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Como diferenciar os transtornos em uma pessoa

TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS NA INFÂNCIA
O pensar, a capacidade de utilizar uma linguagem escrita, falada ou ainda de experimentar sentimentos não nascem com a criança, estando profundamente relacionados a seu desenvolvimento.
Desde o nascimento, o bebê vai tendo experiências na relação com a mãe ou com quem o cuida que lhe vão permitindo, de forma rudimentar, classificar "o que é igual ou diferente". Ao cuidar do bebê, a mãe deverá ser capaz de "traduzir", à sua maneira, as necessidades do mesmo. Os gestos ou tipos de cuidados fazem com que o bebê aprenda a discriminar as suas sensações do ambiente externo. Dessa maneira, é de suma importância que o cuidador tolere sensivelmente o desconforto do bebê, administrando os cuidados necessários afetivamente, para que dessa maneira a criança construa uma integrada condição emocional.
Existem, entretanto, transtornos psiquiátricos que podem ocorrer no desenvolvimento da criança, os quais examinaremos a seguir e que são:
Transtornos da aprendizagem, transtornos das habilidades motoras e transtornos da comunicação (linguagem)

Os transtornos da aprendizagem referem-se a dificuldades na leitura, na capacidade matemática ou nas habilidades de escrita, medidas por testes padrões que estão substancialmente abaixo do esperado, considerando-se a idade da criança, seu quociente de inteligência (QI ) e grau de escolaridade.

No transtorno das habilidades motoras, o desempenho em atividades diárias que exigem coordenação motora está abaixo do esperado para a idade, como por exemplo atraso para sentar, engatinhar, caminhar, deixar cair coisas, fraco desempenho nos esportes ou caligrafia insatisfatória. Muitas vezes essa criança é vista como desajeitada, tropeçando com freqüência ou inábil para abotoar suas roupas ou amarrar os cadarços do sapato.

Nos transtornos da comunicação a perturbação pode manifestar-se por sintomas que incluem um vocabulário limitado, erros grosseiros na conjugação de verbos, dificuldade para evocar palavras ou produzir frases condizentes com sua idade cronológica. Os problemas de linguagem também podem ser causados por perturbações na capacidade de articular sons ou palavras.
Não é raro a presença de mais de um desses transtornos de aprendizagem em uma mesma criança, muitas vezes estando associados com o transtorno de hiperatividade e déficit de atenção. O tratamento das dificuldades de aprendizagem inclui muitas vezes reforço escolar, tratamento psicopedagógico ou até mesmo encaminhamentos para escolas especiais, dependendo da gravidade do problema. A baixa auto-estima, a repetência escolar e o abandono da escola são complicações comuns nesses transtornos. Assim, a abordagem psicopedagógica e o aconselhamento escolar são cruciais. Pode estar indicada também tanto a psicoterapia individual quanto a de grupo ou familiar, conforme a situação. O tratamento com medicação está indicado apenas em casos comprovadamente associados a transtornos que exijam o uso de remédios, como o TDAH e quadros graves de depressão e fobia escolar.

Transtorno do déficit de atenção-hiperatividade
As crianças com esse transtorno são consideradas, com freqüência, crianças com um temperamento difícil. Elas prestam atenção a vários estímulos, não conseguindo se concentrar em uma tarefa única e, assim, cometendo erros muitas vezes grosseiros. É comum terem dificuldade para manter a atenção, mesmo em atividades lúdicas e com freqüência parecem não escutar quando chamadas. Muitas vezes não conseguem terminar seus deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais. Têm dificuldade para organizar tarefas, evitando, antipatizando ou relutando em envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante. Costumam perder facilmente objetos de uso pessoal. Esquecem facilmente atividades diárias.
A hiperatividade aparece como uma inquietação, manifesta por agitação de mãos ou pés e não conseguir permanecer parado na cadeira. São crianças que quase sempre saem de seus lugares em momentos não apropriados, correm em demasia, têm dificuldade de permanecer em silêncio, estando freqüentemente "a mil".
Outra característica desse transtorno é a impulsividade, que aparece em respostas precipitadas mesmo antes de as perguntas terem sido completadas. Com freqüência, são crianças que têm dificuldade de aguardar sua vez, interrompendo ou intrometendo-se em assuntos alheios.
O transtorno deve ser diagnosticado e tratado ainda na infância para não causar maiores prejuízos ao desenvolvimento interpessoal e escolar da criança. O tratamento inclui psicoterapia individual e, às vezes, terapia familiar. Quase sempre faz-se necessário o uso de medicação com um resultado muito satisfatório.
Transtornos do Comportamento Disruptivo

Os transtornos da infância diretamente relacionados com o comportamento são os transtornos de oposição e desafio e o transtorno de conduta
 São caracterizados por um padrão repetitivo e persistente de comportamento agressivo, desafiador, indo contra as regras de convivência social. Tal comportamento deve ser suficientemente grave, sendo diferente de travessuras infantis ou rebeldia "normal" da adolescência. O Transtorno de oposição e desafio (TOD) tem maior incidência na faixa etária dos 4 aos 12 anos e atinge mais meninos que meninas. Tem como característica um comportamento opositor às normas, discute com adultos, perde o controle, fica aborrecido facilmente e aborrece aos outros.

No Transtorno de Conduta, que é mais comum entre adolescentes do que crianças e é mais comum também entre meninos, o padrão disfuncional de comportamento é mais grave que no Transtorno de oposição e desafio. Eles freqüentemente agridem pessoas e animais, envolvem-se em brigas, em destruição de propriedade alheia, furtos ou ainda agressão sexual. Sérias violações de regras, como fugir de casa, não comparecimento sistemático à aula e enfrentamento desafiador e hostil com os pais também são sinais da doença. Esse transtorno está freqüentemente associado à ambientes psicossociais adversos, tais como: instabilidade familiar, abuso físico ou sexual, violência familiar, alcoolismo e sinais de severa perturbação dos pais.
A comorbidade desses transtornos com o abuso de substâncias e TDAH chega a quase 50%. O tratamento dos transtornos de oposição e de conduta envolve principalmente psicoterapia individual e familiar, e às vezes reclusão em unidades corretivas. O tratamento das comorbidades é fundamental e pode necessitar de medicação (nos casos de TDAH) ou até internação (em quadros graves de dependência química).

Transtornos Depressivos na Infância
O reconhecimento de transtornos depressivos na infância ocorreu no final da década de 60. Surgiram então três conceitos: tais como hiperatividade, enurese, encoprese, déficit de aprendizagem e transtorno de conduta.
Transtornos depressivos ocorrem tanto em meninos quanto em meninas. Os sintomas de depressão podem ser : isolamento, calma excessiva, agitação, condutas auto e hetero-agressivas, intensa busca afetiva, alternando atitudes prestativas com recusas de relacionamento. A socialização está geralmente perturbada: pode haver recusa em brincar com outras crianças e dificuldade para aquisição de habilidades. As queixas somáticas são freqüentes: dificuldade do sono (despertar noturno, sonolência diurna), alteração do padrão alimentar. Queixas de falta de ar, dores de cabeça e no estômago, problemas intestinais e suor frio também são freqüentes.
A criança deprimida apresenta incapacidade para divertir-se, algumas vezes queixando-se de estar aborrecida. Assistem muita televisão não se importando qual seja o programa. A baixa auto-estima e a culpa excessiva, além da diminuição do rendimento escolar são característicos da depressão. Apresentam também muita irritabilidade, sendo descritas pelos pais como mal humoradas.
Os transtornos depressivos da infância podem ser classificados em duas formas bem distintas. A primeira delas, a distimia que, etmológicamente significa "mal-humorado", é uma forma crônica de depressão com início insidioso, podendo durar toda a vida da pessoa. Para firmar este diagnóstico é preciso que o humor seja depressivo ou irritável e esteja presente quase todos os dias por pelo menos um ano.
A outra forma de depressão, transtorno depressivo maior é caracterizada por períodos ou crises apresentando uma síndrome depressiva completa (todos os sintomas descritos anteriormente) por pelo menos duas semanas, causando importantes prejuízos na vida da criança. Podem estar presentes alucinações, ideação ou condutas suicidas. Essa crise é nitidamente diferente do funcionamento habitual da criança.
Os transtornos depressivos são bastante tratáveis hoje em dia, obtendo-se bons resultados. Pais que desconfiem que um filho sofra desse mal devem levá-lo a um psiquiatra ou serviço de psiquiatria para uma avaliação. O tratamento utiliza medicações antidepressivas e acompanhamento psicológico. Internações são necessárias em duas situações: quando o paciente fica psicótico (fora da realidade), o que é raro, ou quando existe risco de suicídio.

Transtornos Globais do Desenvolvimento (Autismo Infantil)
Esse grupo de transtornos é caracterizado por severas anormalidades nas interações sociais recíprocas, nos padrões de comunicação estereotipados e repetitivos, além de um estreitamento nos interesses e atividades da criança. Costumam se manifestar nos primeiros cinco anos de vida . Existem várias formas de apresentação dos transtornos globais, não havendo até o presente momento um consenso quanto à forma de classificá-los.
A forma mais conhecida é o Autismo Infantil, definido por um desenvolvimento anormal que se manifesta antes dos três anos de vida, não havendo em geral um período prévio de desenvolvimento inequivocamente normal. As crianças com transtorno autista podem ter alto ou baixo nível de funcionamento, dependendo do QI, da capacidade de comunicação e do grau de severidade nos seguintes itens:
 

prejuízo acentuado no contato visual direto, na expressão facial, posturas corporais e outros gestos necessários para comunicar-se com outras pessoas.
fracasso para desenvolver relacionamentos com outras crianças, ou até mesmo com seus pais.
falta de tentativa espontânea de compartilhar prazer, interesses ou realizações com outras pessoas (por exemplo: não mostrar, trazer ou apontar objetos de interesse ).
atraso ou ausência total da fala ( não acompanhado por uma tentativa para compensar através de modos alternativos de comunicação, tais como gestos ou mímicas ).
em crianças com fala adequada, acentuado prejuízo na capacidade de iniciar ou manter uma conversa.
uso repetitivo de mesmas palavras ou sons.
ausência de jogos ou brincadeiras variadas de acordo com a idade.
a criança parece adotar uma rotina ou ritual específico em seu ambiente, com extrema dificuldade e sofrimento quando tem que abrir mão da mesma.
movimentos repetitivos ou complexos do corpo.
preocupação persistente com partes de objetos.


Outras formas de transtornos globais do desenvolvimento são:  

Autismo atípico,
Síndrome de Rett,
Transtorno desintegrativo da infância,
Síndrome de Asperger.

O tratamento do transtorno autista visa principalmente uma educação especial com estimulação precoce da criança. A terapia de apoio familiar é muito importante: os pais devem saber que a doença não resulta de uma criação incorreta e necessitam de orientações para aprenderem a lidar com a criança e seus irmãos. Muitas vezes se faz necessário o uso de medicações para controlar comportamentos não apropriados e agressivos. O prognóstico destes transtornos é muito reservado e costumam deixar importantes seqüelas ou falhas no desenvolvimento dessas pessoas na idade adulta.

Transtornos de Tique
A manifestação predominante nessas síndromes é alguma forma de tique. Um tique é uma produção vocal ou movimento motor involuntário, rápido, recorrente (repetido) e não rítmico (usualmente envolvendo grupos musculares circunscritos), sem propósito aparente e que tem um início súbito. Os tiques motores e vocais podem ser simples ou complexos. Os tiques simples em geral são os primeiros a aparecer. Podem ser:  O tratamento requer medicação e psicoterapia, principalmente para diminuir o isolamento social que comumente ocorre nesse transtorno.

Transtornos da Excreção
Esse transtorno inclui a enurese e a encoprese . A enurese é caracterizada por eliminação de urina de dia e/ou a noite, a qual é anormal em relação à idade da criança e não decorrente de nenhuma patologia orgânica. A enurese pode estar presente desde o nascimento ou pode surgir seguindo-se a um período de controle vesical adquirido. A enurese não costuma ser diagnosticada antes da criança completar cinco anos de idade e requer, para ser caracterizada, uma freqüência de duas vezes por semana, por pelo menos três meses.
A encoprese é a evacuação repetida de fezes em locais inadequados (roupas ou chão), involuntária ou intencional. Para se fazer o diagnóstico é preciso que esse sintoma ocorra pelo menos uma vez por mês, por no mínimo três meses em crianças com mais de quatro anos. Ambas patologias podem ocorrer pelo nascimento de um irmão, separação dos pais ou outro evento que possa traumatizar a criança. A encoprese deliberada pode significar grave comprometimento emocional. Ambas podem durar anos, mas acabam evoluindo para uma remissão espontânea. Esses transtornos comumente geram intenso sofrimento na criança, levando a uma estigmatização, com conseqüente baixa da auto-estima. Geram também isolamento social e perturbações no ambiente e nas relações familiares.
O tratamento abrange psicoterapia e utilização de medicamentos.

Transtornos de Ansiedade na Infância
A ansiedade é um sentimento vago e desagradável de medo e apreensão, caracterizado por tensão ou desconforto derivados de uma antecipação de perigos. As crianças em geral não reconhecem quando seus medos são exagerados ou irracionais. Uma maneira prática de diferenciar ansiedade normal de ansiedade patológica é avaliar se a reação ansiosa é de curta duração, auto limitada e relacionada ao estímulo do momento. Os sintomas de ansiedade podem ocorrer em varias outras condições psiquiátricas tais como: depressões, psicoses, transtornos do desenvolvimento, transtorno hipercinético, entre outros. A causa dos transtornos ansiosos infantís é muitas vezes desconhecida e provavelmente multifatorial, incluindo fatores hereditários e ambientais diversos, com o peso relativo de cada fator variando de caso a caso.
Transtorno da Ansiedade de Separação
Esse é o mais comum dos transtornos de ansiedade, acometendo 4% das crianças. Caracteriza-se por uma ansiedade não apropriada e excessiva em relação à separação do lar (pais) ou de figuras importantes cuidadoras para a criança, inadequada para a fase do desenvolvimento da criança. Essas crianças, quando ficam sozinhas, temem que algo possa acontecer para elas ou para seus cuidadores (acidentes, seqüestro, assaltos, ou doenças) que os afastem definitivamente de si. Demonstram um comportamento excessivo de apego aos seus cuidadores, não permitindo o afastamento desses ou telefonando repetidamente para eles afim de tranqüilizar-se sobre seus temores. É comum nessas crianças a ocorrência de recusa escolar. Se a criança sabe que seus pais vão se ausentar apresenta manifestações somáticas de ansiedade (dor abdominal, dor de cabeça, náusea, vômitos, palpitações, tonturas e sensação de desmaio). Em muitos casos de crianças afetadas os pais foram ou são portadores de algum transtorno de ansiedade.
A perturbação tem uma duração mínima de quatro semanas e causa sofrimento significativo no funcionamento da vida da criança.
O tratamento requer psicoterapia individual com orientação familiar e intervenções farmacológicas quando os sintomas são graves e incapacitantes. Quando há recusa escolar, o retorno às aulas deve ser o mais rápido possível para evitar cronicidade e evasão. É muito importante haver uma sintonia entre pais, escola e terapeuta.

Fobias específicas e Fobia social
As fobias específicas são definidas pela presença de medo excessivo e persistente, relacionado a um determinado objeto ou situação. Exposta ao estímulo fóbico, a criança procura correr para perto de um dos pais ou de alguém que a faça sentir-se protegida. Pode apresentar crises de choro, desespero, imobilidade, agitação psicomotora ou até mesmo ataque de pânico. Os medo mais comuns na infância são de pequenos animais, injeções, escuridão, altura e ruídos intensos. Essas fobias diferenciam-se dos medos normais da infância por serem reações excessivas, não adaptativas e que fogem do controle da criança.
Na fobia social a criança apresenta um medo persistente e intenso de situações onde julga estar exposta à avaliação de outros , tendendo a sentir-se envergonhada ou humilhada. Essas crianças relatam desconforto em situações como :
 

falar em sala de aula,
comer junto a outras crianças,
ir a festas,
escrever na frente de outros colegas,
usar banheiros públicos.

Quando expostas a essas situações é comum apresentarem sintomas físicos como palpitações, tremores, calafrios, calores, sudorese e náusea.
O tratamento mais utilizado para essas fobias tem sido a psicoterapia cognitivo-comportamental.


FONTE:
http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?425
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Minha escola, minha vida !

A criança precisa confiar na escola
Luciene Correia*



“A escola é como uma outra casa para as crianças”, “A
professora é a segunda mãe”. Diversas vezes essas frases são
ditas para expressar a importância que o ambiente escolar tem
na vida da criança.

É o lugar onde as informações são fundamentais para o
processo de aprendizagem. Letras, números e palavras fazem
parte do dia-a-dia de milhares de alunos nas instituições por
todo o país.No entanto, a escola também é responsável por aprimorar a
formação do indivíduo. Cabe à ‘segunda mãe’ não só ‘cumprir o
conteúdo do bimestre’’ – prioridade estabelecida pela
instituição de ensino - mas ficar atenta ao comportamento de
cada um de seus alunos e estar pronta para orientar,
incentivar e ajudá-los a manter e promover o bem-estar das
crianças.Poucos são os profissionais da educação que exercem a
responsabilidade de ‘segunda mãe’. Tanto na rede pública, nas
escolas municipais ou estaduais quanto nas particulares, a
principal preocupação é chegar ao final do ano tendo cumprido
todo o plano do curso.Muitas vezes, a sala tem mais de trinta crianças e não é
possível conhecer a história de cada aluno. Em vários anos a
professora chega em novembro sem nem saber o nome de todas as
crianças da sala. Isso é real, mas não o ideal.É de fundamental importância que o educador conheça seus
alunos. Sendo assim, qualquer problema pode ser facilmente
diagnosticado simplesmente por observar algo de estranho no
comportamento da criança. Por isso, é mais provável que um
caso de violência doméstica seja constatado em crianças do
ensino básico. O professor logo percebe se o aluno está
machucado ou apenas diferente do dia anterior.Todos os profissionais da educação devem ser orientados para
que em caso de suspeita de maus-tratos, a coordenação da
escola seja avisada e os pais convocados para uma conversa
informal sobre possíveis conflitos em casa. Esse contato deve
ser sigiloso e com muito cuidado. Ninguém quer que a criança
seja vítima de novo, quando chegar em casa. É uma situação
muito complicada, mas o que é melhor? Fingir que não percebeu
que um de seus alunos está machucado (física e/ou
psicologicamente) ou tentar mudar a história daquele pequeno
ser?Na maioria das ocasiões, encaminha-se para tratamento com o
psicopedagogo da escola. Essa possibilidade só existe em
algumas escolas particulares. Nas escolas públicas, é
necessário acionar o serviço de saúde do município e aguardar
para avaliação e agendamento. É imprescindível o tato ao
lidar com essa questão. Pode ser uma ocasião não corriqueira.
Talvez até torturas diárias.E não estou falando só de
espancamentos que deixam marcas físicas, Falo também de
palmadas, tapas, chineladas, pequenas ou grandes surras...
Tudo o que provoca dor é violência. A criança não deve ser
educada com dor, mas sim com amor e paciência. Se o educador
não faz nada para defender os pequenos, ele é cúmplice dessa
violência.O que os professores dizem sobre isso? Lamentável, mas a
grande maioria diz não ter a ver com isso, ‘é assunto de
família’, outros dizem que ‘se apanhou, deve ter merecido’,
outros ainda que ‘sou professora e não assistente social.Essas respostas ouvi das próprias professoras numa pesquisa
feita na região metropolitana de São Paulo, no ano passado.
Também ouvi reclamações sobre a resistência à notificação de
algumas diretoras de escolas particulares. Elas temem que o
contato com os pais faça-os tirar os filhos daquela escola.
Nesse caso, o dinheiro da mensalidade é mais importante!
Pude constatar ainda que alguns educadores se recusam a
notificar por conta da ineficiência e ausência de programas
de apoio à família no município. Na verdade, os professores
dizem que fazer a notificação é procurar encrenca. Eles têm
muito medo de represálias. Nunca se sabe o que tem por traz
daquela violência. Por ser qualquer coisa.A notificação, segundo o R.A E. – Roteiro Administrativo da
Educação, é obrigatória quando maus-tratos envolvem crianças
e adolescentes. A lei número 10.498, de 2000, determina no
artigo 1o que órgãos públicos e, professores e responsável
por estabelecimento de ensino fundamental, pré-escola ou
creche notifiquem a violência.
Essa lei reafirma o que dispõe o ECA – Estatuto da Criança e
do Adolescente. O artigo 56 diz que os dirigentes de
estabelecimentos de ensino fundamental devem comunicar ao
Conselho Tutelar os casos de maus-tratos envolvendo seus
alunos.
Quando uma criança é agredida pelos pais ou responsáveis, o
professor ou o inspetor de alunos nota pelo comportamento da
criança. Outras vezes, são os colegas da vítima que percebem,
perguntam o que aconteceu ao amigo e vão contar ao professor. Uma conselheira tutelar de Mauá contou-me um encaminhamento
recebido de uma escola central da cidade. Ela conta que um
garoto de 11 anos se recusava a ir para a aula de educação
física e ao notar a insistência da professora, um colega do
garoto falou o que havia acontecido. O menino tinha sido
agredido pela mãe e estava muito machucado. A mãe havia
batido no filho com fios de elétricos e a surra praticamente
arrancou a pele dos braços do garoto.A orientação tanto da Secretaria quanto da Supervisão de
Ensino é que os educadores tentem resolver os problemas dos
alunos dentro da própria escola, sem envolver, nem acionar
outros órgãos. Quanto mais informal e familiar forem as
conversas entre os profissionais e os pais, melhores serão os
resultados. Dessa forma, os pais podem aceitar mudança de
comportamento para evitar mais situações de conflito.O grande problema é que as escolas da rede pública não têm
entre seus funcionários um psicopedagogo de plantão para
intermediar as conversas e fazer o trabalho de
conscientização dos pais.Em escolas nas quais há esse
profissional, todo e qualquer tipo de problema com os alunos
pode ser encaminhado para esse profissional. Não só questões
de aprendizagem, de comportamento em sala de aula, mas também
as de ordem familiar. Muitas vezes, uma criança que passa por
conflitos em casa e está apenas reproduzindo e expressando
sua indignação ou sofrimento é intitulada ‘ aluno-problema’
por muitos educadores se referindo àquela criança que exige
mais atenção do profissional. O problema pelo qual qualquer
criança passa repercute também na sua escolar e deve ser
tratado para que o seu desenvolvimento seja saudável. Um psicopedagogo tem papel importante de mediador nas
ocasiões em que qualquer problema é constatado ou, pelo
menos, suspeitado. Além disso, ele deve ajudar a circular
informações no ambiente escolar, deve socializar os direitos
e deveres previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente,
otimizar os vínculos escolares por meio de parcerias entre
pais, educadores e direção, promover palestras, encontros e
orientar os educadores sobre os sintomas da criança submetida
aos maus-tratos e seu reflexo no comportamento em sala de
aula. A proximidade proporciona a observação. E, dessa forma, é
possível tomar conhecimento dos segredos que os pais mantém
por trás das muralhas. O medo da denúncia pode diminuir com a
aproximação de um profissional que oferece ajuda. Muitas
vezes, o professor não toma a atitude de notificar porque
vive a situação no próprio lar e não sabe como sair desta
relação tirana, de submissão, ameaçadora, terrorista,
sadomasoquista. Se o professor é ‘bate para educar ‘seus
próprios filhos, o apoio é para os pais e não para o aluno
que sofre e confia nele.Não é difícil perceber quando uma criança foi agredida. Seu
comportamento é diferente. Geralmente a apatia ou
agressividade desenfreada é o primeiro indício.
Quando a criança é questionada sobre a proveniência dos
machucados, geralmente é reticente ou dá desculpas falsas.
Esse comportamento sugere um “mentir” por coação para
encobrir o pai ou a mãe. Labilidade de humor, sono, choro,
depressão, irritação sem motivo aparente, o aluno começar a
contar histórias de maus-tratos de animais, também podem ser
sinais de expressão de sofrimento decorrentes da violência.A violência familiar e a violência social são, com
freqüência, tratados isoladamente. Não somente isso, a
violência familiar não é reconhecida como um problema e, por
conta disso, não é alvo de discussões sérias e nem tampouco
tratada de forma a ser erradicada.As conseqüências das agressões sofridas no lar - se é se pode
chamar assim uma casa onde há violência – requerem custos
econômicos enormes, são despesas com médicos, apoio social e
psicológico, abrigo, entre outros. Mas, o preço da violência
ultrapassa o valor financeiro. Dinheiro não é o empecilho
para que isso seja solucionado. Melhor se fosse. O custo a
ser levado em consideração é o pessoal e o social do
sofrimento das vítimas.Freqüentemente, a sociedade enxerga as agressões que
acontecem dentro da casa do vizinho, por exemplo, como um
problema localizado e, preferem não se interferir. Esse
pensamento é bastante comum, já que não imaginam a ligação
que há entre a violência daquela casa e a que ocorre na
esquina. A agressão cometida num ambiente familiar não é
menos grave, ou não merece tanta atenção das pessoas.Além disso, as pessoas não costumam projetar a educação dada
àquela criança agredida na casa do vizinho na sociedade.
Estudiosos da área acreditam que pessoas que sofreram
violência na infância , quando crescem, reproduzem essa
atitude, tornando-se adultos violentos.

Depende de como você vê!
Autora:  Edna Ribeiro
       A leitura é tão complexa quanto a origem da população mundial.
       Ler não é simplesmente reconhecer os símbolos gráficos, mas abrir os olhos para um novo mundo realmente magnífico e esplêndido.
       Desde o tempo das cavernas,  a comunicação foi sempre atuante. As pessoas usavam aqueles símbolos estranhos, mas com muito sentido a cada traçado desenhado nas paredes das cavernas ou mesmo rabiscado no chão.
       Ler é um processo de construção das ideias e fatos imaginários. É uma viagem inexplicável, profunda  e longa que só quem lê passa por este êxtase.
      Tenho convicção que a leitura move céus e montanhas. É imprescindível notar o avanço a cada ano que passa dos novos escritores tentando adaptar-se aos novos leitores deste século.
       No mundo onde a informação é oferecida a cada fração de segundo, é preciso ter um novo estímulo para comprar um livro para ler. Os modos de leitura mudou muito; o jeito de ver o mundo também mudou. É a nova geração nos ensinando informática, criando e recriando novas tecnologias principalmente no campo da leitura  e da escrita. Como é bom ver tanta modernidade. Mas será que o excesso de informação é bom? Não seria preciso peneirar  um pouco e  subtrai as coisas ruins das boas e aproveitar o máximo possível das informações?
       Como é bom ler um livro!
       É preciso estar atento e mantermos atualizados para competirmos com a concorrência. O mesmo acontece com a leitura. A pessoa que lê adquire conhecimentos e torna-se um ser capaz de defender suas próprias opiniões.
       É preocupante o número de crianças e jovens que  deixam de  “saborear um bom livro”  para jogar na internet,  ficar em redes sociais longos períodos do dia.  Acham tempo perdido  folhear um livro.
       Eu me preocupo muito com esta geração que tudo sabe e nada quer. A qualidade das informações recebidas nem sempre condiz com a idade ou o momento apropriado. Tem maravilhas no mundo virtual, contudo depende de como é pesquisado ou retido por cada pessoa.
       Ler é muito mais que escolher um bom livro. É preocupar em alimentar o espírito.
       Tenho pensamento positivo sobre o que vem acontecendo como nossos livros. A decadência da leitura é um mito e eu acredito nisto!
       Para ler é preciso ter atitude e isto o ser humano esbanja!

 Baseado neste assunto foi desenvolvido a crônica acima.
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Artigo sobre como o professor pode ensinar a ler e a escrever ao mesmo tempo

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A importância da leitura no desenvolvimento infantil

 



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- Mamãe, conta aquela história outra vez? - E depois, você conta de novo? O valor e a importância que se dá à leitura começa em casa, muito antes das “letras” e da escola. Contar histórias é oficio antigo da humanidade, encontrado em todas as partes do mundo. O homem usa a palavra como instrumento mágico que produz bem-estar, prazer, satisfação, conhecimento. Os primeiros narradores de histórias oralmente transmitidas são os antepassados de todos os escritores. Fixar essas experiências através da escrita garante que os ensinamentos perdurem e que as raízes de cada um possam ser respeitadas e assimiladas. A leitura de adultos significativos para as crianças, é uma atividade prazerosa, uma forma de brincar com as palavras, de proporcionar uma rica fonte para a imaginação, que transporta a criança para mundos diferentes. Pais e professores da Educação Infantil e das séries iniciais são os responsáveis por criar os laços das crianças com a leitura. A infância é o tempo de maior disponibilidade a influências. As crianças gostam de “imitar” atos de leitura, e a família e os professores são ótimos modelos de leitores competentes. As crianças, no dia-a-dia, entram em contato com as mais trágicas histórias, nos jornais, revistas, TV, cinema, computador. Todos são “eventos de letramento”, mas que histórias, que leitura, em contrapartida, podemos oferecer às crianças deste século? As crianças têm, na infância, o melhor tempo disponível para ouvir ou fazer uma leitura descompromissada, movidas apenas pela curiosidade, pelo prazer, pelo descobrimento. Nosso papel é o de oferecer, desde cedo, o contato com obras-primas, com leitura ou “contação” de boa qualidade. Com isso é possível que a criança tenha uma formação e um desenvolvimento mais completo, mais interessante. Já disseram, mais de um educador, que a criança que cresce ouvindo histórias cresce mais feliz. A leitura é expressão estética da vida através da palavra escrita e contribui significativamente para a formação da pessoa, influindo nas formas de se encarar a vida. A criança é imaginativa, exercita a realidade através da fantasia, mas precisa de materiais exteriores – todas as formas de escrita – contos, histórias, fábulas, poemas, cantigas, para se constituir como pessoa. Gostam de leituras que lhes dêem utilidade e prazer. “Cobrar” leitura de uma criança é um erro bem fácil de se cometer. A criança vai crescendo e temos a tendência de deixá-la sozinha com sua “tarefa” de ler. Não devemos deixar de mostrar nossa paixão e envolvimento pelo que fazem, pelo que descobrem, mesmo que não seja o que sonhamos ou imaginamos para elas. Acabamos valorizando os livros de aprender a ler, os livros das diferentes disciplinas escolares que ensinam os conhecimentos culturais, mas nem tanto, os livros não utilizados na aprendizagem formal, os que normalmente são caracterizados como recreação. Se a criança não procurar, inicialmente, um livro como entretenimento, como poderá ela ter prazer de ler no futuro? Cecília Meireles mestra no uso das belas e boas palavras, que produzem tanto prazer, já dizia: “Ah! Tu, livro despretencioso, que, na sombra de uma prateleira, uma criança livremente descobriu, pelo qual se encantou, e, sem figuras, sem extravagâncias, esqueceu as horas, os companheiros, a merenda... tu, sim, és um livro infantil, e o teu prestígio será na verdade, imortal.
Maria Cristina Hoffmann - Educação Infantil Artigo publicado na revista Family and friends nº 8
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Bons motivos para cuidarmos da leitura

Bons motivos para cuidarmos da leitura

BONS MOTIVOS PARA CUIDARMOS DA LEITURA
Por: Andréa Machado e Edson Teixeira

A leitura é um processo muito mais amplo do que podemos imaginar. Ler não é unicamente interpretar os símbolos gráficos, mas interpretar o mundo em que vivemos. Na verdade, passamos todo o nosso tempo lendo!
O psicanalista francês Lacan disse que o olhar da mãe configura a estrutura psíquica da criança, ou seja, esta se vê a partir de como vê seu reflexo nos olhos da mãe! O bebê, então, segundo esta citação, lê nos olhos da mãe o sentimento com que é recebido e interpreta suas emoções: se o que encontra é rejeição, sua experiência básica será de terror; se encontra alegria, sua experiência será de tranqüilidade, etc. Ler está tão relacionado com o fato de existirmos que nem nos preocupamos em aprimorar este processo. É lendo que vamos construindo nossos valores e estes são os responsáveis pela transformação dos fatos em objetos de nosso sentimento.
Leitura é um dos grandes, senão o maior, ingrediente da civilização. Ela é uma atividade ampla e livre – fato comprovado pela frustração de algumas pessoas ao assistirem a um filme, cuja história já foi lida em um livro. Quando lemos, associamos as informações lidas à imensa bagagem de conhecimentos que temos armazenados em nosso cérebro e então somos capazes de criar, imaginar e sonhar.
É por meio da leitura que podemos entrar em contato com pessoas distantes ou do passado, observando suas crenças, convicções e descobertas que foram imortalizadas por meio da escrita. Esta possibilita o avanço tecnológico e científico, registrando os conhecimentos, levando-os a qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, desde que saibam decodificar a mensagem, interpretando os símbolos usados como registro da informação. A leitura é o verdadeiro elo integrador do ser humano e a sociedade em que ele vive!
O mundo de hoje é marcado pelo enorme fluxo de informações oferecidas a todo instante. É preciso também tornarmo-nos mais receptivos e atentos, para nos mantermos atualizados e competitivos. Para isso, é imprescindível leitura que nos estimule cada vez mais em vista dos resultados que ela oferece. Se você pretende acompanhar a evolução do mundo, manter-se em dia, atualizado e bem informado, precisa preocupar-se com a qualidade da sua leitura.
As operações do ato de ler
Ao ler realizamos as seguintes operações:
1) Captamos o estímulo, ou seja, por meio da visão, encaminhamos o material a ser lido para nosso cérebro.
2) Passamos, então, a perceber e a interpretar o dado sensorial (palavras, números, etc.) e a organizá-lo segundo nossa bagagem de conhecimentos anteriores. Para essa etapa, precisamos de motivação, de forma a tornar o processo mais otimizado possível.
3) Assimilamos o conteúdo lido integrando-o ao nosso arquivo mental” e aplicando o conhecimento ao nosso cotidiano
Livro interessante ou leitores interessados?
Observe: você pode gostar de ler sobre esoterismo e uma pessoa próxima não se interessar por este assunto. Por outro lado, será que esta mesma pessoa se interessaria por um livro que fale sobre História ou esportes? No caso da leitura, não existe livro interessante, mas leitores interessados.
Leitura eficiente
A pessoa que se preocupa com a qualidade de sua leitura e com o resultado que poderá obter, deve pensar no ato de ler como um comportamento que requer alguns cuidados, para ser realmente eficaz.

1) Atitude
Pensamento positivo para aquilo que deseja ler. Manter-se descansado é muito importante também. Não adianta um desgaste físico enorme, pois a retenção da informação será inversamente proporcional. Uma alimentação adequada é muito importante.Cuidado! Devemos virar a página, segurando-a pelo lado superior, antes de lermos a última frase!

2) Ambiente
O ambiente de leitura deve ser preparado para ela. Nada de ambientes com muitos estímulos que forcem a dispersão. Deve ser um local tranqüilo, agradável, ventilado, com uma cadeira confortável para o leitor e mesa para apoiar o livro a uma altura que possibilite postura corporal adequada.Quanto à iluminação, deve vir do lado posterior esquerdo, pois o movimento de virar a página acontecerá antes de ter sido lida a última linha da página direita e, de outra forma, haveria a formação de sombra nesta página, o que atrapalharia a leitura.

3) Objetos necessários
Para evitar de, durante a leitura, levantarmos para pegar algum objeto que julguemos importante, devemos colocar lápis, marca-texto e dicionários sempre à mão. Quanto sublinhar os pontos importantes do texto, é preciso aprender a técnica adequada. Não o fazer na primeira leitura, evitando que os aspectos sublinhados parecem-se mais com um mosaico de informações aleatórias.
Fonte: mundo vestibular