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Toxoplasmose





TOXOPLASMOSE : sintomas, IgG e tratamento

A toxoplasmose é uma doença causada pelo parasita Toxoplasma gondii, presente em todo o planeta e com elevada prevalência na população mundial. Para se ter idéia do quão comum é a infecção pela toxoplasmose, estima-se que cerca de 1/3 da população mundial já tenha entrado em contato com este parasita. E a toxoplasmose não é uma doença restrita apenas a países em desenvolvimento; cerca de 80% da população de Paris e 70% dos americanos apresentam sorologia positiva para este protozoário.

Toxoplasmose - Toxoplasma gondii
Toxoplasma ao microscópio
Mas se a toxoplasmose é uma doença tão comum, por que ouvimos falar tão pouco nela? Na verdade, o sistema imune da maioria das pessoas é forte o suficiente para impedir que o Toxoplasma gondii consiga nos fazer algum mal. Este fato explica o porquê de grande parte da população ter anticorpos IgG contra a toxoplasmose (explico o que é IgG toxoplasmose mais abaixo), sem nunca sequer suspeitar ter tido contato com o parasita.

A grande preocupação em relação a toxoplasmose está nas mulheres grávidas e nos pacientes imunossuprimidos, ou seja, com sistema imune debilitado como transplantados, HIV positivo, pacientes em quimioterapia ou em uso de drogas imunossupressoras.

Para saber mais sobre toxoplasmose na gravidez, leia: TOXOPLASMOSE NA GRAVIDEZ | TOXOPLASMOSE CONGÊNITA. Sugiro, porém, a leitura completa deste texto antes, pois alguns conceitos importantes serão aprendidos aqui.

Transmissão da toxoplasmose

O parasita Toxoplasma gondii pode contaminar qualquer animal de sangue quente, incluindo os seres humanos, porém, é apenas nos gatos que ele consegue completar seu ciclo reprodutivo. Em outras palavras, qualquer mamífero ou ave pode ter toxoplasmose, mas o parasita só produz ovos (chamados de oocistos) dentro dos intestinos dos gatos. Chamamos os felinos de hospedeiros primários; todos os outros animais são hospedeiros intermediários, pois só possuem o parasita adulto em seu organismo.

O ciclo de transmissão da toxoplasmose ocorre da seguinte maneira: um gato ingere o Toxoplasma gondii;este que se aloja em seus intestinos e passa a se reproduzir, liberando ovos (oocistos) de toxoplasma pelas fezes. Estes ovos ficam no solo até que algum animal os ingira. No caso dos humanos, a ingestão destes ovos costuma de dar pela contaminação das mãos no solo, seguido pelo contato destas com a boca. Na verdade, todas as doenças causadas pela via fecal-oral, como, por exemplo, hepatite A (leia: HEPATITE A | Sintomas, tratamento e vacina) e H. pylori (leia: H.PYLORI (Helicobacter pylori) | Sintomas e tratamento), costumam ser transmitidas por mãos inadvertidamente contaminadas por fezes.

Comer alimentos como frutas e verduras originários de solo contaminado por fezes de gatos também é uma via de transmissão. Lavar bem os alimentos antes de comê-los é uma medida eficaz para se reduzir a transmissão da toxoplasmose

O parasita toxoplasma gondii parece também ser transportado por moscas e baratas que, ao terem contato com fezes de gatos contaminados, conseguem transportar os oócitos por longas distâncias.

Um dado importante é fato do oócito só se tornar infectante após 24-48 horas no solo. Por isso, é importante limpar diariamente as caixas de areia dos gatos a fim de evitar que os ovos do toxoplasma se tornem viáveis para transmissão.

Os outros animais, apesar de não disseminarem ovos de toxoplasma pelo ambiente como os gatos, também podem ser vias de transmissão da toxoplasmose. Uma vez que o parasita se aloja nos tecidos dos animais contaminados, basta comermos carnes mal passadas destes para que o toxoplasma entre em nosso organismo. Os principais carnes com risco de transmissão são as de porco, carneiro e veado. É importante ressaltar que o animal não precisa estar doente para ter o toxoplasma em seus tecidos. Assim como ocorre em nós humanos, havendo um sistema imune intacto, o toxoplasma fica presente nos animais sem causar doença, apenas adormecido em seus tecidos. Se sua carne não for bem cozinhada, o parasite sobrevive e contamina o trato digestivo de quem o está ingerindo.

O simples ato de manusear carne crua com toxoplasma é suficiente para contaminar mãos e utensílios de cozinha como facas e pratos. Um cozinheiro que prepara uma carne com toxoplasma, se não lavar as mãos, pode contaminar a si próprio e também outros pratos que venha a preparar.

O terceiro modo de transmissão da toxoplasmose é pela transfusão de sangue (leia: DOAÇÃO DE SANGUE | informações para doadores para saber como é feita a triagem dos sangues para transfusão) ou pelo transplante de órgãos de doadores contaminados para receptores não contaminados.

Ainda existe a via de transmissão durante a gravidez, mas desta falaremos separadamente em outro texto a ser publicado brevemente.

Sintomas da toxoplasmose

Até 90% das pessoas sadias que se contaminam com o toxoplasma gondii, independentemente da via de transmissão, permanecerão assintomáticas indefinidamente. Nas aquelas poucas pessoas imunocompetentes, ou seja, com sistema imune sadio, que venham a desenvolver a doença toxoplasmose, o quadro clínico costuma ser brando, com sintomas semelhantes a um quadro gripal inespecífico com febre, dor muscular, cansaço, dor de cabeça e rash cutâneo. O sintoma mais característico é um aumento dos linfonodos (gânglios) do pescoço. Até 30% dos casos sintomáticos costumam ter linfonodos aumentados por todo o corpo. Alguns casos apresentam também dor de garganta, ficando muito semelhante a uma mononucleose (leia: MONONUCLEOSE | DOENÇA DO BEIJO).

Ao contrário de quadros virais comuns, a toxoplasmose sintomática costuma durar algumas semanas, em alguns casos, até meses.

Raramente a toxoplasmose pode causar problemas mais graves em pacientes sadios como lesões nos pulmões, coração e nos olhos, chamados respectivamente de pneumonite, miocardite e coriorretinite.

Independente de haver sintomas sintomas ou não logo após a contaminação, o paciente imunocompetente que adquire o parasita permanece com ele adormecido nos tecidos do corpo, geralmente músculos e tecidos nervosos, pelo resto da vida. O toxoplasma permanece anos inativado, controlado pelo sistema imune, somente à espera de qualquer problema que reduza nossas defesas naturais para voltar a atacar nosso corpo.

Sintomas da toxoplasmose em pacientes imunocomprometidos

Pacientes imunocomprometidos são aqueles que apresentam um sistema imune fraco, como nos seguintes casos:

- HIV e AIDS (SIDA) (leia: SINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA))
- Câncer e quimioterapia (leia: SINTOMAS DO CÂNCER)
- Pacientes transplantados (leia: SAIBA COMO FUNCIONA O TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS)
- Pacientes em uso de drogas imunossupressoras como corticóides (leia: PREDNISONA E CORTICÓIDES | Indicações e efeitos colaterais)

Toxoplasmose cerebral
Toxoplasmose cerebral
Neste grupo de pacientes, a toxoplasmose é uma doença muito grave, uma vez que o sistema imune é deficiente e incapaz de impedir a proliferação do parasita.

Nos imunodeprimidos, a toxoplasmose pode ser uma doença recentemente adquirida, mas é na maioria das vezes uma reativação de uma infecção crônica que passou anos em silêncio enquanto o sistema imune ainda estava intacto, e agora, aproveita-se da baixa imunológica para atacar o organismo.

A lesão cerebral pelo toxoplasma é das mais comuns em pacientes imunodeprimidos. Os sintomas da toxoplasmose cerebral incluem convulsões (leia: EPILEPSIA | CRISE CONVULSIVA), alterações na marcha, na fala, nos movimentos dos membros e no estado mental, podendo, muitas vezes, ser confundido com um AVC (leia: AVC | ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL | DERRAME CEREBRAL). O paciente pode também apresentar demência e até evoluir para o coma.

Outras lesões comuns da toxoplasmose em pacientes imunossuprimidos é a coriorretinite, que causa dor ocular e perda da visão (para ler sobre lesões oculares da toxoplasmose com mais detalhes, visite o texto: Toxoplasmose Ocular do blog http://www.medicodeolhos.com.br/); pneumonite, que cursa com febre, falta de ar e tosse seca; miocardite, com sintomas de insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA | CAUSAS E SINTOMAS). Se não tratada, a toxoplasmose pode levar os imunossuprimidos ao óbito.

Para mais detalhes sobre os sintomas da toxoplasmose, leia: SINTOMAS DA TOXOPLASMOSE.

Diagnóstico sorológico da toxoplasmose

O diagnóstico da toxoplasmose é normalmente feito pela sorologia, ou seja, pela dosagem de anticorpos contra o toxoplasma gondii.

Abro aqui uma rápido parêntese para explicar como funciona a sorologia da toxoplasmose (e de várias outras doenças infecciosas). O raciocínio é o seguinte: o nosso corpo só cria anticorpos contra um determinado germe se formos expostos ao mesmo. Portanto, ter anticorpos contra toxoplasmose significa ter sido contaminado pelo parasita.

Para resumir um processo extremamente complexo, podemos dizer que nosso corpo trabalha basicamente com dois anticorpos, chamados de IgM e IgG. Assim que um germe novo entra em nosso corpo, nosso sistema imune começa a produzir o anticorpo IgM, que é chamado de anticorpo de fase aguda. Ter IgM positivo para toxoplasmose significa que a doença foi adquirida muito recentemente (o IgM surge com apenas 1 semana de contaminação). Depois de mais ou menos 4 semanas, o corpo substitui o anticorpo IgM pelo anticorpo IgG, que é mais forte e mais específico contra a doença pretendida. Portanto, depois de 4 semanas, o paciente deixa de ter IgM positivo e passa a ter apenas IgG positivo para toxoplasmose. Esta IgG para toxoplasmose ficará positiva pelo resto da vida.

Resumindo, um paciente com toxoplasmose aguda tem IgM positivo, enquanto que um paciente que possui o parasita inativo no corpo apresentará IgG positivo. Quem nunca foi exposto ao toxoplasma tem IgM e IgG negativos.

Como a toxoplasmose não causa doença em 90% das pessoas, o único modo de saber se o paciente já foi exposto ao toxoplasma é através da dosagem do IgG para toxoplasmose. Saber se a pessoa já teve toxoplasmose, mesmo que assintomática, é uma informação muito importante no caso das grávidas (leia: TOXOPLASMOSE NA GRAVIDEZ | TOXOPLASMOSE CONGÊNITA).

Tratamento da toxoplasmose

Obviamente, pessoas com toxoplasmose assintomática não precisam de nenhum tipo de tratamento. Ter o toxoplasma inativo no corpo não significa estar doente. O tratamento também não está indicado naqueles com sintomas discretos, tipo gripe fraca, que duram poucas semanas.

O tratamento está indicado apenas nos casos sintomáticos, nos imunossuprimidos e nas grávidas. O esquema de primeira linha é feito com Pirimetamina + Sulfadiazina ou Pirimetamina + Clindamicina por 4 a 6 semanas.

Pacientes imunossuprimidos graves devem fazer profilaxia para impedir a reativação do toxoplasma. O esquema é o mesmo, apenas com doses mais baixas.


Leia o texto original no site MD.Saúde: TOXOPLASMOSE | Sintomas, IgG e tratamento
 
Fonte deste texto:
 
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Doenças transmitidas pela água



                                                            
                                                                Leptospirose
A leptospirose é uma doença bacteriana, que afeta humanos e animais, causada pela bactéria do gênero Leptospira. É transmitida pela água e alimentos contaminados pela urinas de animais, principalmente o rato. É uma doença muito comum depois de enchentes, pois as pessoas andam sem proteção em águas contaminadas.
Em humanos a leptospirose causa uma vasta gama de sintomas, sendo que algumas pessoas infectadas podem não ter sintoma algum. Os sintomas da leptospirose incluem febre alta, dor de cabeça forte, calafrio, dor muscular e vômito. A doença também pode causar os seguintes sintomas: olhos e pele amarelada, olhos vermelhos, dor abdominal, diarréia e erupções na pele. Se a leptospirose não for tratada, o paciente pode sofrer danos nos rins, meningite (inflamação na membrana ao redor do cérebro e cordão espinhal), falha nos rins e problemas respiratórios. E raras ocasiões a leptospirose pode ser fatal. Muitos desses sintomas podem ser confundidos com outras doenças, de modo que a leptospirose é confirmada através de testes laboratoriais de sangue ou urina.



                                    Hepatite                                                          
É uma inflamação no fígado que pode ser provocada por vários tipos de vírus. Os sintomas são parecidos com os da gripe e há também icterícia (coloração amarelada da pele causada pelo depósito de uma substância produzida pelo fígado). A pessoa precisa ficar em repouso e seguir as orientações médicas.
Algumas formas de hepatite são transmitidas por água e alimentos contaminados por fezes (Tipo A e E). Outros tipos são transmitidos por transfusão de sangue (B, C) ou por relações sexuais.
Quem já teve hepatite não pode doar sangue, já que o vírus às vezes continua no organismo, mesmo que não haja sintomas da doença.







Esquistossomose
É também chamada Xistosa, ou doença do caramujo. Ela é provocada por um verme chamado esquistossomo. Os vermes vivem nas veias do intestino e podem provocar diarréia, emagrecimento, dores na barriga, que aumenta muito de volume (barriga-d'água), e problemas em vários órgãos do corpo.
Os ovos do esquitossomo saem junto com as fezes da pessoa contaminada. Se não houver fossa ou rede de esgotos, eles podem chegar a água doce (lagos, lagoas ou riachos, margens de rios, etc). Na água, os ovos dão origem a pequenas larvas (animais diferentes dos vermes adultos) chamados miracídios. As larvas penetram em um tipo de caramujo chamado planorbídeo. No interior do caramujo, elas se reproduzem e se transformam em outras larvas, as cercárias, que saem do caramujo e ficam nadando livres na água.
A cercária pode penetrar, através da pele, nas pessoas que usam a água de lagos, lagoas, riachos e outros locais para tomar banho, lavar roupa, trabalhar, pescar ou outras atividades.




Além de tratar o doente com medicamentos, é necessário instalar um sistema de esgotos para impedir que os ovos atinjam a água. As pessoas precisam também ter acesso a água de boa qualidade e ser informadas sobre as formas de transmissão da doença.
É preciso também combater o caramujo que transmite a esquistossomose com produtos químicos e com a criação de peixes que se alimentam do caramujo, como a tilápia, o tambaqui e o piau. Esses peixes podem ser consumidos pelas pessoas sem risco de contaminação.



                                   Cólera

A cólera é uma infecção causada pela bactéria Vibrio cholerae e se caracteriza por um severo quadro de diarreia aquosa, que pode levar rapidamente à grave desidratação.

A cólera também é transmitida pela via fecal-oral, podendo ser adquirida através da água e de alimentos contaminados. O Vibrio cholerae após ser ingerido, instala-se no intestino e passa a produzir uma toxina que ataca as células do intestino, levando a uma grave diarreia.

 Diarreia infecciosa

Além da cólera e da hepatite A, vários outros germes, incluindo bactérias, vírus e parasitas podem contaminar águas e causar diarreia através da via fecal-oral.
                    Água, mosquitos e doenças

Muitos mosquitos põem ovos na água parada. Dos ovos saem larvas, que depois se tornam mosquitos adultos.
Uma forma de combater as doenças transmitidas por mosquitos é justamente evitar o acúmulo de água parada em vasos de plantas, latas vazias, pneus velhos, garrafas, etc. Caixas-d'água, tanques e outros reservatórios devem ficar sempre tampados.

O que é dengue?
É uma virose transmitida por um tipo de mosquito (Aedes aegypti) que pica apenas durante o dia, ao contrário do mosquito comum (Culex), que pica de noite. A infecção pode ser causada por qualquer um dos quatro tipos (1, 2, 3 e 4) do vírus da dengue, que produzem as mesmas manifestações. Em geral, o início é súbito com febre alta, dor de cabeça e muita dor no corpo. É comum a sensação de intenso cansaço, a falta de apetite e, por vezes, náuseas e vômitos. Podem aparecer manchas vermelhas na pele, parecidas com as do sarampo ou da rubéola, e prurido (coceira) no corpo. Pode ocorrer, às vezes, algum tipo de sangramento (em geral no nariz ou nas gengivas). A dengue não é transmitida diretamente de uma pessoa para outra.

O que uma pessoa deve fazer se achar que está com dengue?
- Procurar um Serviço de Saúde logo no começo dos sintomas. Diversas doenças são muito parecidas com a dengue, e têm outro tipo de tratamento.
- Beber bastante líquido, evitando-se as bebidas com cafeína (café, chá preto). Não tomar remédios por conta própria, mesmo aqueles normalmente indicados para dor ou febre. Todos os medicamentos podem ter efeitos colaterais e alguns que podem até piorar a doença. A dengue não tem tratamento específico. Os medicamentos são empregados para atenuar as manifestações (dor, febre).
- Informar ao médico se estiver em uso de qualquer remédio. Alguns medicamentos utilizados no tratamento de outras doenças (Marevan®, Ticlid® etc.) podem aumentar o risco de sangramentos.
- Não tomar nenhum remédio para dor ou para febre que contenha ácido acetil-salicílico (AAS®, Aspirina®, Melhoral® etc.) - que pode aumentar o risco de sangramento.

Os antiinflamatórios (Voltaren®, Profenid ® etc) também não devem ser utilizados como antitérmicos pelo risco de efeitos colaterais, como hemorragia digestiva e reações alérgicas.

Os remédios que tem dipirona (Novalgina®, Dorflex®, Anador® etc.) devem ser evitados, pois podem diminuir a pressão ou, às vezes, causar manchas de pele parecidas com as da dengue.

O paracetamol (Dôrico®, Tylenol® etc), mais utilizado para tratar a dor e a febre na dengue, deve ser tomado rigorosamente nas doses e no intervalo prescritos pelo médico, uma vez que em doses muito altas pode causar lesão hepática.



Como é feito o diagnóstico de dengue?
O diagnóstico inicial de dengue é clínico (história + exame físico da pessoa) feito essencialmente por exclusão de outras doenças. Feito o diagnóstico clínico de dengue, alguns exames (hematócrito, contagem de plaquetas) podem trazer informações úteis quando analisados por um médico, mas não comprovam o diagnóstico, uma vez que também podem estar alterados em várias outras infecções. A comprovação do diagnóstico, se for desejada por algum motivo, pode ser feita através de sorologia (exame que detecta a presença de anticorpos contra o vírus da dengue), que começa a ficar reativa ("positiva") a partir do quarto dia de doença.


É necessário esperar o resultado de exames para iniciar o tratamento?
Não. Uma vez que, excluídas clinicamente outras doenças, a dengue passa a ser o diagnóstico mais provável, os resultados de exames (que podem demorar muito) não podem retardar o início do tratamento. O tratamento da dengue é feito, na maioria das vezes, com uma solução para reidratação oral (disponível nas Unidades de Saúde), que deve ser iniciada o mais rápido possível.

A comprovação do diagnóstico de dengue é útil para o tratamento da pessoa doente?
Não. A comprovação sorológica do diagnóstico de dengue poderá ser útil para outras finalidades (vigilância epidemiológica, estatísticas) e é um direito do doente, mas o resultado do exame comumente estará disponível apenas após a pessoa ter melhorado, o que o torna inútil para a condução do tratamento. O exame sorológico também não permite dizer qual o tipo de vírus que causou a infecção (o que é irrelevante) e nem se a dengue é "hemorrágica".

O que é dengue "hemorrágica"?
Dengue "hemorrágica" é a dengue mais grave. Apesar do nome, que é impreciso, o principal perigo da dengue "hemorrágica" não são os sangramentos, mas sim a pressão arterial muito baixa (choque). É importante saber que outras doenças, como a meningite meningocócica, podem ser muito parecidas com a dengue, embora a pessoa fique grave muito mais rápido (logo no primeiro ou segundo dia de doença). A dengue pode se tornar mais grave apenas quando a febre começa a diminuir. O período mais perigoso está nos três primeiros dias depois que a febre começa a desaparecer. Pode aparecer qualquer uma dessas alterações:

- dor no fígado (nas costelas, do lado direito)
- tonteiras, desmaios
- pele fria e pegajosa, suor frio
- sangramentos
- fezes escuras, parecidas com borra de café


O que fazer se aparecer qualquer um desses sintomas?
Procurar imediatamente o Centro Municipal de Saúde ou o Hospital mais próximo.

A dengue "hemorrágica" só ocorre em quem tem dengue pela segunda vez.
Não. A forma grave da dengue também pode ocorrer em quem tem a doença pela primeira vez.

A dengue "hemorrágica" é obrigatória em que tem a doença pela segunda vez?
Não. O risco é maior do que na primeira infecção, mas a imensa maioria das pessoas que têm a doença pela segunda ou terceira vez não apresenta a forma grave da dengue.

Quantas vezes uma pessoa pode ter dengue?
Até quatro vezes, pois existem quatro tipos diferentes do vírus da dengue (1, 2, 3 e 4). No Rio de Janeiro, até agora, existem os tipos 1, 2 e 3. Cada vez que a pessoa tem dengue por um tipo, fica permanentemente protegido contra novas infecções por aquele tipo. É por isso que só se pode ter dengue quatro vezes.

Quem teve dengue fica com alguma complicação?
Não. A recuperação costuma ser total. É comum que ocorra durante alguns dias uma sensação de cansaço, que desaparece completamente com o tempo.

Todo mundo que é picado pelo Aedes aegypti fica doente?
Não. Primeiro é preciso que o Aëdes esteja contaminado com o vírus da dengue. Além disso, cerca de metade das pessoas que são picadas pelo mosquito que tem o vírus não apresenta qualquer sintoma.
O que fazer para diminuir o risco de pegar dengue?
O Aedes aegypti é um mosquito doméstico, que vive dentro ou nas proximidades das habitações. O único modo possível de evitar ou reduzir a duração de uma epidemia e impedir a introdução de um novo tipo do vírus da dengue é a eliminação dos transmissores. Isso é muito importante porque, além da dengue, o Aedes aegypti também pode transmitir a febre amarela.

O "fumacê" é útil para matar os mosquitos adultos, mas não acaba com os ovos. Por isso, deve ser empregado apenas em períodos de epidemias com o objetivo de interromper rapidamente a transmissão. O mais importante é procurar acabar com os criadouros dos mosquitos. Qualquer coleção de água limpa e parada, inclusive em plantas que acumulam água (bromélias), pode servir de criadouro para o Aedes aegypti.


Fontes:

http://www.mdsaude.com/2012/01/doencas-da-agua.html

http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Agua/Agua11.php#d1


Quer pesquisar  e saber um pouco mais sobre as doenças citadas no texto? Acesse este blog.

http://temquesermillenium.blogspot.com.br/search/label/Doen%C3%A7as%20transmitidas%20pela%20%C3%A1gua