece-me que essa dimensão da violência escapou de ser debatida no nosso evento.
Por que se preocupar com tais distinções? Porque, essas distinções orientam os professores e pesquisadores para pensarem a relação efeito e causas da violência, e também leva-os pensar preventivamente sobre o que fazer com cada situação. “Devemos perguntar por que a escola, hoje, não está mais ao abrigo de violências que outrora eram detidas em suas portas”, e o que “legalmente” pode a escola fazer face a essas situações, alerta Charlot.   
2)  Ainda, o autor acha pertinente estabelecer uma distinção entre violência, indisciplina, e incivilidade. Os especialistas brasileiros já vinham alertando a necessidade de distinguir indisciplina da violência (cf.: referências). A essas duas categorias, os pesquisadores franceses acrescentam a “incivilidade”. Redefinindo. O termo violência[1], pensam os franceses, deve ser reservado ao que ataca a lei com uso da força ou que ameaça usá-la: lesões, extorsão, tráfico de drogas na escola, insultos graves”, bullying. A indisciplina pode ser considerada um ato “normal” de transgressão. Considera-se “normal” o adolescente expressar conduta contrária ao regulamento interno do estabelecimento, que não é ilegal do ponto de vista da lei. A incivilidade é aonde a educação ainda não se efetivou no aprendiz; não é indisciplina e nem violência, mas efeito da ignorância. Os sociólogos franceses entendem que a incivilidade não contradiz com a lei, nem com o regimento interno do estabelecimento, mas sim, com as regras da boa convivência: a falta de respeito, uso do palavrão, a não realização dos trabalhos escolares, absenteísmo, não cumprimentar, não pedir desculpas, brincadeiras de mal gosto, empurrões, ausência de bons modos em público, ataque cotidiano ao direito de cada um (professor, funcionários, alunos) ser respeitado, etc.
Da distinção para a prática
A professora escolar precisa levar em consideração a “normalidade” de algumas transgressões dos alunos, sobretudo, considerando o aumento número de pais negligentes e sem vocação para verdadeiramente educar os filhos. A escola contemporânea convive com o dilema: educar e/ou ensinar?  Deve “ensinar as crianças como o mundo é” ou “instruí-las na arte de viver”? (ARENDT, 1972).
Os adolescentes estão sempre testando os limites (seus e dos outros); eles recusam seguir as regras que o sistema escolar e a sociedade impõem. Muitos deles foram apenas criados, mal criados, e não educados. Sua rebeldia, no fundo, é contra o sistema de imposições e de exclusão.  Convenhamos, existem regras injustas nas escolas, e professores mal educados.
Cabe ao professor/ professora obviamente “bem educado” distinguir um ato de indisciplina da incivilidade, e da violência, para dar encaminhamentos diferenciados. Atos que configuram violência (ex: tráfico de drogas, depredação, caso de lesão corporal, etc.) escapam do domínio da direção da escola, porque são de domínio da polícia e da justiça. Inversamente, um xingamento dirigido para a professora deve ser examinado pela equipe pedagógica e não justifica que se chame a polícia ou se abra um processo na justiça. Quanto à incivilidade, ela depende fundamentalmente de uma intervenção educativa, dentro e fora da escola.
Nos dias atuais parece estar crescendo a incivilidade entre os alunos. Arrisco-me apontar algumas causas: o convívio tribal avesso à civilidade, códigos que reforçam grosserias e insensibilidade em relação ao próximo, atos de barbárie incentivados pelo grupo, etc.
A falta de civilidade da nova geração pode ser indício de que os pais falharam na educação, mas eles não devem ser os únicos responsáveis. É possível que os pais hoje não sejam tão importantes para educar os filhos, como sinaliza o estudo de Judith Harris (1998). A influência dos grupos de pares, a televisão, os games, a interação com alguns sites da internet, juntos, promovem a incivilidade como se fosse um bem. Ser um bad boy ou uma bad girl representa um mais-gozar. Sozinha, a escola não tem o poder de reverter o processo de barbarização dos jovens. Até porque o professor pouco consegue estabelecer um vínculo transferencial positivo com os alunos interessados. Alunos incivilizados e não reconhecidos nessa condição podem reagir inconscientemente com indisciplina e até violência. Portanto, é urgente preparar os professores para saber interpretar e lidar com a nova geração resistente a ser civilizada. Não se trata de inculcar em ambos os valores da classe dominante, mas sim, transmitir os valores universais da civilização: convivência, respeito, tolerância, simpatia...
Concluindo...
O professor Roberto da Silva, na sua conferência, argumentou sobre a necessidade de se fazer registros das ocorrências cotidianas, sobretudo daquelas que envolvem alunos e professores, alunos e patrimônio escolar (carteira, parede, quadro, aparelhos, etc.), visto que tal documento se constitui a memória do estabelecimento escolar.  Ou seja, o histórico das ocorrências pode pesar nos argumentos e na tomada de decisões acertadas em situações que envolvam as distinções que registramos nesse escrito.

Referências
ARENDT, H. A crise na educação. In: Entre o passado e o futuro. SP: Perspectiva, 1972.
CHAUI, M. Convite à filosofia. 7. ed. São Paulo: Ática, 2000.
HARRIS, J. H. Diga-me com quem anda... Rio: Objetiva, 1998. Tb. “Os pais tem importância?”- documentário exibido pelo GNT, 1999.
CHARLOT, B. Relação com o Saber: formação dos professores e globalização. P. Alegre: Artes Médicas, 2005.
COM MEDO DOS ALUNOS. Reportagem de Ruth Costas. http://www.adur-rj.org.br/5com/pop-up/medo_alunos.htm Fonte: Veja, edição, nº  1904, 11/05/2005. http://www.google.com.br/search?q=%22com+medo+dos+alunos%22+&hl=pt-BR&start=10&sa=N
ISME. Pesquisa coordenada pelo ISME detalha problemas de convívio nas escolas de São Paulo. Rev. Idéia, ano 5, n. 6, 2007.
OLIVEIRA, Érika C. S.; MARTINS, Sueli T.F. Violência, sociedade e escola: da recusa do diálogo à falência da palavra. Psicologia & Sociedade, São Paulo, v. 19, n. 1, p. 90-98, jan/abr. 2007.
SCHILLING, F. A sociedade da insegurança e a violência na escola. São Paulo: Moderna. 2004. 
SPOSITO, M. A instituição escolar e a violência. Cad. de Pesquisa da Fundação Carlos Chagas. São Paulo, n. 1, jul 1981,
SPOSITO, M. Breve balanço da pesquisa sobre violência no Brasil. Educação e Pesquisa. São Paulo, v. 27, n.1, p. 87-103, jan./jun, 2001.
TAVARES DOS SANTOS, J. V. A violência na escola: conflitualidade social e ações civilizatórias. Educação e Pesquisa, v. 27, n.1, p.105-122, jan./jun, 2001.
ZALUAR, A. Um debate disperso: violência e crime no Brasil da redemocratização. Rev. São Paulo em Perspectiva. São Paulo, v. 3, n. 13, p.03-17, 2000.