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Quem disse que brincar não é coisa séria?

 
 
1 brinquedo, 10 lições
 

Repartir, conservar, ordenar, imaginar e se expressar estão entre os diversos ensinamentos do brinquedo à criança; pais e cuidadores não devem limitar a criação de novos usos.
Brinquedos são muito mais que objetos capazes de distrair as crianças. Em cada um deles, um arsenal de aprendizados está guardado e prestes a ser despertado pelo contato. Repartir, conservar, ordenar e imaginar são apenas algumas das lições comuns a uma boneca, um carrinho ou uma caixa de papelão.

E, antes de se meter na brincadeira, vale saber que o melhor é não limitar a exploração e a criação livre de novos usos para o mesmo objeto. Dessa ação, nascem traços como criatividade e autonomia, importantes por toda a vida.

1. Organização

Guardar os brinquedos é o primeiro contato com a necessidade de organizar. Mais do que a imposição da ordem, vale a valorização da funcionalidade dela. Organizar é preciso para depois saber onde os brinquedos estão. A própria criança pode ajudar a escolher o lugar que acha mais apropriado para cada coisa -a prateleira dos jogos e a caixa dos bonecos, por exemplo

2. Partilha

Crianças aprendem rápido que brincar com outras é mais legal do que brincar sozinhas. Atitudes de compartilhamento e de troca surgem espontaneamente dessa descoberta. Brinquedos velhos ou excesso de brinquedos podem ainda servir para a introduzir outras partilhas: é possível repassá-los a crianças menores, doá-los a que não tem brinquedos até cedê-los à escola

3. Conservação

O que é bem cuidado dura mais. Essa lição pode ser reforçada a partir da manutenção dos brinquedos. Participar do conserto de um brinquedo ensina que nem tudo que se quebra está perdido. Colar partes e reunir pedaços encaixáveis são reparos que as crianças podem dominar. Vale lembrar aqui que conservar é diferente de guardar o que não serve mais

4. Identidade (imitação, símbolos)

O brinquedo é uma ferramenta para a imitação dos modelos reais. Entre as crianças mais velhas, essa imitação se torna carregada de conteúdo símbólico. No brinquedo, a criança se projeta e projeta outras pessoas que conhece e experimenta fantasiar as tarefas cotidianas dela. Exercita papéis diversos, brincando de ser o outro e apredendo mais sobre si mesma

5. Criatividade e imaginação

Criar e imaginar perpassam a atividade lúdica. É a fantasia que permite transformar uma boneca em um bebê, um punhado de terra em um bolo ou uma caixa de sapato em um carrinho. É importante que pais e cuidadores não subestimem a criação de hipóteses nem reduzam a experiência de explorar livremente o brinquedo. A habilidade nascida disso fará diferença no futuro

6. Sociabilização

Basta ir a um parquinho ou à praia para observar como as crianças se valem dos brinquedos como meio de sociabilização. Recorrendo a eles, desenvolvem abordagens de aproximação. Negociam e conduzem atividades coletivas. O ideal é interferir minimamente nesses contatos. E, até na confusão por um brinquedo, todos têm argumentos que merecem ser ouvidos

7. Autonomia

Com o brinquedo na mão, a criança escolhe o que quer fazer (ou faz o que combinou com os amigos). O contato com o objeto é instigante e gera motivação para que ela o explore e ganhe habilidade para utilizá-lo. Essa capacidade de auto-gestão vai ser reproduzida até mesmo nas situações em que tem de se distrair, mas não há nenhum brinquedo por perto

 
8. Linguagem


A comunicação é uma das molas-mestras na construção da brincadeira. Ela é necessária para a expressão e para a compreensão das outras crianças. O brinquedo ajuda a desenvolver a elaboração da linguagem oral e, entre as crianças não-alfabetizadas, chega a assumir a carga de um texto. A troca de informações amplia o vocabulário e aperfeiçoa a fala

 
9. Regra


Qualquer brinquedo desencadea relações com regras de uso, desde as regras pré-existentes de um jogo às regras combinadas entre as próprias crianças. É preciso decidir quem será quem na brincadeira de casinha, decidir quem vai pedalar no velocípede primeiro, quem espera a vez e por quanto tempo espera. Essas vivências ensinam que regras são necessárias

10. Solução de problemas

Enquanto brincam, as crianças embarcam numa busca contínua por novas respostas. Deparam-se com situações imprevistas e são instigadas a solucioná-las. Aprendem a ajudar quem sabe menos e compartilham dicas para que o participante novo possa entrar na brincadeira que ainda não conhece. Essa habilidade de solucionar contribui para o bom desempenho escolar.

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Fontes: ÁDERSON LUIZ COSTA JÚNIOR, professor de psicologia da saúde e de desenvolvimento humano do Instituto de Psicologia da UnB (Universidade de Brasília) GLÁUCIA PALMIERI, professora de educação infantil da Escola Teia Multicultural, em São Paulo e MARIA ANGELA BARBATO, coordenadora do Núcleo de Cultura, Estudos e pesquisas do Brincar da PUC-SP (Pontíficia Universidade católica de São Paulo).


Leia mais: http://tmamore.webnode.com.br/
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Como organizar um ambiente agradável e acolhedor para as crianças

                                       Organização da Sala de Aula
                                                                                        Texto de Ivanise Meyer
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A organização da sala de aula revela nossa maneira de pensar Educação.
Porém, pode acontecer que a organização seja padronizada pela escola, ou simplesmente existir pouca possibilidade de modificar o espaço por vários motivos...
No meu livro Brincar & Viver eu conto a minha história como professora de Educação Infantil e de como modifiquei o espaço da sala de aula para receber as crianças dessa faixa etária.
A arrumação da sala depende da professora, mas a manutenção da mesma deve ser compartilhada com as crianças: arrumar os brinquedos e livros, limpar o que sujar, são atitudes de cuidado com a sala.
A limpeza e higienização do ambiente deverá ser realizada pelo profissional responsável na escola.
Deixarei aqui no Baú de Ideias algumas sugestões para deixar sua sala mais aconchegante, alegre, dinâmica e organizada.
É importante ter um espaço para a "roda de conversas". As crianças devem sentar ao redor da educadora de forma confortável. Se necessário, pode-se forrar o chão com esteiras ou tapetes laváveis.
A "roda de conversas" também pode acontecer em outros espaços da escola como em um pátio, parque ou debaixo de uma árvore (quintal). O importante é garantir que a turma possa estar com a educadora sem "interrupções" externas.

Lemos para as crianças todos os dias!
Cada dia podemos ter um tipo de texto: um poema, uma história, uma parlenda, um trava-língua, um capítulo de uma história, uma informação sobre um animal...
É importante ler para a criança, pois o professor será seu modelo de leitor.
Essa leitura precisa ser planejada (escolha o livro, o tema, verifique se precisará de algum objeto ou música para enriquecer a leitura), o espaço poderá ser o mesmo da "roda de conversas", ou fora da sala (no pátio, debaixo de uma árvore, na sala de leitura ou biblioteca escolar).
Quantas mesas haverá na sala?
As mesas podem ser usadas como "cantinhos" (cantos) para: jogos pedagógicos, modelagem, colagem, desenho e brinquedos que necessitem do apoio da mesa.
As mesas também são usadas para atividades de escrita. Geralmente, o número de mesas equivale ao número de alunos na sala.
No trabalho diversificado, pode-se diminuir o número de mesas, pois nem todos estarão sentados fazendo uma mesma atividade.
O cantinho de leitura é um espaço importantíssimo na sala de aula.
Onde as crianças encontrarão variados materiais de leitura: livros, revistas, gibis, jornais, livros de receitas, atlas, dicionários, etc.
As crianças aprendem a manusear o material (escolher o material, ler e devolver no mesmo lugar), a ter cuidado o material (não amassar, rasgar ou rabiscar) ampliando sua autonomia.
Importante: não deixe lápis (ou material para escrever) neste espaço.
Um cantinho para as artes é fundamental!
Um dos espaços da sala  pode ser reservado para as Artes Plásticas:
desenho, pintura, modelagem e colagem.
Este é um espaço que precisa da organização pela professora (manter os materiais necessários) e das crianças (aprendem a manusear os materiais para suas produções).
A limpeza posterior deve ser compartilhada com as crianças.
Um dos cantinhos preferidos das crianças da Educação Infantil é o da dramatização: a "casinha" ou "casa de bonecas", no qual elas vivem os papéis familiares e constroem relações com os colegas da turma.
Para organizar esse espaço você pode dispor de móveis e utensílios em tamanho reduzido, bonecas diversas (de plástico, de tecido) e outros brinquedos.

O cantinho de Ciências pode ser montado com experimentos de acordo com o projeto desenvolvido.
Livros de assuntos estudados também podem ficar neste canto.
Já montei aquário na sala várias vezes, as crianças adoram observar os peixinhos!
Também podemos montar terrários.


Caso haja espaço na sala, pode existir um espaço para brincadeiras no chão: carrinhos, construção, etc.
Um quadro-de-giz (ou quadro-branco) será um espaço para registros provisórios, pois serão apagados no final da aula. O que necessitar ficar exposto (ou guardado) deverá ser registrado em cartaz ou "blocão".
Eu uso para registrar a data do dia, escrever o planejamento diário, produzir textos com as crianças, escrever seus nomes (listas), ou seja, quando escrever seja uma forma de comunicar algo importante para a turma.
O que encontraremos nas paredes?
O que mereça ser registrado e ser lido pelas crianças.
  • Mural: é um quadro preso à parede. Nele podemos organizar os trabalhos das crianças, ou enfeitar de acordo com o projeto desenvolvido. O mural é um espaço que deve ser modificado periodicamente.
  • Cartaz: ele comunica algo que esteja sendo estudado, deverá ficar na altura dos olhos das crianças. Os cartazes podem compor um "blocão", organizando as folhas de forma que fiquem presas na parte superior.
  • Calendário: pode-se trabalhar com calendário semanal, mensal e anual. Ao utilizar o calendário com a criança, ela percebe a sequência dos dias, semanas, meses e a passagem de tempo ao longo de um ano.
  • Aniversariantes: pode ser um cartaz com todos os aniversariantes, ou mensal. Também pode estar organizado no mural.
  • Combinados: são as regras de convivência da turma. Gosto de imprimir e deixar em local que possa ser consultado pelas crianças e por mim quando há necessidade de "relembrar".
  • Alfabetário: são as letras do alfabeto organizadas, geralmente, na horizontal para facilitar a leitura. É um importante material de apoio.
  • Faixa numérica: são os numerais de 0 a 9; o número está associado à quantidade (elementos). Também é um material para consulta.
  • Dependendo do projeto, pode-se pendurar pela parede: mapas, cartazes do corpo humano, ou sobre temas específicos (animais, plantas, etc).
  • O espelho serve para atividades especifícas ou mesmo para que se vejam. As crianças adoram um espelho!
  • O cartaz de boas vindas do início do ano pode ser renovado a cada período, como novos temas.

    Saindo da sala, as crianças deverão contar com espaço para brincadeiras ao ar livre.
    Se chover, mude a organização das mesas,
    crie mais espaço em sua sala e faça brincadeiras bem divertidas!

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